Avances en Psicología Latinoamericana
ISSN:1794-4724 | eISSN:2145-4515

Cyberstalking: prevalência e estratégias de coping em estudantes portugueses do ensino secundário

Cyberstalking: Prevalence and Coping Strategies in Portuguese Secondary School Students

Cyberstalking: prevalencia y estrategias de afrontamiento en estudiantes portugueses de secundaria

Ana Isabel Sani, Juliana Valquaresma

Cyberstalking: prevalência e estratégias de coping em estudantes portugueses do ensino secundário

Avances en Psicología Latinoamericana, vol. 38, núm. 3, 2020

Universidad del Rosario

Ana Isabel Sani a

Universidade Fernando Pessoa, Brasil


Juliana Valquaresma

Universidade Fernando Pessoa, Brasil


Recepção: 10 Outubro 2019

Aprovação: 07 Janeiro 2020

Informação adicional

Para citar este artigo:: Sani, A. I., & Valquaresma, J. (2020). Cyberstalking: prevalência e estratégias de coping em estudantes portugueses do ensino secundário. Avances en Psicología Latinoamericana, 38(3), 1-18. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.8160

Resumo: O cyberstalking é uma forma de perseguição que consiste na utilização da internet ou outro instrumento computadorizado, com intuito de assediar ou perseguir alguém, através de ações metódicas, persistentes e indesejáveis geradoras de incômodo na vida das vítimas. Este estudo pretendeu avaliar a prevalência do cyberstalkinge analisar as estratégias de coping utilizadas pelas vítimas. Os dados foram recolhidos junto de 259 estudantes do ensino secundário através de um inquérito online composto por um questionário sociodemográfico, a Escala de Avaliação do Cyberstalkinge Escala de Coping no Stalking. As análises estatísticas revelaram uma taxa de prevalência real (experiência de pelo menos um comportamento de cyberstalking) de 68.0 % e uma taxa de vitimação autorrelatada (autoidentificação como vítima) de 25.5 %. Os comportamentos de cyberstalkingmais frequentes foram os de hiperintimidade e as estratégias de coping mais usadas pelas vítimas envolviam evitar o contato ou negar/minimizar os comportamentos do stalker. Os resultados apontam para uma desvalorização pelas vítimas dos comportamentos de perseguição online. Concluímos pela necessidade de realizar ações informativas sobre o tema direcionadas a toda a comunidade, para consciencializar sobre esse problema social, informar sobre as especificidades do fenômeno, bem como disseminar estratégias de prevenção.

Palavras-chave cyberstalking, coping; prevalência; vitimação.

Abstract: Cyberstalking is a form of innovative persecution that consists of using the Internet or another computerized instrument to harass or persecute someone through methodical, persistent, and undesirable actions that generate discomfort in the lives of the victims. This research aimed to evaluate the prevalence of cyberstalking and to analyze the coping strategies used by the victims. The data was collected from 259 secondary school students through the online inquiry, composed of a sociodemographic questionnaire, the Cyberstalking Rating Scale, and Stalking Coping Measure. Statistical analyzes revealed a real prevalence rate (experience at least one cyberstalking behavior) of 68.0 % and a self-reported victimization rate (self-identification as a victim) of 25.5 %. The most frequent cyberstalking behaviors are those of hyper-intimacy; coping strategies most used by victims are strategies that involve avoiding contact or denying/ minimizing stalker behaviors. The results point to a devaluation by victims of cyberstalking behaviors. We conclude the need to carry out information actions on the theme directed to the whole community, to raise awareness of this social problem, to inform about the specificities of the phenomenon, as well as to disseminate prevention strategies.

Keywords: cyberstalking, coping, prevalence, victimization.

Resumen: El cyberstalking es una forma de persecución que consiste en el uso del internet u otro instrumento computarizado con la intención de asediar o perseguir a alguien, a través de acciones metódicas, persistentes e indeseables generadoras de incomodidad en la vida de las víctimas. Este estudio pretendió evaluar la prevalencia del cyberstalking y analizar las estrategias de afrontamiento utilizadas por las víctimas. Los datos fueron recogidos de 259 estudiantes de secundaria, a través de una encuesta en línea compuesta por un cuestionario sociodemográfico, la Escala de Evaluación del Cyberstalking y la Escala de Afrontamiento en el Acoso. Los análisis estadísticos revelaron una tasa de prevalencia real (experiencia de por lo menos un comportamiento de cyberstalking) de 68.0 % y una tasa de victimización autorrelatada (autoidentificación como víctima) de 25.5 %. Los comportamientos de cyberstalkingmás frecuentes fueron los de hiperintimidad, y las estrategias de afrontamiento más usadas por las víctimas involucraban evitar el contacto o negar/minimizar los comportamientos del stalker.Los resultados apuntan hacia una desvalorización de las víctimas de los comportamientos de persecución en línea. Concluimos que hay una necesidad de realizar acciones informativas sobre el tema, direccionadas a toda la comunidad para concientizar sobre ese problema social, informar sobre las especificidades del fenómeno y diseminar estrategias de prevención.

Palabras clave: cyberstalking, afrontamiento, prevalencia, victimización.

