Avances en Psicología Latinoamericana
ISSN:1794-4724 | eISSN:2145-4515

Recursos pessoais e contextuais preditores de afetos positivo e negativo em adolescentes

Recursos personales y contextuales predictores de afectos positivo y negativo en adolescentes

Personal and Contextual Assets Predictors of Positive Affect and Negative Affect in Adolescents

Ana Sofia Barros Soares, José Luís Pais-Ribeiro, Isabel Maria Lopes Silva

Recursos pessoais e contextuais preditores de afetos positivo e negativo em adolescentes

Avances en Psicología Latinoamericana, vol. 38, núm. 1, 2020

Universidad del Rosario

Ana Sofia Barros Soares 1

Universidade do Porto, Portugal


José Luís Pais-Ribeiro

Universidade do Porto, Portugal


Isabel Maria Lopes Silva

Universidade Fernando Pessoa, Portugal


Recepção: 06 Março 2019

Aprovação: 07 Setembro 2019

Resumen: Este estudio tuvo como objetivo explorar la relación entre la experiencia de recursos del desarrollo — Developmental Assets® — personales y contextuales y los afectos positivo y negativo. Fue evaluada una muestra de conveniencia constituida por 503 estudiantes, entre los años escolares 9° y 12°, con edades comprendidas entre los 13 y los 19 años (M = 15,92; dp = 1,17), mayoritariamente del género femenino (63 %). Los resultados indican que los adolescentes que experimentan un mayor número de recursos tienden a revelar una experiencia superior de afecto positivo e inferior de afecto negativo. Los datos sugieren el impacto de los subconjuntos de recursos del desarrollo en la predicción de los afectos positivo y negativo (explicando el 30 y el 31 % de varianza en los resultados, respectivamente). Ambos recursos, internos y externos, contribuyeron con la varianza de los resultados, y constituyeron los recursos internos predictores más fuertes. Se sugiere la utilidad del modelo de recursos de desarrollo para comprender la experiencia de afecto positivo y afecto negativo en la adolescencia, con el propósito de promover un desarrollo exitoso.

Palabras clave afecto positivo, afecto negativo, recursos del desarrollo, adolescentes.

Resumo: Este estudo teve como objetivo explorar a relação entre a experiência de recursos do desenvolvimento – “developmental assets®” – pessoais e contextuais, e os afetos positivo e negativo. Foi avaliada uma amostra de conveniência constituída por 503 estudantes, entre o 9º e o 12º ano, com idades compreendidas entre os 13 e 19 anos (M = 15,92; dp = 1,17), maioritariamente do gênero feminino (6 %). Os resultados indicam que os adolescentes que experimentam um maior número de Recursos tendem a revelar uma experiência superior de Afeto Positivo e inferior de Afeto Negativo. Os dados sugerem o impacto de subconjuntos de recursos do desenvolvimento na predição dos afetos positivo e negativo (explicando 3 % e 31 % da variância nos resultados, respectivamente): ambos os Recursos Internos e Externos contribuíram para a variância nos resultados, constituindo os Recursos Internos preditores mais fortes. Sugere-se a utilidade do modelo de recursos de desenvolvimento para a compreensão de experiência de afeto positivo e afeto negativo na adolescência, com o propósito de promoção de um desenvolvimento bem-sucedido.

Palavras-chave: afeto positivo, afeto negativo, recursos do desenvolvimento, adolescentes.

Abstract: The purpose of this research was to explore the relationship between the experience of personal and ecological Developmental Assets® and positive and negative affect. A convenience sample of 503 Portuguese students was evaluated, mean age of 15.92 years (sd = 1.17), 63 % female gender. Results indicate that adolescents who experience a greater number of assets tend to reveal a superior experience of positive affect and an inferior of negative affect. Data suggest the impact of subsets of Development Assets® on the prediction of positive and negative affect (explaining 30 and 31 % of the variance, respectively): both internal and external assets contributed to the variance in results, internal ones constitute stronger predictors. Present findings suggest the utility of the Developmental Assets® framework in order to understand the experience of positive and negative affect in adolescence, focusing on promoting a successful development.

Keywords: Positive affect, negative affect, developmental assets, adolescents.

Entre os componentes que constituem o bemestar subjetivo, considerado um conceito amplo e multidimensional que inclui as dimensões afetiva e cognitiva, o afeto constitui um construto distinto, consistindo no componente emocional do bem-estar subjetivo (Diener et al., 2017; Diener, Lucas, & Oishi, 2018; Diener, Oishi, & Tay, 2018a; 2018b). Isto é, a avaliação que a pessoa faz sobre a sua própria vida pode assumir a forma de afeto, na medida em que a pessoa expressa sentimentos positivos ou negativos sobre a sua vida, assim como pode constituir uma cognição, na medida em que a pessoa realiza juízos racionais de avaliação da sua vida como um todo ou mesmo em aspetos específicos (Diener et al., 2018b).

