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O presente artigo pretende compreender o fenômeno de encarceramento em massa dos
Estados Unidos iniciado a partir da década de 1970 através do filme Attica - Against the
Wall, que narra a rebelião e a luta de presos dessa prisão pelo reconhecimento de seus
direitos. Com o filme buscamos não uma interpretação historiográfica do evento em Attica,
mas a análise das possíveis representações para os diferentes discursos que o impregnaram
e sua relação com o direito. Assim, trata-se de um estudo qualitativo compreensivo.
Aproveitando o valor dos testemunhos fictícios e desde um enfoque interdisciplinar, o
artigo utiliza o filme como uma ferramenta de difusão e sensibilização sobre os problemas
do encarceramento em massa e do racismo institucional. Tendo em conta este episódio
como ponto interpretativo do giro das políticas sociais e criminais estadunidenses, buscase
compreender quais discursos, ideias e práticas foram articuladas para vaziar a esfera
pública dos movimentos reivindicatórios das décadas dos anos 50 e 60, que permitiram
justificar o crescimento exponencial do poder punitivo e da vigilância, assim como entender
de que forma o avance do Estado penal atua como dispositivo essencial para a não
concretização da cidadania negra. Finalmente, se farão aproximações entre a realidade
estadunidense e a brasileira a partir de dito episódio.

Evandro Piza Duarte, Universidad de Brasilia

Graduación en Derecho por la Universidad Federal de Santa Catarina (1993), Maestría en Derecho por la Universidad Federal de Santa Catarina (1998) y Doctorado en Derecho por la Universidad de Brasilia. Actualmente es Profesor en la Universidad de Brasilia de Derecho Penal, Proceso Penal y Criminología.
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