Medindo crenças pessoais e gerais no mundo justo: adaptação de uma escala ao no contexto brasileiro

Assessing Personal and General Belief in a Just World: Adaptation of a Scale to the Brazilian Context

Midiendo creencia en el mundo justo personal y general: adaptación de una escala al contexto brasileño

Valdiney Veloso Gouveia
Universidad Federal de Paraíba , Brasil
Anderson Mesquita do Nascimento *
Universidad Federal de Paraíba, Brasil
Rildésia Silva Veloso Gouveia João Pessoa
Universidad Centro, Brasil
Emerson Diógenes de Medeiros
Universidad Federal de Piauí, Brasil
Patrícia Nunes da Fonsêca
Universidad Federal de Paraíba, Brasil
Layrtthon Carlos de Oliveira Santos
Universidad Federal de Paraíba , Brasil

Medindo crenças pessoais e gerais no mundo justo: adaptação de uma escala ao no contexto brasileiro

Avances en Psicología Latinoamericana, vol. 36, núm. 1, 2018

Universidad del Rosario

Recepção: 05 Julho 2016

Aprovação: 10 Janeiro 2017

Resumo: Este artigo procurou adaptar ao contexto brasileiro a Escala de Crença no Mundo Justo, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Realizaram-se dois estudos em ambientes virtuais. No Estudo 1 o propósito foi conhecer a estrutura fatorial e consistência interna desta medida. Participaram 300 pessoas com idade média de 26,4 anos (61,3 % do sexo feminino), que responderam esta escala e perguntas demográficas. Os resultados mostram uma solução de dois componentes: crença no mundo justo pessoal [7 itens, valor próprio = 4,42 e alfa de Cronbach (α) de 0,83] e crença no mundo justo geral (6 itens, valor próprio = 1,67 e α = 0,69). Já o Estudo 2 objetivou comprovar esta estrutura bifatorial. Participaram 331 indivíduos com média de idade de 27,1 (64,4 % do sexo feminino). Os indicadores de ajuste observados deram suporte ao modelo com dois fatores [e.g., GFI = 0,92, CFI = 0,91 e RMSEA = 0,07 (IC90 % = 0,05-0,08)], que apresentaram coeficientes aceitáveis de consistência interna (α = .82 e .71, respectivamente). Concluindo, os achados apoiam evidências de validade fatorial e consistência interna desta medida, que poderá ser utilizada em estudos futuros no Brasil.

Palavras-chave crença, mundo justo, escala, validade.

Abstract: This article aims to adapt the Belief in a Just World Scale to the Brazilian context, providing evidence of its reliability and factorial validity. Two studies were carried out in virtual environments. Study 1 aimed at knowledge of the measure’s factorial structure and its reliability. Its participants were 300 individuals with a mean age of 26.4 years (61.3% females), who satisfied the scale and demographic requirements. The results indicated a 2-component structure: personal belief in a just world [7 items, eigenvalue = 4.42, and Cronbach’s alpha (α) of .83], and general belief in a just world (6 items, eigenvalue = 1.67, and α = .69). Study 2 aimed to confirm the previous 2-factor structure. Its participants were 331 individuals with a mean age of 27.1 years (64.4 % females). The fit indices supported the 2-factor model [GFI = .92, CFI = .91, and RMSEA = .07 (CI90 % = .05-.08)], which showed acceptable reliability coefficients (α = .82 and .71, respectively). In conclusion, the findings support evidence for the factorial validity and reliability of this measure, which can be used in future studies in Brazil.

Keywords: Belief, just world, scale, validity.