A investigação com foco na estrutura do afeto indica dois fatores gerais de humor, o afeto positivo e o afeto negativo, como duas dimensões dominantes e relativamente independentes que descrevem a experiência afetiva da pessoa (Diener et al., 2018; Diener et al., 2018b; Watson, Clark, & Tellegen, 1988; Watson, & Tellegen, 1985). Embora os termos afeto positivo e afeto negativo possam sugerir estes dois fatores de humor como opostos, isto é, polos opostos de uma mesma dimensão, estes, emergem como dimensões distintas que podem ser representadas como dimensões ortogonais. Ambos os fatores representam dimensões do estado afetivo – isto é, flutuações transitórias no humor (Watson et al., 1988), e refletem, para além do estado afetivo, o humor ou o afeto, traço dos indivíduos (Watson, & Clark, 1984; 1997). O afeto positivo consiste numa dimensão geral de bem-estar subjetivo que reflete a medida em que a pessoa se sente entusiasmada, ativa e alerta, incluindo emoções como inspiração e determinação, enquanto que, por sua vez, o afeto negativo consiste numa dimensão geral de distress subjetivo e inclui estados de humor negativos tais como ansiedade, medo, hostilidade, desprezo e repulsa (Diener et al., 2010; Watson, & Tellegen, 1985).

Os afetos positivo e negativo indicam funções distintas e complementares (Diener et al., 2018; Diener et al., 2018b; Galinha, & Pais-Ribeiro, 2005), sugerindo-se que elevado afeto positivo está associado à ampliação de pensamentos e ações, favorecendo a construção de recursos pessoais a longo prazo e otimização de resultados em saúde. Enquanto que um elevado afeto negativo, se encontra associado à restrição e foco de pensamentos e ações (Fredrickson, 2004; 2013; Fredrickson, & Joiner, 2018).

Fredrickson (2004; 2013) e Fredrickson e Joiner (2018) explicam, através da broaden-and--build theory, que as emoções positivas expandem a consciência, permitindo temporariamente que os indivíduos assimilem mais informações contextuais ao seu redor do que durante estados neutros ou negativos, denominado broaden effect

– efeito ampliado. Além disso, a investigação sugere que as emoções positivas constroem recursos pessoais, o denominado build effect – efeito de construção. Isto é, as mudanças ascendentes autogeradas nas emoções positivas que os indivíduos produzem, por sua vez, aumentam os seus recursos pessoais, incluindo recursos cognitivos (ex., trait mindfulness), psicológicos (ex., domínio ambiental), sociais (ex., relações positivas com outros) e recursos físicos (exe., sintomas de doença reduzidos).

A investigação com foco no bem-estar subjetivo tende a adotar uma abordagem integrativa, isto é, com foco na contribuição dinâmica de fatores pessoais e contextuais sobre resultados de bem-estar subjetivo. A investigação indica que circunstâncias externas, assim como características pessoais, têm impacto sobre o bem-estar subjetivo (Diener et al., 2018). Neste sentido, procura superar dicotomias e delimitações reducionistas com a adoção de modelos bottom up (influência das circunstâncias externas da vida na experiência subjetiva dos indivíduos) e top down (variáveis intrapessoais determinantes do bem-estar subjetivo) (Brief, Butcher, George, & Link, 1993). Observa-se uma tendência de integrar várias linhas de investigação em modelos holísticos com o propósito de compreender a interação dinâmica entre diversos fatores no bem-estar subjetivo. Diener et al. (2018) explicam que a combinação de fatores internos e externos provavelmente produzirá insights que vão além de qualquer abordagem adotada isoladamente.

Salienta-se neste contexto a pertinência do modelo de recursos do desenvolvimento, conhecido como developmental assets®, proposto pelo Search Institute (Benson, 2006), pela atenção que presta a estes fatores que beneficiam o desenvolvimento ótimo dos adolescentes. Com foco em forças, recursos e experiências positivas dos adolescentes e seus contextos, sugeridos como importantes para todos os adolescentes durante a segunda década da vida (Benson, Scales, & Syvertsen, 2011), a “década adolescente” (Lerner, & Steinberg, 2009, p.7).

Este modelo identifica relações, oportunidades e qualidades pessoais que podem ser exploradas tanto a nível individual, quanto contextual (por exemplo, familiar, escolar, comunitário), de modo a propiciar aos adolescentes um desenvolvimento positivo (Benson et al., 2011; Scales, & Leffert, 2004). O modelo surge no âmbito da Perspetiva do Desenvolvimento Positivo na Adolescência, assente nos pressupostos das Teorias Sistêmicas do Desenvolvimento e fundamenta-se teoricamente na associação de características ecológicas positivas (Recursos Externos) a competências, capacidades e valores (Recursos Internos), assumindo que estes Recursos constituem “Blocos de Construção” “Building Blocks” – dinamicamente interligados (Benson, Scales, Hamilton, & Sesma et al, 2006, p. 906) que, em combinação, previnem comportamentos comprometedores de saúde (Benson, & Scales, 2009) e reforçam um desenvolvimento bem-sucedido (Benson et al., 2006; Scales, Benson, Roehlkepartain, Sesma, & van Dulmen, et al. 2006).