Ao longo da história, as construções culturais de um amor romântico eram frequentemente representadas de forma inofensiva em livros, peças de teatro e filmes, ocultando a fronteira entre o comportamento romântico e aquele que é obsessivo, intrusivo e/ou criminal (Tjaden & Thoennes, 1998). A dualidade romance-obsessão surge retratada nos livros de Shakespeare (Spitzberg & Cupach, 2003), revelando-nos em suas obras casos em que a linha de separação entre o violento e o não violento é tênue. Tal suscita outras interpretações e a constatação de que pode existir, não necessariamente uma boa experiência relacional, mas uma situação de vitimação. O desejo, em alguns casos, dá lugar à obsessão, exibindo a pessoa que por este sentimento está dominada, um comportamento intrusivo e persistente de assédio, tal como discutido na literatura científica internacional de stalking(e.g., Baum, Catalano, Rand & Rose, 2009; Brownhalls, Duffy, Eriksson, & Barlow, 2019; Cupach & Spitzberg, 1998; Nguyen, Spitzberg, & Lee, 2012; Sheridan, Arianayagam & Chan, 2018; Spitzberg, 2015; Tjaden & Thoennes, 1998).

Entende-se por stalking, o comportamento ameaçador de perseguição ou assédio repetido, que decorre de tentativas em estabelecer contato com uma pessoa, de forma forçada e persistente, e que pode ser concretizado por algumas das seguintes condutas: seguindo uma pessoa ou aparecendo em certos locais (casa, trabalho), fazendo telefonemas, enviando mensagens, entre outros comportamentos que acabam comprometendo a qualidade de vida da vítima (Ferreira, 2016; Grangeia & Matos, 2010; Tjaden & Thoennes, 1998). O stalking pode persistir durante anos e ser realizado através de diversos contextos, locais e formas de comunicação (Spitzberg & Cupach, 2014). Este fenômeno pode envolver uma série diversa de comportamentos (Escamilla, 2014), mais ou menos explícitos (e.g., oferecer presentes, enviar mensagens, aparecer em vários contextos), cujo significado vai depender da interpretação subjetiva de cada pessoa (Pereira, Matos, Sheridan & Scott, 2015; McKeon, McEwan & Luebbers, 2015), razão para que, por vezes, este assédio possa não ser de imediato percebido como ameaçador, inclusive pela própria vítima (Sani, Carrasquinho & Soeiro, 2018).

O stalking tem sido reconhecido como um grave problema social (Grangeia & Matos, 2010; 2011), devido às repercussões físicas, psicológicas e sociais causadas nas vítimas (Begotti & Acquadro Maran, 2019; Villacampa & Pujols, 2018; Worsley, Wheatcroft, Short & Corcoran, 2017) e à comum associação com outras formas de violência e/ou crime (Escamilla, 2014), designadamente a violência nas relações de intimidade (Ferreira & Matos, 2013). Este despertar de consciências, muito incentivado pela profícua investigação sobre a prevalência do fenômeno (Björklund, Häkkänen-Nyholm, Sheridan, & Roberts, 2010; Grangeia & Matos, 2017; Matos, Grangeia, Ferreira, & Azevedo, 2011) e sobre a análise das caraterísticas e dinâmicas de vitimação e perfis dos intervenientes (Matos, Grangeia, Ferreira, & Azevedo, 2012; Matos et al., 2019; Sani et al., 2018), contribuíram para que, em alguns países (e.g., Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal), este comportamento de assédio persistente fosse criminalizado (De Fazio, 2009; Ferreira, Matos, & Antunes, 2018; Maran, Varetto, Zedda & Munari, 2014; Villacampa & Pujols, 2018).

O stalking pode ocorrer também através do uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC), muito frequentemente através das redes sociais (e.g., Facebook, Instagram, Twitter), ferramentas muito usadas pelos jovens (Marques, Pinto & Alvarez, 2015; Reychav & Sukenik, 2014) por serem um meio de comunicação rápido e eficaz (Phillips & Spitzberg, 2010). As tic estão muito presentes no estabelecimento de relações e nos contactos interpessoais de modo online na população juvenil, sendo reconhecido, também neste grupo, um aumento de formas de assédio (Reychav & Sukenik, 2014), frequentemente entre jovens estudantes (Alexy, Burgess, Baker & Smoyak, 2005; Begotti & Acquadro Maran, 2019; Björklund et al., 2010). A esta forma de stalking que faz uso das tic designamos de cyberstalking (Bocij, 2002; Hensler-McGinnis, 2008).

Após uma contextualização teórica breve sobre o fenômeno do cyberstalking apresenta-se neste artigo um estudo sobre a prevalência, as características gerais de vitimação e as estratégias de coping (confronto) de uma amostra de jovens estudantes portugueses do ensino secundário.

Cyberstalking como uma extensão do stalking?

O cyberstalking surgiu no mundo ocidental, como construção sociocultural, um reflexo do progressivo reconhecimento do stalking e da acentuada difusão das tic (Pereira & Matos, 2015). O cyberstalking, também designado por stalking online, eletrônico ou virtual, consiste na utilização da internet ou outro instrumento computadorizado, com o intuito de assediar ou perseguir alguém, através de ações metódicas, persistentes e indesejáveis, que causam incômodo na vida das vítimas (Pires, Sani & Soeiro, 2018a; Spitzberg & Cupach, 2007).