Resumen: Este artículo procuró adaptar al contexto brasileño la escala de creencia en el mundo justo, reuniendo evidencias de su validez factorial y consistencia interna. Se realizaron dos estudios en ambientes virtuales. En el Estudio 1 el propósito fue conocer la estructura factorial y consistencia interna de esta medida. Participaron 300 personas con edad promedio de 26,4 años (61,3 % de sexo femenino), que respondieron esta escala y preguntas demográficas. Los resultados muestran una solución de dos componentes: creencia en el mundo justo personal [7 ítems, valor propio = 4,42 y alfa de Cronbach (α) de 0,83] y creencia en el mundo justo general (6 ítems, valor propio = 1,67 y α = 0,69). El Estudio 2 tuvo como objetivo comprobar esta estructura bifactorial. Participaron 331 individuos con edad promedio de 27,1 (64,4% de sexo femenino). Los indicadores de ajuste observados soportaron el modelo con dos factores [e.g., GFI = 0,92, CFI = 0,91 y RMSEA = 0,07 (IC90 % = 0,05 - 0,08)], que presentaron coeficientes aceptables de consistencia interna (α = 0,82 y 0,71, respectivamente). Como conclusión, los hallazgos apoyan las evidencias de validez factorial y consistencia interna de esta medida, que podrá ser utilizada en estudios futuros en Brasil.

Palabras clave: creencia, mundo justo, escala, validez.

Há pouco mais de meio século Melvin Lerner utilizou pela primeira vez o conceito de crença no mundo justo (CMJ; Lerner, 1965). Em sua atuação como psicólogo clínico e pesquisador, Lerner percebeu, a partir de uma pesquisa no hospital onde trabalhava, que parte substancial dos médicos e profissionais de saúde culpava os doentes mentais pela situação em que se encontravam, passando a evitá-los e atribuindo a eles mesmos a causa de seu sofrimento (Lerner, 1980). Com base nessas observações, este autor formulou a hipótese de que as pessoas estabelecem uma crença para justificar que têm o que merecem e merecem o que têm, estabelecendo-se uma relação direta entre o que é feito e os resultados alcançados.

No contexto dos estudos iniciais da CMJ as pesquisas se pautavam em um paradigma experimental, entretanto divididas em duas vertentes (Hafer & Bégue, 2005). A primeira buscava identificar que fatores poderiam aumentar ou diminuir a ameaça à CMJ, manipulando variáveis que se esperava que tivessem influência sobre ela em uma situação experimental. A segunda vertente, por sua vez, teve um enfoque maior na identificação dos custos e a efetividade das estratégias que as pessoas utilizavam para proteger sua CMJ. Destaca-se, ainda, que alguns estudos consideraram ambas as vertentes (Lerner & Simmons, 1966). Em se tratando deste construto, os pesquisadores da área têm razoavelmente concordado quanto às suas funções e estrutura, como descritas a seguir.

É possível identificar três funções principais da CMJ: (i) dota os indivíduos com a confiança de que eles serão tratados de maneira justa pelos demais; (ii) sugere a obrigação pessoal de se comportar de forma justa; e (iii) fornece um quadro conceitual que torna possível a interpretação de eventos vivenciados cotidianamente (Dalbert, 2001). A CMJ pode ser considerada como um importante recurso que permite às pessoas lidar adequadamente com os desafios da vida diária, simplificando o mundo ao redor e possibilitando enfrentar eventos críticos que possam ocorrer.

Em relação à primeira função da CMJ, o fato de as pessoas se engajarem em atividades diárias em que são tratadas de maneira justa por seus pares, fornece a estas uma crença de que o mundo é, de fato, um lugar justo, o que promove a confiança mútua entre elas. Por exemplo, Zuckerman & Gerbasi (1977) demonstraram que indivíduos que possuem uma crença forte no mundo justo são mais suscetíveis a confiar nos outros. Dzuka & Dalbert (2000) afirmam que a CMJ tem papel importante como estratégia positiva e saudável de enfrentamento, uma vez que esta crença seria uma condição necessária para que a pessoa desenvolva um senso de justiça capaz de mediar efeitos adaptativos na saúde mental. Além disso, Benson & Ritter (1990) demonstraram que esta crença está negativamente correlacionada com o afeto depressivo.

Quanto à segunda função, quando a CMJ serve como um indicativo de que a pessoa deve se comportar de maneira justa, está estreitamente ligada a comportamentos prossociais. Concordando com esta premissa, Strelan (2007) afirma que a motivação para acreditar em um mundo estável, ordenado e lógico, encoraja uma percepção essencialmente positiva da humanidade, podendo haver duas consequências. Primeiro, quando as pessoas acreditam que seus investimentos serão devidamente recompensados no futuro, passam a confiar mais em atos prossociais e adaptativos. Em segundo lugar, a CMJ representa um contrato pessoal dos indivíduos com o mundo, então já que o mundo parece razoavelmente justo, eles entendem que devem se comportar em conformidade com esta crença (Otto & Dalbert, 2005). Adicionalmente, Hafer & Rubel (2015) demonstraram que o foco em objetivos de longo prazo é capaz de predizer uma forte CMJ, mas somente entre indivíduos com pontuações altas em comportamentos prossociais e baixas naqueles antissociais.