Este modelo identifica 40 recursos individuais, conceitualmente agrupados em duas dimensões, que compreendem 20 recursos externos e 20 recursos internos, constituindo tanto uma estrutura teórica como um modelo de pesquisa aplicada. Os recursos externos referem-se às características do ambiente promotoras de saúde, isto é, experiências, relações, suporte e oportunidades proporcionadas por pessoas na família, escola, comunidade ou pares. Compreendem quatro categorias: Suporte, Empowerment, Limites e Expectativas, e Uso Construtivo do Tempo. Por sua vez, os recursos internos consistem em crenças, valores e competências e autoperceções que os adolescentes desenvolvem gradualmente ao longo do tempo, em resultado de inúmeras experiências. O crescimento destes recursos constitui um processo idiossincrático de autorregulação. Incluem também quatro categorias: Compromisso Com a Aprendizagem, Valores Positivos, Competências Sociais, e Identidade Positiva. Na tabela 1 apresentamos de forma sumária o modelo (para uma análise aprofundada, consultar Benson, 2006; Benson et al., 2006; Benson et al. 2011; Scales, & Leffert, 2004; Soares, Pais-Ribeiro, & Silva, 2018a; 2018b).

O pressuposto central na teoria subjacente ao modelo é colocado como “the more assets, the better” (Benson, 2007, p. 38). Isto é, refere-se à abordagem de construção de recursos, a qual sugere que quanto maior o número de experiências positivas o adolescente revelar, maior a probabilidade de apresentar um desenvolvimento bem-sucedido (Benson et al., 2006; Benson et al., 2011). Fundamentado assim pelas teorias sistémicas do desenvolvimento, que propõem uma abordagem integrada na compreensão do desenvolvimento (Lerner, & Steinberg, 2009; Overton, 2013; Overton, & Müller, 2012). A potencial plasticidade ontogenética é central ao modelo de recursos, que reconhece a existência de relações de interdependência recíproca entre os níveis biológico, individual e contextual de organização. O reconhecimento de que a regulação do desenvolvimento envolve relações indivíduo←→contexto mutuamente influentes entre todos os níveis, presume que o sistema de desenvolvimento é caracterizado por um potencial de mudança sistemática, isto é, pela plasticidade e diversidade. Tal caracterização pressupõe que o desenvolvimento humano positivo pode ser promovido através da articulação das características dos indivíduos e das ecologias, o que constitui, de acordo com o modelo de recursos, “a fusão de recursos externos (isto é, ecológicos) e recursos internos” (Benson, 2007, p. 38). Deste modo, sugere-se que o desenvolvimento bem-sucedido está dinamicamente relacionado com a presença/ experiência, de um complemento total de recursos externos e internos (Benson et al., 2011).

A investigação com foco numa abordagem integrativa sugere que fatores pessoais e contextuais têm impacto sobre o bem-estar subjetivo (Diener et al., 2017; Diener et al., 2018; Diener et al., 2018a; 2018b). Deste modo, com o propósito de compreender a interação dinâmica entre características pessoais e contextuais sobre resultados de bem-estar subjetivo, salienta-se a pertinência do modelo de recursos do desenvolvimento, e a relevância de explorar a relação entre a experiência de recursos internos e externos e a experiência de afeto positivo e de afeto negativo dadas as implicações para a compreensão de um desenvolvimento positivo na adolescência.

O objetivo do presente estudo consiste em explorar a relação entre a experiência de recursos do desenvolvimento e afeto positivo e afeto negativo, analisando especificamente quais os recursos internos e recursos externos compreendidos pelo modelo que se constituem como preditores, tanto de afeto positivo como de afeto negativo em adolescentes portugueses.

Tabela 1.
Modelo de Recursos do Desenvolvimento – Developmental Assets®
Modelo de Recursos do Desenvolvimento – Developmental Assets®

Nota:Copyright © 2012, Search Institute, Minneapolis, MN; 800-888-7828; www.search-institute.org. All rights reserved. Do not reproduce.


Método

Participantes

Foi avaliada uma amostra de conveniência constituída por 503 estudantes que frequentavam o sistema de ensino entre o 9º e o 12º ano de escolaridade de uma escola pública da região Norte de Portugal, com idades compreendidas entre os 13 e 19 anos (M = 15,92; DP = 1,17), maioritariamente do gênero feminino (63 %).

Material

Afeto positivo e afeto negativo

A avaliação foi realizada por meio da utilização da escala Positive and Negative Affect Schedule (panas), desenvolvida por Watson et al. (1988) e validada para Portugal por Galinha e Pais-Ribeiro (2005). Esta escala consiste em 20 emoções que representam as categorias de emoções de afeto positivo e afeto negativo. Os participantes respondem à pergunta “Em que intensidade você sentiu cada uma dessas emoções durante as últimas semanas?”, com cinco opções de resposta que variavam de 1=Nada ou muito ligeiramente a 5= Extremamente. Pontuações mais elevadas indicam maior experiência das emoções. No presente estudo os resultados da análise de consistência interna da escala, apresentaram valores considerados aceitáveis (Cronbach, 1951): afeto positivo α = 0,87; afeto negativo α = 0,86.