Embora se verifique um consenso na literatura no que diz respeito aos elementos centrais do cyberstalking (e.g., persistência, intenção, deliberação, indesejabilidade), a complexidade do constructo e o seu relativo reconhecimento têm resultado em definições e interpretações distintas do fenômeno (Bocij, 2002; Pires, Sani & Soeiro, 2018b; Stonard, Bowen, Walker & Price, 2015). Uma conceitualização diferenciada do cyberstalking surge, por vezes, pelo fato de este incorporar comportamentos (e.g., roubo de identidade, roubo de dados, danos a equipamentos) que não estão associados ao stalking em contexto real (Bocij, 2002). Todavia persiste uma grande controvérsia em torno da sua definição. Enquanto alguns autores assumem o cyberstalking como uma problemática social distinta (e.g., Bocij, 2002), outros conceitualizam-no como uma extensão do stalking (Stonard et al., 2015), existindo evidências da coocorrência dos fenômenos (Pires et al., 2018b).

Os estudos comparativos realizados (Alexy et al., 2005; Sheridan & Grant, 2007) documentam a ocorrência simultânea de comportamentos online . offline (com ou sem uso de meios eletrônicos), e permitem concluir que o cyberstalking poderá ser um modo complementar de perseguir e intimidar no mundo real. Tendo em conta que, no caso do stalking, é usual existir proximidade geográfica entre vítima e agressor, no cyberstalking não é necessária a proximidade geográfica, pois para tal, os cyberstalkers baseiam-se no recurso à internet, para encontrar o seu alvo, fazendo uso, posteriormente, de comportamentos como o envio de e-mails, mensagens e/ou comentários nas redes sociais ou até sabotagem eletrônica através do envio de vírus, material hostil, ameaças, falsificação e até roubo de identidade (Matos et al., 2012; Southworth, Finn, Dawson, Fraser & Tucker, 2007; Pires et al., 2018a; Spitzberg & Cupach, 2007). É neste contexto que os cyberstalkers acabam por encontrar uma excelente plataforma para alterar a sua rotina de perseguição em espaços públicos por espaços online. Desta forma, podemos afirmar que o cyberstalking é uma forma de stalking no mundo virtual, no qual se verifica que a Internet é uma ferramenta altamente avançada, possível de ser utilizada para atingir os objetivos do stalker (Tavani & Grodzinsky, 2002), uma vez que cerca de 80 % das vítimas de stalking revelaram ser assediadas via e-mail (Baum et al., 2009).

Prevalência do cyberstalking em jovens

Embora os adolescentes sejam potenciais atores do cyberstalking, quer como alvos, quer como perpetradores (Pereira & Matos, 2015) o foco de investigação sobre este fenômeno tem sido sobretudo a população adulta e/ou universitária (e.g., Sheridan & Grant, 2007; Spitzberg & Hoobler, 2002). O interesse nestes estudos está na oportunidade de realizar-se uma avaliação que ajude a determinar que características estão mais associadas à vitimação e o nível de risco ao que se expõe o stalker, com o propósito de atuar preventivamente sobre essas situações. Todavia, isso não significa que as vítimas constituam um grupo homogêneo, pelo contrário, qualquer pessoa, independentemente do seu sexo, orientação sexual, faixa etária ou classe social pode ser vítima de perseguição, em qualquer período da sua vida (Pathé, Mullen, & Purcell, 2001).

De acordo com vários estudos, a prevalência da vitimação por cyberstalking em estudantes universitários ao longo da vida é muito diversa, variando, por exemplo, em amostras dos Estados Unidos da América com porcentagens entre os 13 % (Paullet, Rota & Swan, 2009), 40.8 % (Reyns et al., 2010), 43.3 % (Lindsay & Krysik, 2012) ou 45.6 % (Hensler-McGinnis, 2008) e em amostras portuguesas, com porcentagens entre os 22.8 % (Pires et al., 2018b), 66.1 % (Pereira, Spizberg & Matos, 2016) e 74.8 % (Carvalho, 2011). Estas investigações documentam ainda a existência de uma grande assimetria quanto à variável ‘sexo’, sendo as vítimas de cyberstalking, frequentemente, mulheres (e.g., Paullet et al., 2009; Reyns, 2010; Villacampa & Pujols, 2018; White & Carmody, 2016). Todavia, outros estudos (e.g., Alexy et al., 2005; Carvalho, 2011) apontam valores altos de vitimação para os homens. No estudo de Alexy e colaboradores (2005), 51 % dos homens relataram ter sido alvo de comportamentos de cyberstalking. No estudo de Carvalho (2011) a maior taxa de vitimação foi para os homens, com 35 % destes identificando-se como vítimas.

Segundo o Working to Halt Online Abuse (WHOA, 2011), no que se refere à idade da vítima, muito embora não tenham sido encontradas diferenças significativas entre faixas etárias, o grupo com idades entre os 18 e os 30 anos, apresentava uma maior percentagem, com 35 % de vítimas de cyberstalking. Outros estudos corroboram que as vítimas tendem a ser jovens e solteiros(as) (Carvalho, 2011; Reyns, 2010). O cyberstalkerpertence maioritariamente ao sexo masculino (Hensler-McGinnis, 2008).