Em se tratando da terceira função, isto é, quando a CMJ oferece um quadro conceitual que permite ao indivíduo interpretar o mundo de forma previsível, estimam-se consequências coerentes com a ilusão positiva que suscita. A propósito, Lerner & Miller (1978) afirmam que pessoas com uma forte CMJ não acreditam que os eventos da complexa rede social do mundo sejam inteiramente randômicos, mas sim são previsíveis. Dessa forma, quando os indivíduos são confrontados com alguma injustiça, isto ameaça sua CMJ, levando-os a buscar reestabelecer a justiça tanto psicológica (minimizando a injustiça) como em termos de sua conduta (compensando a injustiça), por exemplo, percebendo as consequências para a vítima como merecidas devido ao seu caráter indigno. Esta função certamente foi a mais estudada desde a proposição da teoria da CMJ, sobretudo por seu impacto em situações do mundo real.

No que diz respeito à estrutura da CMJ, Dalbert (1999) distingue dois tipos crenças: pessoal e geral. A crença pessoal diz respeito à crença dos indivíduos em relação ao julgamento que fazem acerca do quão justo consideram os eventos ocorridos com eles em sua própria vida, enquanto que a crença geral remete ao quanto os indivíduos acreditam que o mundo é um lugar justo e ordenado, e que as pessoas têm o que merecem e merecem o que têm. A primeira crença tem um papel importante, sobretudo quando se toma em conta suas consequências em variáveis relacionadas à saúde mental. Por exemplo, Dalbert & Yamauchi (1994) indicam que quanto mais pessoal for à experiência de injustiça, maior será a ameaça e negação à injustiça. De modo semelhante ocorrerá com as injustiças vivenciadas no próprio grupo, as quais serão mais negadas do que a de outros grupos (Taylor, Wright, Moghadadam, & Lalonde, 1990). De fato, estima-se que estes dois tipos de crença são diferentes; a crença no mundo justo pessoal pode ser mais facilmente endossada que a geral. Além disso, a primeira apresenta maior capacidade preditiva em relação à saúde mental e às estratégias de enfrentamento (Dalbert, Lipkus, Sallay & Goch, 2001), enquanto a segunda tem demonstrado associação com atitudes sociais hostis (Sutton & Douglas, 2005), tais como o preconceito contra pessoas idosas (Bègue & Bastounis, 2003).

Uma das primeiras tentativas de conhecer empiricamente a diferenciação entre as crenças pessoal e geral foi levada a cabo por Lipkus, Dalbert & Siegler (1996). Especificamente, estes autores trataram de diferenciar a crença no mundo justo para o próprio indivíduo e para os demais, procurando conhecer suas implicações no bem-estar psicológico. Eles observaram que as pessoas têm uma tendência em acreditar que o mundo é mais justo para si do que para os outros, sendo que a crença pessoal apresentou uma capacidade preditiva mais forte e consistente em relação à diminuição do estresse e depressão e ao aumento da satisfação com a vida.

Após os primeiros estudos de Lerner (1965), à medida que a temática da CMJ ganhou popularidade, começaram a ser desenvolvidos os primeiros instrumentos para medir este construto. Entretanto, até os anos 2000 predominava na literatura a utilização da escala desenvolvida por Rubin & Peplau (1975), formada por 20 itens, que não diferencia crença pessoal e geral no mundo justo, que parecem psicologicamente independentes e relevantes. Este instrumento tem sido criticado por apresentar propriedades psicométricas pouco adequadas, como consistência interna baixa e estrutura fatorial pouco estável, o que tem ocasionado a aparição de outras medidas (Lucas, Alexander, Firestone & Lebreton, 2007). Uma delas é a Escala de Crença no Mundo Justo, proposta por Dalbert (1999), que embora mais curta (13 itens) diferencia os tipos de crença no mundo justo e tem apresentado parâmetros adequados em outros contextos culturais, sendo esta, foco do presente estudo no qual é dado maior destaque a seguir.