Recursos do desenvolvimento

Perfis da vida de estudante: atitudes e comportamentos (a&b) Questionário desenvolvido pelo Search Institute – profile of student life: Attitudes and behaviors ® (a&b) (Benson, Leffert, Scales, & Blyth et al, 1998; Leffert et al., 1998; Search Institute, 2018) e validado para português-europeu por Soares et al. (2018b). A avaliação da experiência dos 40 recursos individuais compreende 92 itens, que consistem, em sua maioria, de afirmações, para as quais são apresentadas opções de resposta numa escala tipo Likert de cinco posições que variam entre, por exemplo, 1 = concordo muito e 5 = discordo muito; 1 = nada importante e 5 = extremamente importante; 1 = não sou nada assim e 5 = sou muito assim.

Existem duas abordagens para descrever a experiência de recursos: 1) Os dados podem ser analisados assumindo-se que se trata de uma escala do tipo Likert, sendo que o valor obtido em cada um dos recursos é interpretado da seguinte forma: quanto mais elevada a pontuação, maior a experiência do recurso; 2) Por sua vez, para fins de comunicação, a pontuação de cada recurso pode ser utilizada como variável dicotômica, isto é, o adolescente tem, ou não tem, o recurso. Desta pontuação de cada um dos 40 recursos resulta um índice em que a pontuação varia entre 0-40 recursos, o qual descreve o número médio de recursos que cada adolescente possui. Esta abordagem proporciona ainda a análise do conceito de níveis de recursos, o qual reflete o continuum mais amplo de desenvolvimento saudável e define quatro níveis, com base no índice de recursos que o adolescente experimenta, representando um continuum de desenvolvimento de “at-risk” a “optimal”, assim como o axioma de construção de recursos “the more assets, the better”: Nível 1 at-risk development: 0 a 10 recursos; Nível 2 vulnerable development: 11 a 20 recursos; Nível 3 adequate development: 21 a 30 recursos; e nível 4 optimal development: 31 a 40 recursos (Benson et al., 1998; Leffert et al., 1998).

A versão portuguesa do questionário a&b possui características de validade similares às da versão original (Soares et al., 2018b). Vinte e um dos 40 recursos são medidos por pelo menos 3 itens, a maioria apresenta valores de consistência interna considerados aceitáveis, variando de 0,60 a 0,80 (Cronbach, 1951). Treze recursos são medidos utilizando-se itens individuais, pelo qual tal avaliação não se aplica. Análise de consistência interna de categorias: Suporte α = 0,81; Empowerment α = 0,76; Limites e Expectativas α = 0,65; Uso Construtivo do Tempo α = 0,39 (categoria multidimensional); Compromisso Com a Aprendizagem α = 0,67; Valores Positivos α = 0,78; Competências Sociais α = 0,72; Identidade Positiva α = 0,83. Análise de dimensões: recursos externos α = 0,84; recursos internos α = 0,84 (Soares et al., 2018b).

Procedimento de coleta de dados

A aprovação para a realização desta pesquisa foi concedida pela Direção Geral de Educação. Este estudo foi realizado de acordo com os princípios éticos e deontológicos defendidos pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (2016). A Comissão Nacional de Proteção de Dados confirmou o anonimato dos participantes na coleta de dados, dando o seu parecer favorável. Foram solicitadas autorizações para a coleta de dados ao Conselho Geral e Diretor do Agrupamento de Escolas, e aos Professores. Os Pais/responsáveis legais de todos os alunos que participaram do estudo assinaram o termo de consentimento livre e foram informados sobre os procedimentos para a coleta de dados, uso e publicação dos resultados. A coleta de dados foi realizada anonimamente no contexto de sala de aula com instruções padronizadas. Este estudo assegurou o anonimato e a confidencialidade dos dados e sua utilização exclusiva para fins de investigação.

Procedimento de análise de dados

Com o objetivo de analisar a experiência de afeto positivo e de afeto negativo, foram realizadas as seguintes análises: estatísticas descritivas, incluindo médias e desvios-padrão, por gênero, grau de escolaridade, idade e amostra total; para determinar a existência e diferenças estatisticamente significativas entre gênero foi utilizado o test t; para determinar a existência de diferenças estatisticamente significativas considerando-se o grau de escolaridade foi utilizada a análise de variância one-way anova e teste Post-Hoc de Bonferroni; para analisar a relação entre a idade e a experiência de afeto positivo e afeto negativo foi utilizado o teste de correlação de Pearson. Para analisar o impacto cumulativo da experiência de recursos de desenvolvimento na experiência de afeto positivo e afeto negativo, foi utilizada a análise de variância one-way anova e teste Post-Hoc de Bonferroni. Para determinar recursos do desenvolvimento e variáveis demográficas preditores de resultados de experiência de afeto positivo e de afeto negativo, foi utilizada a análise de regressão múltipla stepwise. As análises foram realizadas utilizando-se o spss – Statistical Package for the Social Sciences – versão 25.