Estratégias de coping (confronto) usadas pelas vítimas de cyberstalking

As estratégias de coping usadas pelas vítimas de cyberstalking podem ser diversas, desde conseguir controlar, reduzir ou atenuar os comportamentos de assédio, recuperar a sua intimidade, afastar-se, rejeitar possíveis encontros ou até mesmo confrontar o cyberstalker (Amar & Alexy, 2009; Nguyen et al., 2012; Spitzberg & Cupach, 2014). As diferentes estratégias usadas no caso do cyberstalking podem estar voltadas para a redefinição do problema (e.g., alterar as definições privadas nas redes sociais, restringindo o acesso ao perfil da pessoa nas redes sociais e à informação que esta coloca) ou consistir em respostas mais cognitivas ou comportamentais (e.g., busca de apoio e ressignificação cognitiva) (Worsley et al., 2017). Tais estratégias de confronto podem originar diferentes soluções, mais ou menos eficazes (Spitzberg & Hoobler, 2002; Tokunaga, 2007), dependente da pessoa e do contexto de ocorrências (Sani et al., 2018).

Spitzberg e Cupach (2014) relataram que as vítimas de cyberstalkingque empregam um maior número de estratégias de coping são aquelas que têm mais dificuldade de exterminar a situação, o que as expõe a um maior número de episódios. O estudo das estratégias de confronto nas vítimas de cyberstalkingpode, por isso, permitir-nos perceber de que forma as vítimas lidam com o problema, tendo em conta o tipo de vitimação, quais as estratégias que podem adotar para enfrentar o problema, quais as mais eficazes, bem como as mais eficientes na promoção do seu bem-estar (Nguyen et al., 2012; Villacampa & Pujols, 2018; Worsley et al., 2017). Com base nesta análise poderemos assim compreender o impacto do fenômeno nas vítimas e a variabilidade experiencial que possa ser encontrada em termos de consequências da vitimação (Begotti & Acquadro Maran, 2019; Sani et al., 2018).

Assim, passamos à apresentação de um estudo empírico, de caráter descritivo e exploratório, de natureza quantitativa, que teve por base dois grandes objetivos: i) avaliar a prevalência do cyberstalkingentre a população de estudantes do ensino secundário; ii) analisar quais as estratégias de coping utilizadas para lidar com o fenômeno. Em termos específicos procurou-se determinar as características sociodemográficas (e.g., idade, sexo) das vítimas de cyberstalking, se havia alguma diferença entre grupos em função de tais variáveis e perceber quais os tipos de estratégias mais usadas para lidar com este problema. Assim, procurou-se conhecer se as vítimas de cyberstalking seriam mais mulheres ou homens, assim como, verificar se as estratégias de confronto com o fenômeno estariam mais voltadas para o confronto do problema, ou se seriam mais respostas cognitivas ou comportamentais, visando o seu bem-estar.

Método

Participantes

A presente investigação foi realizada com 259 jovens estudantes portugueses do ensino secundário, com idades compreendidas entre os 16 e os 21 anos, sendo a média etária de 17.08 anos (DP=1.042) (cf. tabela 1). A amostra foi composta por jovens de ambos os sexos, designadamente por 64.1 % do sexo feminino e 35.9 % do masculino. Dos participantes, 40.2 % mantinham uma relação amorosa e 59.8 % não mantinham uma relação amorosa.

Instrumentos

Para a coleta dos dados sociodemográficos como sexo, idade, distrito de residência, ano curricular e a situação amorosa, foi criado um questionário online. Posteriormente seguiu-se com o preenchimento de dois outros instrumentos: i) a Escala de Avaliação do Cyberstalking (EAC), traduzida e adaptada para a população portuguesa por Carvalho e Matos, a partir do Cyber Obses-sional Pursuit, de autoria de Spitzberg e Hoobler (2002), a qual permite avaliar as experiências de cyberstalking (cf. Carvalho, 2011); ii) a Escala de Coping no Stalking (ECS) desenvolvida por Cupach e Spitzberg (2004) traduzida e adaptada para a população portuguesa por Carrasquinho, Sani, e Soeiro (cf. Carrasquinho, 2015) e que tem o intuito de avaliar as estratégias usadas pelo indivíduo para lidar com a ameaça resultante do cyberstalking.

A versão da EAC utilizada no estudo foi composta por 27 itens, dos quais 26 estão organizados numa escala de tipo likert de cinco pontos. Considera-se que o indivíduo avaliado terá sido vítima de cyberstalking se este tiver confirmado ter experienciado, pelo menos, um dos comportamentos de cyberstalking (Spitzberg & Hoobler, 2002). No estudo original, composto por três estudos piloto, os autores chegam a uma solução final de três fatores, os quais apresentaram valores satisfatórios de consistência interna: ‘hiperintimidade’ (α=.88), ‘transferência’ (α=.74) e ‘ameaça’ (α=.77). Na validação para Portugal, a versão fornecida aos autores foi mais extensa e composta por 27 itens, tendo o estudo (Carvalho, 2011) apurado quatro fatores, cujos valores de alfa foram: ‘transferência para a vida real’ (α=.93), ‘hiperintimidade’ (α=.89), ‘ameaça’ (α=.86) e ‘sabotagem’ (α=.78). Na presente investigação, a eac apresentou valores satisfatórios de consistência interna também para as quatro subescalas de ‘transferência para a vida real’ de .80, ‘hiperintimidade’ de .85, ‘ameaça’ de .77 e ‘sabotagem’ de .92.