Escala de Crença no Mundo Justo

Desenvolvida inicialmente por Dalbert, Montada & Schmitt (1987), a Escala de Crença no Mundo Justo Geral (General Just World Scale; GeJWS) era composta por seis itens reunidos em uma estrutura unifatorial (α = 0,76) e propunha-se a medir em que grau o indivíduo considera justos os eventos que ocorrem no mundo de forma geral, sendo útil, em razão do número reduzido de itens que facilita sua aplicação em situações pouco controladas, como, por exemplo, em praças, salas de espera ou parques. Além disso, Dalbert et al. (2001) mostraram que a escala CMJ geral possui validade convergente (r = 0,67) com a Global Just World Scale (Lipkus, 1991), apresentando relações positivas também com religiosidade e bem-estar psicológico.

Posteriormente, Dalbert (1999) incluiu mais se-te itens que objetivavam mensurar a crença pessoal no mundo justo, os quais retratam mais diretamente a confiança de ser tratado de forma justa na própria vida. Esta nova versão de sua medida foi aplicada em três grupos de estudantes universitários estadunidenses, observando-se uma estrutura bifatorial com coeficientes de consistência interna (alfas de Cronbach), variando de 0,82 a 0,87 [Crença no Mundo Justo – Pessoal (CMJ-P)] e de 0,68 a 0,78 [Crença no Mundo Justo – Geral (CMJ-G)].

No Brasil, a versão original da General Just World Scale (GeJWS) foi adaptada por Pimentel et al. (2010), os quais observaram um único fator com valor próprio de 2,23, explicando 37,1 % da variância total (α = 0,66). Por meio da análise fatorial confirmatória, estes autores verificaram índices de ajuste satisfatórios para o modelo unifatorial [χ²/gl = 2,03, GFI = 0,98, AGFI = 0,94, CFI = 0,95 e RMSEA = 0,06 (IC90 % = 0,01 - 0,11)].

Em resumo, apesar de já existir na literatura um estudo que reporte as propriedades psicométricas da GeJWS em amostra brasileira (Pimentel et al., 2010), em razão da importância de diferenciar a crença pessoal e geral no mundo justo, parece pertinente adaptar a nova versão da medida proposta por Dalbert (1999). Como anteriormente se indicou, a dimensão pessoal se mostra relevante como um correlato de bem-estar subjetivo dos indivíduos. Deste modo, propõe-se neste artigo reunir evidências de adequação psicométrica (validade fatorial e consistência interna) da Escala de Crença no Mundo Justo. Nesta direção, realizaram-se os dois estudos posteriormente descritos.

Estudo 1. Estrutura fatorial da Escala de Crença no Mundo Justo

O objetivo deste primeiro estudo foi conhecer a estrutura fatorial e a consistência interna da Escala de Crença no Mundo Justo. No caso, em razão da ausência de evidências desta medida no Brasil, procurou-se empregar procedimentos de análises exploratórias, tentando identificar os fatores que emergem sem quaisquer restrições.

Método

Participantes

Este estudo contou a participação de 300 pessoas, consistindo em uma amostra de conveniência (não-probabilística), recrutadas por meio de redes sociais e e-mail, acessando um endereço onde se disponibilizava um questionário autoaplicável. A maioria desses participantes foi do sexo feminino (61,3 %) e da região Nordeste (75,8 %), apresentando idades variando entre 16 e 69 anos (M = 26,4, DP = 10,49).

Instrumentos

Os participantes, após serem dirigidos à página onde estava a pesquisa, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, e responderam a Escala de Crença no Mundo Justo (ECMJ). Proposta por Dalbert (1999), conta com treze itens, respondidos em escala do tipo Likert, de seis pontos, variando de 1 (Discordo totalmente) a 6 (Concordo totalmente). Estes itens são teoricamente distribuídos em dois fatores: crença no mundo justo pessoal (7 itens; e.g., Penso que, em geral, obtenho o que mereço; Em geral, mereço o que me acontece) e crença no mundo justo geral (6 itens; e.g., Penso que o mundo é basicamente um lugar justo; Acredito que, em geral, as pessoas adquirem o que elas realmente merecem). Indicadores de seus parâmetros psicométricos foram previamente apresentados. Após respondê-la, os participantes deveriam preencher as informações demográficas (idade, sexo e região do Brasil em que habitava).