Resultados

Experiência de afeto positivo e afeto negativo

A tabela 2 apresenta os resultados médios (e desvios-padrão entre parênteses) de experiências de afeto positivo e afeto negativo por gênero, idade, grau de escolaridade e amostra total. Os dados indicam que os adolescentes apresentaram um resultado médio de experiência de afeto positivo de 31,48 (dp = 7.68) e de afeto negativo de 19.02 (dp = 6.57). Considerando-se o gênero, observou-se diferenças estatisticamente significativas nos resultados médios de afeto positivo, indicando que os rapazes (M = 33.32; dp = 7.53) revelaram uma experiência superior comparativamente às moças (M = 30.40; dp = 7.59), t (493) = 4.15, p < 0.0001. Em relação à experiência de afeto negativo, considerando-se o gênero, não observamos diferenças estatisticamente significativas nos resultados médios entre rapazes (M = 18.48; dp = 6.80) e moças (M = 19.33; dp = 6.45), t (493) = 1.38, p = 0.16. Considerando-se a idade, verificou-se que não existe uma correlação estatisticamente significativa entre a idade e a experiência, tanto de afeto positivo (r (499) = -0.001, p = 0.98), como de afeto negativo (r (499) = 0.05, p = 0.26), nas diferentes idades avaliadas no estudo. Considerando-se o grau de escolaridade, os resultados indicaram a existência de diferenças estatisticamente significativas nos resultados médios de afeto positivo, F (3.494) = 2.52, p < 0.05 (10º<11º). Contudo, em relação a resultados de experiência de afeto negativo, os resultados indicaram a inexistência de diferenças estatisticamente significativas entre participantes que se encontravam frequentando distintos graus de escolaridade, F (3.494) = 0.44, p = 0.72.

Efeito da experiência cumulativa de recursos do desenvolvimento na experiência de afeto positivo e de afeto negativo

A tabela 3 apresenta os resultados médios (e desvios-padrão entre parênteses) de experiência de afeto positivo e afeto negativo na amostra total de adolescentes e pelos quatro níveis de recursos que os adolescentes revelaram possuir: 0-10, 11-20, 21-30 e 31-40 recursos. Para analisar o impacto cumulativo da experiência de recursos de desenvolvimento na experiência de afeto positivo e afeto negativo, foi realizada a análise de variância (one-way anova, teste Post-Hoc de Bonferroni). Considerando-se a experiência de afeto positivo, os resultados indicaram a existência de diferenças estatisticamente significativas em função do nível de recursos experimentado pelos adolescentes nos diferentes grupos, F(3.463) = 16.06, p < 0.0001 (o teste Post-Hoc de Bonferroni indicou que todos os grupos diferiram significativamente entre si), observando-se que os adolescentes com níveis mais elevados de recursos tendem a revelar uma experiência superior de afeto positivo. Considerando a experiência de afeto negativo, os resultados também apontaram a existência de diferenças estatisticamente significativas em função do nível de recursos experimentado pelos adolescentes nos diferentes grupos, F (3.463) = 15.90, p < 0.0001 (o teste Post-Hoc de Bonferroni indicou que todos os grupos diferiram significativamente entre si), observando-se que os adolescentes com níveis mais elevados de recursos tendem a revelar uma experiência inferior de afeto negativo.

Recursos do desenvolvimento preditores de afeto positivo e afeto negativo

Para determinar quais recursos e variáveis demográficas prediziam resultados de experiência de afeto positivo e de afeto negativo utilizou-se a análise de regressão múltipla stepwise (tabela 4). Foram incluídos dois conjuntos de variáveis preditoras. O primeiro incluiu as medidas demográficas (gênero, idade e grau de escolaridade do adolescente) e o segundo, incluiu os 40 recursos do desenvolvimento. Em relação a experiência de afeto positivo, os resultados apontaram o gênero (masculino) como preditor independente e significativo, representando 4 % da variância. A adição das variáveis de recursos revelou que o recurso interno de poder pessoal foi a variável de maior contribuição para a predição, assim como os recursos de relações com outros adultos, autoestima, programas para adolescentes, valores positivos – controle, planejar e tomar decisões, adolescentes como recursos, suporte familiar, limites na família, atividades criativas, e competência interpessoal. O modelo final explicou 34 % da variância nos resultados. Considerando a experiência de afeto negativo, os resultados sugerem que as variáveis demográficas constituíram preditores não significativos. As variáveis de recursos revelaram que o recurso interno de sentido de propósito deu a maior contribuição para a predição, assim como os recursos de suporte familiar, segurança, compromisso com a escola, participação em programas para adolescentes, visão positiva do futuro pessoal, e poder pessoal. O modelo final explicou 31% da variância nos resultados.

Tabela 2.
Resultados Médios (e Desvios-Padrão entre Parênteses) de Afeto Positivo e Afeto Negativo por Gênero, Idade, Grau de Escolaridade e Amostra Total.
Resultados Médios (e Desvios-Padrão entre Parênteses) de Afeto Positivo e Afeto Negativo por Gênero, Idade, Grau de Escolaridade e Amostra Total.