Tabela 1
Características sociodemográficas da amostra (n= 259)

Características sociodemográficas da amostra (n= 259)


A ECS é um instrumento de autoavaliação que apresenta 40 estratégias de resolução de problemas de perseguição, em itens com uma escala de resposta tipo Likert de seis pontos em que os participantes indicam até que ponto eles usam a tática (Amar & Alexy, 2009; Nguyen et al., 2012). Na versão original, tais estratégias foram conceituadas originalmente em cinco categorias gerais (Björklund et al., 2010; Cupach & Spitzberg, 2004), com valores satisfatórios de consistência interna: “mover-se para dentro” (α=.91), “mover-se para fora”(α=.77),“afastar-se”(α=.88), “mover-se em direção a ou com”(α=.92) e “mover-se contra”(α=.87) (Nguyen et al., 2012). A pontuação é calculada pela soma dos itens de cada subescala como forma de apurar a frequência com que a vítima recorreu a cada tipo de estratégia.

No processo de adaptação e validação português (cf. Carrasquinho, 2015), apuraram-se as cinco categorias (internamente consistentes), embora com outras designações, nomeadamente “negação e minimização de comportamentos” (α=.81), “procura de apoio junto de terceiros” (α=.72), “confronto” (α=.74), “evitar contatos” (=.91) e “negociar com o stalker” (α=.83)

Na presente investigação, a ECS apresentou um alfa de Cronbach geral de .93. Para as suas subescalas, a “negação e minimização de comportamentos” obteve um valor de .80, a “procura de apoio junto de terceiros” um valor de .72, o “confronto” um valor de .79, o “evitar contatos” um valor de .90 e o “negociar com o stalker” um valor de .84.

Procedimentos

O estudo obteve parecer positivo da Comissão de Ética da Universidade, assim como autorização da Direção-Geral da Educação (DGE), através do sistema de Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar (MIME), que determinou a articulação com as direções executivas das escolas secundárias, às quais foi solicitada permissão para a disponibilização do link do questionário em computador da respectiva escola. A este link acediam, de forma anônima e confidencial, os estudantes que tivessem interesse em participar do estudo, sendo que no caso de serem menores de 18 anos além do seu consentimento, os mesmos teriam de ter ainda a autorização de seus responsáveis legais.

Antes de quaisquer preenchimentos dos instrumentos, disponibilizados através do Google Docs, o participante tomava conhecimento das condições de participação, dos objetivos, métodos implicados e, somente após o assentimento informado, poderia prosseguir para o preenchimento das medidas. Os instrumentos foram apresentados na seguinte ordem: primeiro o questionário sociodemográfico, depois a eac, na qual era colocada no fim uma questão (“Alguma vez foi alvo de comportamentos de assédio persistente com o recurso de meios eletrônicos?”), cuja resposta, se positiva, abriria a possibilidade de preenchimento da ECS. Os questionários eram de autorrelato e o tempo total médio de preenchimento foi de aproximadamente 10 minutos.

Os dados reunidos em Excel foram transpostos para o programa informático Statistical Package for Social Sciences (IBM SPSS, versão 25.0), sendo realizadas análises estatísticas (descritivas, inferenciais) com o objetivo de responder as questões anteriormente apresentadas.

Resultados

Prevalência da vitimação por cyberstalking

Os resultados revelaram que não há um comportamento de cyberstalking específico que afete a maioria da amostra, no entanto, há comportamentos que foram experienciados por quase metade dos participantes (tabela 2). O comportamento “Enviar objetos de afeto” (e.g., presentes) foi experienciado por 47.1 % da amostra, dos quais 16.6 % experienciou mais de cinco vezes este tipo de comportamento. Outro item mais apontado pelos estudantes do ensino secundário foi “Enviar mensagens exageradas de afeto”, com 39.7 % da amostra tendo sido alvo deste comportamento, dos quais 13.1 % mais do que cinco vezes. O item “Enviar mensagens excessivamente carentes ou exigentes” surge como o terceiro comportamento que mais vítimas experienciam, em 39.4% dos casos, nos quais 11.2% por mais do que cinco vezes. Os três comportamentos com maior prevalência são demonstrações impróprias de afeto, de caráter obsessivo (hiperintimidade), assumindo por vezes um caráter excessivo, contínuo e recorrente por parte do cyberstalker.

Tabela 2
Percentagem de respostas à Escala de Avaliação de Cyberstalking (EAC), item e categoria (n=259)

Percentagem de respostas à Escala de Avaliação de Cyberstalking (EAC), item e categoria (n=259)


Para além dos comportamentos de cyberstalking mais frequentes, surgem outros com recurso a outras estratégias, como é o caso do “envio de mensagens excessivamente reveladoras” (30.5 %) e o “constantemente monitorar, marcar ou enviar presentes para a sua rede social” (25.5 %), itens que correspondem à subescala “hiperintimidade”. Para além daqueles itens, a interferência negativa num relacionamento em curso pelo stalker, traduzida na resposta ao item “sabotar a sua relação” (24.7 %), ou outros itens como “fingir ser alguém que não é” (21.2 %) ou “enviar mensagens ou imagens pornográficas/ obscenas” (20.1 %), constituem outros comportamentos assinalados pelas vítimas.