Para desenvolver a versão em Português dos itens de crença no mundo justo pessoal, utilizou-se a técnica de tradução reversa (back translation). No caso, os itens correspondentes foram traduzidos do inglês para o português por um psicólogo bilíngue e, posteriormente, esta versão foi retraduzida para o inglês por um segundo psicólogo também bilíngue. Finalmente, as duas versões foram comparadas com a colaboração de um terceiro pesquisador com habilitação em língua inglesa, não havendo diferenças substanciais. Deste modo, não tendo sido identificada a necessidade de modificar qualquer item da versão em português, passou-se a utilizá-los para a composição da versão final da medida, que, no caso da crença geral do mundo justo, teve em conta a versão adaptada ao contexto brasileiro da GeJWS (Pimentel et al., 2010).

Procedimento

Os pesquisadores entraram em contato com os participantes da pesquisa por meio de redes sociais e e-mail, disponibilizando um link que hospedava os instrumentos a serem respondidos na plataforma lime survey. Reitera-se que na primeira página foi exibido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), onde os indivíduos foram informados acerca do caráter voluntário da participação, podendo desistir a qualquer momento da pesquisa sem penalização, bem como o caráter confidencial das respostas. Foi utilizado o mesmo link para a obtenção das respostas de todos os estudos desta pesquisa. Após a coleta a amostra foi dividida randomicamente em duas partes, formando um banco de dados para o estudo 1 e outro para as análises do estudo 2. A coleta e realização dos estudos obedeceram rigorosamente aos procedimentos éticos de pesquisas com seres humanos, conforme a Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. Ambos os estudos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa, da Universidade Federal da Paraíba (Protocolo de n.° 851 683). O tempo médio para concluir a participação no estudo foi de aproximadamente 10 minutos.

Análise de dados

Para a análise dos dados foi utilizado o pacote estatístico PASW (versão 18). Inicialmente, calcularam-se estatísticas descritivas (medidas de tendência central e dispersão) para caracterização dos participantes. Em seguida, realizaram-se testes t de Student para verificar se os itens apresentavam poder discriminativo. Após esta etapa, buscou-se previamente conhecer a adequação da matriz de correlação dos itens da ECMJ para realizar uma análise dos componentes principais (CP), utilizando dois indicadores: o KMO (Kaiser-Meyer-Olkim), que deve ser superior a .60 para dar suporte a realização da análise, e o Teste de Esfericidade de Bartlett, cujo valor do qui-quadrado deve ser estatisticamente significativo (Tabachnick & Fidell, 2007). Com a finalidade de conhecer o número de componentes a extrair, checaram-se diferentes critérios (Kaiser, Cattell & Horn), efetuando a análise dos Componentes Principais (CP). Finalmente, calculou-se a consistência interna da estrutura resultante por meio do coeficiente alfa de Cronbach e da correlação média inter-itens.

Resultados

Inicialmente foram calculadas as estatísticas descritivas (média e desvio-padrão) e correlações item-total para cada item. Os resultados são suma-rizados na tabela 1. Posteriormente, foi verificado se os itens possuíam a capacidade de discriminar participantes com magnitudes próximas no traço latente (crença no mundo justo). Definiram-se os grupos inferior e superior a partir da mediana empírica (critério interno). Foi empregado o teste t de Student para comparar as médias dos participantes dos dois grupos em cada item. Todos os treze itens discriminaram satisfatoriamente os participantes (t > 3,78, p < 0,001). Portanto, pareceram discriminar adequadamente. Em seguida, verificou-se a possibilidade de proceder à análise CP, onde os indicadores apoiaram a adequação da matriz de correlações: KMO = 0,84 e Teste de Esfericidade de Bartllet, χ2 (78) = 1070,46, p < 0,001.