Nota:Para Afeto Positivo, resultados elevados indicam maior experiência de afeto Positivo, melhor funcionamento; para Afeto Negativo resultados elevados indicam maior experiência de Afeto Negativo, pior funcionamento.


Tabela 3.
Médias (Desvios-Padrão entre Parênteses) de Afeto Positivo e Afeto Negativo por Nível de Recursos
Médias (Desvios-Padrão entre Parênteses) de Afeto Positivo e Afeto Negativo por Nível de Recursos

Nota:Para Afeto Positivo, resultados elevados indicam maior experiência de afeto Positivo, melhor funcionamento; para Afeto Negativo resultados elevados indicam maior experiência de Afeto Negativo, pior funcionamento; * p < 0.01


Tabela 4.
Preditores de Afeto Positivo e Afeto Negativo (Análise de Regressão Stepwise)
Preditores de Afeto Positivo e Afeto Negativo (Análise de Regressão Stepwise)

Nota.*p < 0.05, **p < 0.01


Preditores de Afeto Positivo e Afeto Negativo (Análise de Regressão Stepwise)

Nota. *p < 0.05, **p < 0.01

Discussão

Os resultados deste estudo sugerem a contribuição tanto de fatores pessoais como contextuais sobre os resultados de bem-estar subjetivo, observando-se que quanto maior a experiência de recursos internos e externos os adolescentes afirmam experimentar, maior a probabilidade de revelarem uma experiência superior de afeto positivo e uma experiência inferior de afeto negativo. Tais resultados ressaltam a importância de considerar a combinação de fatores internos “top-down processes” com fatores externos “bottom-up processes”, na compreensão de resultados de bem-estar subjetivo (Diener et al., 2018, p. 22).

Por sua vez, estes resultados vão ao encontro do pressuposto central da teoria subjacente ao modelo de recursos, colocado como “the more assets, the better” (Benson, 2007, p. 38), assim como da abordagem de construção de recursos, e estendem o conhecimento especificamente a resultados de experiência de afetos positivo e negativo. Estes dados indicam a natureza aditiva dos recursos de desenvolvimento incluídos no modelo, em relação ao seu impacto em resultados positivos no desenvolvimento em adolescentes, isto é, resultados positivos no desenvolvimento, aumentam à medida que aumenta o número de recursos que o adolescente experimenta.

A análise sobre a capacidade preditiva de recursos do desenvolvimento sobre experiência de afeto positivo e afeto negativo, indica que a experiência destes não é afetada similarmente pelos mesmos recursos, mas que recursos específicos, ou subconjuntos, são capazes de predizer melhor os resultados, tanto de afeto positivo como de afeto negativo.

Considerando-se o afeto positivo, a análise dos dados indicou que variáveis demográficas constituem-se como fracos preditores, verificando-se que apenas a variável gênero (masculino) contribuiu para a variância dos resultados. Os dados sugerem o impacto de um subconjunto de recursos na predição de afeto positivo, indicando que ambos os recursos internos e externos contribuíram para a variância nos resultados, sendo que os recursos internos constituiram-se como preditores mais fortes. Estes resultados são corroborados por estudos anteriores que indicam que as variáveis intrapessoais são determinantes mais fortes do bem-estar subjetivo do que os fatores contextuais (Diener, & Ryan, 2009).

O recurso interno de poder pessoal, relativo à categoria de identidade positiva, foi o preditor mais forte de afeto positivo. Definido como sendo o sentimento o qual o adolescente possui algum grau de controle sobre as coisas que acontecem, este sentimento de poder está relacionado com o locus de controle, que descreve as relações causais entre o comportamento e suas consequências – que o resultado de um comportamento seja percebido pelo indivíduo como algo que esteja fora de seu controle, ou dentro de seu controle (Benson, 2006; Scales, & Leffert, 2004). Adicionalmente, o recurso de autoestima também contribuiu para a predição. Destaca-se a experiência de recursos de competências sociais, dentre os quais, o recurso de competência interpessoal (competências como empatia, sensibilidade e capacidade de desenvolvimento de amizades), assim como a capacidade pessoal de planejar e tomar decisões (planejar e fazer escolhas).

Do mesmo modo, os recursos externos, os quais refletem as características da ecologia desenvolvimental promotoras de saúde, também produziram previsibilidade significativa. Considerando a categoria Suporte, destaca-se a experiência de suporte de outros adultos que não os pais (relações com outros adultos). Em relação ao papel parental, a experiência de Limites na Família (existência de regras e consequências claras no contexto familiar, assim como monitorização do comportamento do adolescente). Destaca-se a experiência de recursos relativos à categoria de Uso Construtivo do Tempo, nomeadamente, participação em Programas para Adolescentes (esportes, clubes ou organizações na escola e/ou na comunidade) e em Atividades Criativas (investimento em aulas ou na prática de música, teatro, ou outras artes). Deve-se salientar ainda, em relação a categoria de Empowerment, a experiência de Adolescentes como recursos, o qual reflete a importância da capacidade da comunidade, em proporcionar oportunidades que permitam ao adolescente contribuir significativamente para a sociedade, de favorecer o desempenho de um papel ativo desses jovens.