Podemos ainda verificar que os comportamentos com menor frequência pressupunham formas mais elaboradas de assédio, como o “colocar escutas no seu carro, casa, escritório” (1.6 %) e “enviar fotografias ou imagens ameaçadoras” (4.2 %), cujos itens se incluem na subescala “sabotagem”. Porém, também se verificaram comportamentos associados à passagem dos contatos do mundo virtual para a vida real (subescala “transferência para a vida real”) como estava exposto pelos itens “conhecê-lo (a) primeiro online e depois feri-lo (a)” (2.0 %), “conhecê-lo (a) primeiro online e depois ameaçalo (a)” (2.4 %), “conhecê-lo (a) primeiro online e depois persegui-lo (a) (3.1 %), e “conhecê-lo (a) primeiro online e depois segui-lo (a)” (5.3 %).

Tendo em conta os vários tipos de comportamentos foi possível verificar uma baixa incidência dos mesmos. Constatou-se ainda que a maioria das condutas de cyberstalking de que os estudantes portugueses do ensino secundário eram alvo correspondiam aos comportamentos de hiperintimidade, com uma média ponderada de 0.84 (tabela 3).

Seguem-se os comportamentos de sabotagem como o segundo tipo de comportamentos de cyberstalking que os estudantes mais experienciam, ao registar uma média ponderada de 0.37, e, posteriormente, as categorias de ameaça e transferência para a vida real com médias ponderadas de 0.31 e 0.10, respectivamente.

A questão “alguma vez foi alvo de comportamentos de assédio persistente com recurso a meios eletrônicos?”, os resultados apontaram para valores percentuais de ‘Não’ de 74.5 % (n=193) e de ‘Sim’ de 25.5 % (n=66). Tendo em conta os resultados obtidos, apenas um quarto dos estudantes reconheceram ser vítimas de cyberstalking, algo que fixa essa percentagem com a taxa de prevalência autorrelatada.

Tabela 3
Média ponderada da frequência das subescalas da Escala de Avaliação de Cyberstalking

Média ponderada da frequência das subescalas da Escala de Avaliação de Cyberstalking


A taxa de prevalência real (experiência de pelo menos um comportamento de cyberstalking) foi de 68.0 %. Apenas 32.0 % dos indivíduos pontuaram zero na eac. Os resultados indicaram assim uma discrepância entre a prevalência real e a prevalência autorrelatada.

Ainda ao nível do primeiro objetivo e quanto às características da vítima de cyberstalking, apenas o grupo de comportamentos designados no fator ‘Ameaça’ apresentou valores com significância estatística (p < .01) através do Teste T de Student. Os valores encontrados revelaram diferenças entre os sexos (t = -.885; g.l.= 130.13; p = .003). O sexo feminino, em média, é alvo de menos comportamentos de ameaça (M = 1.66, DP = 4.27) do que o sexo masculino (M = 2.13, DP = 4.46). Para a variável idade não foram encontradas diferenças significativas para as subescalas de EAC.

Estratégias de coping das vítimas de cyberstalking

Dos 259 participantes neste estudo, 25.5 % (n=66) identificaram-se como vítimas de cyberstalking, tendo nessa sequência, preenchido a Escala de Coping no Stalking (ECS).

Os resultados (tabela 4) mostraram que a estratégia de coping mais utilizada por 77.2 % das vítimas consistia em “minimizar o problema na sua própria mente”. Destes 22.7 % utilizaram a estratégia uma vez e igual percentagem de estudantes utilizaram-na de duas a três vezes. A estratégia “ignorar o problema” surgiu em segundo lugar e foi usada por 71.2 % das vítimas, das quais 21.2 % usaram-na uma vez e 24.2 % usaram-na de duas a três vezes. Note-se que ambas as estratégias caracterizam itens que se inscrevem na subescala “negação e minimização de comportamentos”.

Outras estratégias de confronto, também muito usadas pelas vítimas, passaram por “distanciar-se” (59.1 %), “ignorar os comportamentos da pessoa” (51.5 %) e “agir com cautela” (43.9 %) (todos itens da subescala “Evitar contatos”), assim como “procurar um significado no geral” (40.9 %) para o que estava passando (item que igualmente se inscreve na subescala “Negação e minimização de comportamentos”). Por outro lado, as estratégias menos usadas pelas vítimas foram “iniciar um processo na justiça” (7.6 %), “manter um processo na justiça” (7.6 %) ou “procurar a aplicação da justiça/lei” (9.1 %), “procurar ajuda independente/privada” (10.6 %), itens que integram, respectivamente, as subescalas “Confronto” ou “Procura de apoio junto de terceiros”.

Como podemos verificar (tabela 4), as estratégias de coping mais recorrentes foram as que envolviam a negação e minimização dos comportamentos do stalker, com as vítimas registrando uma média ponderada de .92. As estratégias seguintes mais utilizadas foram as que envolviam evitar contatos com o stalker, com média ponderada de .78.

Como estratégias menos utilizadas surgiram a procura de apoio junto de terceiros, com média ponderada de .40, negociar com o stalker .30 e, por último, confrontar o stalker, com média ponderada de .26.

Estes resultados apontaram para uma tendência de uso de estratégias adequadas (e.g., evitar contatos) e inadequadas (e.g., negar e minimizar os comportamentos) para lidar com o cyberstalking.

Discussão

Os resultados deste estudo permitiram-nos avaliar as características específicas do cyberstalking, através da análise dos tipos de comportamentos praticados e suas frequências, bem como conhecer as respostas que as vítimas davam para enfrentar a vitimação, considerando termos atingido os dois grandes objetivos definidos para este estudo.

