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O efeito de uma política antinarcóticos que ignora as consequências da erradicação de cultivos de coca é radicalizar e isolar ainda mais a população em aquelas zonas onde prosperam a anarquia e o terrorismo. Além disso, fortalece os laços entre os descontentes sociais e os grupos guerrilheiros nessas mesmas áreas. Washington não pode seguir cega ao fato de que as três políticas atuais dos Estados Unidos –antiterrorismo, antinarcóticos e democratização no Peru e outras regiões na América Latina—não estão funcionando harmonicamente. Resulta paradoxal que a erradicação de cultivos de coca, eixo da política antinarcóticos peruana respaldada pelos Estados Unidos, alargue os sacos de miséria e alente a ira contra o governo, para além de perpetuar os proverbiais miasmas de marginação nas que se engendra o terrorismo. Em vez de fortalecer ao Estado, a erradicação de cultivos de coca, tal e como se está levando a cabo em países andinos, incrementa as possibilidades de seu fracasso.

Vanda Felbab-Brown

Fellow at the Belfer Center for Science and International Affairs, John F. Kennedy School of Government, Harvard University
Felbab-Brown, V. (2010). Futuros problemas: cocaleiros do Peru. Desafíos, 14, 304–317. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/desafios/a.743

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