Por sua vez, Recursos específicos apresentaram um coeficiente de regressão negativo em prever a experiência de Afeto Positivo. Estes resultados são contrários ao que a teoria e investigações anteriores indicavam, carecendo de explicação. De modo a esclarecer se consistem em artefatos (regression artifacts) (Salkind, 2010) ou se representam explicações significativas da relação entre experiência de Recursos e Afeto Positivo, será necessário o desenvolvimento de estudos adicionais. Por exemplo, os dados sugerem, contrariamente ao pressuposto pelo modelo, uma menor experiência de Suporte Familiar e de Valores Positivos de Controle preditores de Afeto Positivo.

O Recurso de Suporte Familiar considera o papel da parentalidade como ponto positivo no desenvolvimento, focando na maneira como a família proporciona suporte, através de um ambiente familiar zeloso. É notória a existência da diversidade de estudos que evidenciam a perceção de suporte e cuidado relacionada com uma variedade de resultados positivos em adolescentes (Collins, & Steinberg, 2008; Laursen, & Collins, 2009; Vietze, 2011). Este Recurso demonstrou um coeficiente de regressão negativo e contribuiu com 1% para a variância nos resultados. Contudo, o suporte parental percebido pelos adolescentes pode constituir um efeito de pais que se tornam mais atenciosos com adolescentes que demonstraram necessidade de maior atenção, ao invés do contrário. No presente estudo, estas relações não podem ser inferidas.

A mesma relação pode ser observada quando consideramos a experiência do Recurso de Valores Positivos de Controle, o qual reflete a adoção de valores relativos a comportamentos de âmbito sexual, assim como de consumo de álcool e/ou substâncias ilícitas. Contudo, pode constituir um efeito, por exemplo, de experiência de maior isolamento. No estudo de Fonte (2011), a autora destacou que os consumidores dedicaram mais tempo a atividades de lazer passivo, frequentaram mais lugares públicos e conviveram mais com os colegas e/ou professores. Constatou-se, ainda, nesse estudo que os não consumidores permaneceram mais tempo ao longo da semana na própria casa e envolveram-se em mais atividades de leitura (não escolar) durante o seu lazer.

Considerando a experiência de Afeto Negativo, os resultados sugerem que as variáveis demográficas não constituíram preditores significativos. Os dados sugerem o impacto de um subconjunto de Recursos na predição de Afeto Negativo, indicando a contribuição de ambos os Recursos Internos e Externos, dos quais os Recursos Internos constituíram os preditores mais fortes. O Recurso Interno de Sentido de Propósito constituiu o preditor mais forte. Sentido de Propósito pode ser considerado como encontrar sentido na vida ou como a razão (ou razões) que um indivíduo tem para fazer alguma coisa. Proporciona uma base para direção e significado (Benson, 2006). Adicionalmente, o Recurso de Poder Pessoal também produziu previsibilidade significativa. Destaca-se a experiência de Recursos referentes à Categoria de Compromisso com a Aprendizagem, nomeadamente Compromisso com a Escola, que salienta a importância do adolescente se encontrar ativamente envolvido na aprendizagem, comprometido com os estudos, salientando a interiorização do valor da aprendizagem como um compromisso ao longo da vida. Do mesmo modo, os Recursos Externos, que proporcionam condições do contexto ou ambiente de suporte para otimizar a saúde, também produziram previsibilidade significativa. Destaca-se a experiência de Suporte Familiar como preditores de menor Afeto Negativo. Ressalta-se, ainda, em relação à Categoria de Empowerment, a importância da experiência de Segurança, isto é, de os adolescentes se sentirem seguros em casa, na escola, na vizinhança e na comunidade. Adolescentes que expressam sentimento de segurança, têm uma maior probabilidade de se sentirem saudáveis do que aqueles que sentem a sua segurança ameaçada (Benson, 2006).

Por sua vez, tal como relativo à experiência de Afeto Positivo, observa-se que Recursos específicos apresentam um coeficiente de regressão negativo padronizado em prever a experiência de Afeto Negativo, resultados estes contrários ao que a teoria e investigação anterior sugeriam, necessitando de explicação adicional. Por exemplo, os resultados sugerem que o Recurso de participação em Programas para adolescentes constitui um preditor da experiência de elevado Afeto Negativo. A participação em Programas para Adolescentes, de carácter desportivo (em clubes ou organizações na escola e/ou na comunidade) pode constituir um efeito de experiência de estresse pelas características de rigor e de competição intrínsecas às atividades desportivas. Pode ainda constituir um efeito em adolescentes que participam nestes programas por indicação, isto é, recomendação por necessidade de inclusão em atividades deste âmbito de modo a beneficiarse de sua experiência, dada a sua contribuição para o desenvolvimento saudável dos adolescentes através de uma variedade de atividades (Benson, 2006; Holt, 2016; Roth, & Brooks-Gunn, 2015), ao invés do contrário. Neste estudo, de desenho transversal, estas relações não podem ser inferidas.