As condutas de cyberstalking com maior incidência caracterizavam-se por comportamentos de hiperintimidade, demonstrando que este fenômeno é uma forma de violência que se traduz frequentemente num assédio persistente com vista ao estabelecimento de uma relação de intimidade indesejada. As vítimas são alvos de vários tipos de comportamento, sendo os mais frequentes algumas condutas aparentemente minimizadas como violentas, por parecerem aparentemente sedutoras e inofensivas, como o envio de mensagens ou de objetos de afeto (e.g., presentes). De acordo com Spitzberg e Cupach (2003; 2007) estes comportamentos dizem respeito a atos de cortejamento, que pelo seu caráter obsessivo são percebidos como impróprios pelas vítimas, até porque visam um maior nível de intimidade do que aquele que existe na realidade. Contudo, nem sempre o cyberstalker reúne mecanismos que lhe permitam lidar com uma rejeição, podendo surgir, nestes casos, sentimentos de retaliação e vingança que o levam a adotar outras estratégias.

Tabela 4
Percentagem de respostas à Escala de Coping no Stalking (ECS), por item e categoria (n=66)

Percentagem de respostas à Escala de Coping no Stalking (ECS), por item e categoria (n=66)


Para além desta tipologia de comportamentos, o segundo grupo revelado como mais frequente foi o da tipologia de ‘sabotagem’ (e.g., “sabotar a sua relação”; “sabotar a sua relação na escola/ trabalho”), com o intuito de aumentar a disponibilidade da vítima para uma relação futura ou tentar descredibilizar o seu trabalho ou a sua pessoa.

Os comportamentos dos dois grupos supramencionados tendem a gerar um impacto menor na vítima, comparativamente aos exibidos nas tipologias ‘ameaça’ e ‘transferência para a vida real’, que causam um maior impacto (Spitzberg & Hoobler, 2002). Neste estudo, os comportamentos categorizados nestas duas últimas categorias tiveram uma percentagem de frequência baixa. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que o cyberstalker tem como motivação principal a obtenção de uma relação de intimidade com a vítima (McFarlane & Bocij, 2003).

Na categoria ameaça, destacou-se o item “fingir ser alguém que não é” (21.2 %), estratégia muito utilizada, sobretudo, por quem pretende manter a sua identidade anônima, para desta forma ganhar inicialmente a confiança da vítima para, posteriormente, poder executar as condutas hostis (Tavani & Grodzinsky, 2002).

Os comportamentos da categoria ‘transferência para a vida real’ foram menos frequentes, o que indica um menor nível de risco experienciado, entretanto ainda existentes, o que revela a possibilidade de coocorrência de stalking e do cyberstalking (Alexy et al., 2005; Pires et al., 2018b; Sheridan & Grant, 2007), ou seja, o processo de vitimação por perseguição decorrer de estratégias online e offline.

A comparação dos resultados obtidos entre a taxa de prevalência autorrelatada e a prevalência real (25.5 % e 68.0 %, respectivamente) pode significar dificuldades da vítima em reconhecer o problema, a identificação de comportamentos de assédio, embora sem admissão de que se é vítima e a tendência para ignorar, minimizar ou não saber ao certo como lidar com o problema (Spitzberg & Cupach, 2014). Isso pode refletir a natureza romantizada do problema pelos jovens, a ideia de que o mesmo pode não existir ou que não é grave, o que pode, nesse caso haver vitimação, dificultar no reconhecimento do risco associado a alguns dos comportamentos, por ausência inicial de desconforto experienciado.

Spitzberg e Hoobler (2002) referem a possibilidade de identificação de uma vítima de cyberstalking apenas pela experienciação de um comportamento. Porém, a existência de um evento isolado, assim definido pela não reiteração do assédio ou acentuação do problema por inexistência de outros comportamentos, pode não favorecer o eventual autorreconhecimento como vítima de perseguição.

Relativamente à estatística inferencial, foram apenas encontradas diferenças significativas para a variável sexo para os comportamentos de ameaça, com os homens sendo o alvo mais frequente destes comportamentos, em comparação com as mulheres. Embora tenham sido feitas as análises para as demais variáveis, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas, o que vem alertar-nos para o fato do cyberstalking ser um fenômeno mais transversal em termos de idade, sexo e localização geográfica, do que outras formas de vitimação em jovens. O que pode significar que as vítimas de cyberstalking podem sê-lo em qualquer período da sua vida (Pathé et al., 2001).

As vítimas de cyberstalking deste estudo, usavam com maior frequência, estratégias de coping que lhes permitiam negar/minimizar os comportamentos do agressor, assim como evitar contatos com o mesmo, tal como sugerido em algumas investigações (Hensler-McGinnis, 2008; Tokunaga, 2007). Na subescala negação e minimização do problema sobressaiu a estratégia em que a vítima procurava atribuir um significado no geral (43.9 %). No entanto, esta estratégia de coping poderá constituir um problema para a vítima, pois permitirá ao cyberstalkerdar continuidade ao assédio (Matos et al., 2011; Spitzberg & Cupach, 2001). Isto mostra que as vítimas utilizam estratégias, que embora possam ser inadequadas, são percebidas como adequadas, o que significa que nem sempre as melhores opções sejam as mais eficazes.