A mesma relação pode ser observada em relação à experiência do Recurso de Visão Positiva do Futuro Pessoal, o qual reflete em que medida o adolescente é otimista sobre o seu futuro. Estes resultados podem sugerir a projeção para o futuro de uma experiência de otimismo, uma expetativa de experiência de um futuro otimista, não sendo experienciado no momento presente. Isto é, questões relativas a uma visão positiva do futuro podem refletir uma ansiedade, sentida no momento atual, em “sentir-se adulto”, a qual é frequentemente expressa pelos adolescentes.

Em suma, estes resultados destacam um subconjunto de Recursos que contribuíram para explicar a variância na experiência de resultados de Afeto Positivo e Afeto Negativo. Deste modo, a identificação dos principais preditores de experiência de Afeto Positivo e de afeto Negativo pode favorecer o desenvolvimento de estratégias dirigidas a propiciar a experiência de um bem-estar ótimo durante a adolescência. No seguimento das previsões deste estudo, e em congruência com estudos anteriores (Diener et al., 2017; Diener et al., 2018; Diener et al., 2018a; 2018b; Fredrickson, 2004; 2013; Fredrickson, & Joiner, 2018; Watson et al., 1988), os resultados indicam que Afeto Positivo e Afeto Negativo devem ser medidos separadamente, uma vez que estes constituem constructos distintos, cada um correlacionado com diferentes variáveis e permitindo portanto, diferentes conclusões.

Os resultados deste estudo devem ser interpretados levando-se em consideração algumas limitações. Dado o desenho transversal deste estudo, não podem ser inferidas relações causais entre a experiência tanto de Afeto Positivo, quanto de Afeto Negativo, e Recursos do Desenvolvimento. Torna-se, pois, necessário o desenvolvimento de estudos longitudinais para determinar se resultados de Afeto Positivo e Afeto Negativo constituem uma consequência ou um determinante da experiência de Recursos do Desenvolvimento. Por outro lado, as medidas utilizadas basearam-se em autorrelato, como tal, refletem uma perceção de carácter subjetivo. Por sua vez, relativamente a alguns dos coeficientes de regressão negativos, é razoável tratá-los como anomalias que podem decorrer do fato de a amostra não ser representativa, erro de medição ou outros artefatos relacionados com o instrumento ou desenho adotados.

Sugere-se a necessidade de futura investigação com a adoção de desenhos longitudinais com foco: na experiência dos 40 Recursos individuais; na interação entre os distintos Recursos; as suas fontes de desenvolvimento; e a sua relação com resultados no desenvolvimento, isto é, o seu papel em resultados específicos no desenvolvimento de modo a analisar a importância de cada Recurso em distintos resultados no desenvolvimento. Neste sentido, sugere-se, a importância de, para além da utilização de medidas baseadas em autorrelato, a inclusão em estudos futuros de triangulação da medição de Recursos, através de outras fontes de informação, tais como pais ou professores.

Deste modo, o Modelo de Recursos do Desenvolvimento, com foco em uma abordagem de Desenvolvimento Positivo dos Adolescentes, proporciona uma perspetiva holística e integrativa na promoção de um desenvolvimento bem-sucedido na adolescência, considerando vários domínios do desenvolvimento, incluindo diversos contextos desenvolvimentais, e, contribuindo para a compreensão de distintos resultados positivos no desenvolvimento, como elevada experiência de Afeto Positivo e reduzida experiência de Afeto Negativo. Observa-se que a experiência de Recursos tem implicações consideráveis no bem-estar durante a adolescência, contudo, observa-se também que cada resultado no desenvolvimento não é afetado similarmente pela experiência dos mesmos Recursos. Em vez disso, em adição ao princípio da natureza aditiva de Recursos, verifica-se que Recursos específicos, ou subconjuntos, predizem melhor os resultados de experiência de Afeto Positivo e de Afeto Negativo. Neste sentido, recomenda-se a adoção de uma dupla estratégia com vista a construir todos os 40 Recursos na vida dos adolescentes, assim como promover conjuntos específicos de Recursos com foco na experiência de emoções, de modo a conduzir os adolescentes ao que Fredrickson (2004), designa de “elevado nível de bem-estar ótimo” (p.1375).

Sugere-se a utilidade teórica e prática da utilização do Modelo de Recursos do Desenvolvimento, na compreensão da experiência afetiva dos adolescentes, e de uma abordagem de Construção de Recursos na otimização de sua saúde e bem-estar.

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Autor notes

1 Dirigir correspondencia a Ana Sofia Barros Soares, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto. Correio eletrônico: anasofiabsoares@gmail.com

Informação adicional

Para citar este artigo:: Soares, A. S. B., Pais-Ribeiro, J. L., & Silva, I. M. L. Recursos pessoais e contextuais preditores de afetos positivo e negativo em adolescentes. Avances en Psicología Latinoamericana, 38(1), 33-47. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.7472

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