Relativamente à subescala ‘confronto’, a maior prevalência foi para o uso de respostas protetivas eletrônicas (28.8 %). De acordo com Tokunaga (2007), a estratégia das vítimas de mudar de e-mail pode constituir uma boa resposta protetiva com eficácia na redução do assédio, contrariamente a estratégias que visem a negociação com o stalker, como diminuir a seriedade da situação que atingiu o valor de 27.3 %.

Entre as estratégias que evocam assertividade, mas podem antecipar resultados mais eficazes estão os comportamentos, que embora usados de modo pouco frequente, podem contrariar o impacto negativo da vitimação. Ao nível da subescala ‘procura de apoio junto de terceiros’. A estratégia com maior frequência foi a procura de compaixão dos outros e de suporte social, ambas com 33.3 %. A utilização destas estratégias demonstra, assim, uma preocupação em gerir também os estados afetivos e cognitivos, orientando-se algumas das vítimas para o uso de respostas mais cognitivas ou comportamentais (Villacampa & Pujols, 2018; Worsley et al., 2017). Assim, para lidar com o assédio persistente, a vítima pode recorrer à ajuda de familiares, amigos e/ou conhecidos, bem como recorrer a instituições de apoio, com o propósito de obter apoio emocional e aconselhamento, para que possa ter estabilidade e segurança (Cupach & Spitzberg, 2004; 2008; Fissel, 2018; Spitzberg & Cupach, 2001). As vítimas poderiam ainda optar por denunciar o caso às autoridades (Hensler-McGinnis, 2008), sobretudo em casos de ofensas mais graves (Fissel, 2018), porém esta estratégia, neste estudo, foi menos usada pelos participantes. Este não reconhecimento dos comportamentos associados ao cyberstalking e a reduzida procura de apoio por parte das vítimas traz também alguns efeitos, nomeadamente ao nível da prática dos profissionais e da adequação dos serviços de apoio (Dhillon & Smith, 2017; Grangeia & Matos, 2011; Matos et al., 2011). Um outro aspecto a considerar poderia ser o fato de que, embora em Portugal tenha havido em 2015 uma criminalização do fenômeno como crime de perseguição (artigo 154º), exista ainda algum desconhecimento quanto à sua tipificação legal.

Conclusão

O cyberstalking é um fenômeno recente, complexo, inovador e distinto de outras formas de vitimação, todavia não é substancialmente diferente do stalking convencional, consistindo ambos em formas de assédio persistente (online e offline), que, por vezes, se complementam para o ofensor aumentar a proximidade à vítima.

O estudo realizado mostrou que a prevalência do cyberstalking na amostra dos estudantes do ensino secundário corresponde a uma taxa de 68.0 %, ainda que 25.5 % tenha autorrelatado a vitimação. Os comportamentos mais experienciados pelas vítimas foram os comportamentos de hiperintimidade, seguidos dos comportamentos de sabotagem e de ameaça. Foi ainda possível perceber que as vítimas de cyberstalking usam com maior frequência, estratégias de coping que lhes permitem negar/minimizar os comportamentos do stalker, assim como evitar contactos com o mesmo, recorrendo com menor frequência, a respostas que visem estratégias de coping assertivas, como a procura de apoio junto de terceiros, a procura da aplicação da lei/justiça e a procura de ajuda. Os resultados mostraram que os homens são alvo de comportamentos de ameaça mais frequentemente do que as mulheres.

No presente estudo existiram aspectos que gostaríamos de ter conseguido contrariar e que evidenciaram algumas das limitações da investigação. Entre estas, gostaríamos de ter uma amostra maior e mais representativa da população alvo, para uma possível generalização dos resultados. Pretendíamos analisar a prevalência de cyberstalking numa amostra portuguesa representativa, todavia embora a internet permita uma divulgação prática do estudo, não tivemos a representação de todos os distritos de Portugal. A realização deste tipo de estudo exige a autorização de várias entidades e de múltiplos consentimentos e o tempo que se demora nessa concretização cria também limitações no melhor período para a coleta de dados. As escolas poderiam apoiar uma maior participação dos seus diretores na divulgação do estudo, o que auxiliaria muito a obtenção de mais participantes. No entanto, a investigação foi concretizada e finalizada, para podermos refletir sobre um fenômeno emergente na literatura científica em vitimologia.

Com os resultados obtidos podemos refletir também sobre a necessidade da realização de ações de informação/sensibilização sobre o tema dirigidas à comunidade jovem, no sentido de alertar consciências para este problema social, informar acerca das especificidades do fenômeno, assim como, divulgar estratégias de prevenção de ocorrências futuras, pois somente com o conhecimento profundo de um fenômeno é possível consciencializar a população para o seu impacto a nível pessoal e social. Para investigações futuras, seria pertinente avaliar junto dos estudantes do ensino secundário o impacto que o cyberstalking teve nas suas vidas e quais as características da personalidade dos envolvidos.

Agradecimentos

Este trabalho é apoiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto do CIEC (Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho) com a referência UID/ CED/00317/2019.

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Autor notes

a Dirigir correspondencia a Ana Isabel Sani: Professora associada da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal; Investigadora integrada externa do Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC), Univerisdade do Minho, Braga, Portugal. Correio eletrônico: anasani@ufp.edu

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