Tabela 1
Médias, desvios-padrões e correlações item-total da Escala de Crença no Mundo Justo no Estudo 1 (n = 300)*
Médias, desvios-padrões e correlações item-total da Escala de Crença no
Mundo Justo no Estudo 1 (n = 300)*

Nota: M = Média, DP = Desvio padrão, rit = correlação item-total.

Objetivando conhecer o número de componentes a serem extraídos dessa matriz, foram considerados três critérios: (i) Kaiser (valores próprios maiores do que 1), (ii) Cattell (scree plot, isto é, distribuição gráfica dos valores próprios) e (iii) Horn (análise paralela). Segundo o critério de Kaiser, foram encontrados quatro componentes (4,42, 1,67, 1,07 e 1,00), explicando conjuntamente 63 % da variância total. Já a distribuição gráfica dos valores próprios (Critério de Cattell) apresentou ambiguidade quanto à solução, podendo ser considerada a existência de dois ou quatro componentes, de acordo com as inflexões da curva, conforme a figura 1.

Distribuição gráfica dos valores
próprios
Figura 1
Distribuição gráfica dos valores próprios


Para dirimir dúvidas sobre a quantidade de componentes a serem extraídos, realizou-se uma análise paralela, considerando os parâmetros do banco de dados (300 participantes e 13 itens), realizando 1000 simulações. Esta análise deu suporte à existência de dois componentes, pois o valor próprio do terceiro componente observado (1,07) foi inferior ao correspondente valor próprio médio randômico (1,20). Com base nestes resultados, foi levada a cabo uma nova análise de Componentes Principais, fixando a extração de dois componentes e utilizando a rotação oblíqua (direct oblimin), uma vez que se presumia alguma correlação entre os componentes, como se observou (r = 0,41, p <0,001). A saturação mínima para que o item fosse retido no componente foi de |0,30|. Os resultados são apresentados na tabela 2.

Tabela 2
Estrutura fatorial da Escala de Crença no Mundo Justo
Estrutura fatorial da
Escala de Crença no Mundo Justo


De acordo com esta tabela, o primeiro componente reuniu sete itens com saturações variando entre .57 (Item 2. Em minha vida a injustiça acontece raramente) a .83 (Item 10. Em geral, os acontecimentos de minha vida são justos). Este componente apresentou valor próprio de 4,42, explicando 34,0 % da variância total. Em relação à sua consistência interna, seu alfa de Cronbach (α) foi de 0,83, apresentando correlação média inter-itens de 0,42, variando de 0,27 a 0,69. Considerando o conteúdo de seus itens, parece adequado nomear este componente como crença no mundo justo pessoal.

O segundo componente reuniu seis itens, apresentando saturações entre 0,46 (Item 6. Eu penso que as pessoas tentam ser justas quando tomam decisões importantes) e 0,72 (Item 4. Tenho certeza que a justiça sempre prevalece sobre a injustiça). Seu valor próprio foi de 1,67, explicando 12,9 % da variância total. Este componente apresentou consistência interna (alfa de Cronbach) de .69, apresentando correlação média inter-itens de 0,27, variando entre 0,11 e 0,37. A leitura do conteúdo dos itens com maiores saturações neste componente sugere denominá-lo como crença no mundo justo geral.

Discussão Parcial

O presente estudo objetivou adaptar ao contexto brasileiro à Escala de Crença no Mundo Justo, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Estima-se que este objetivo tenha sido alcançado, uma vez que a estrutura de dois componentes se mostrou coerente com achados prévios (Dalbert, 1999; Pimentel et al., 2010). O primeiro componente encontrado (CMJ-P) avalia a crença dos indivíduos em relação ao julgamento que fazem acerca do quão justos consideram os eventos ocorridos com eles em sua própria vida. O segundo componente, por sua vez, (CMJ-G) reuniu itens que retratam a crença no mundo justo em geral, ou seja, o quanto os indivíduos acreditam que o mundo é um lugar justo e ordenado, e que as pessoas têm o que merecem e merecem o que têm. Estes componentes apresentaram coeficientes de consistência interna que atendem ao que tem sido recomendado na literatura (Pasquali, 2003).

Corroborando achados de estudo prévio (Dalbert, 1999), os dois componentes apresentaram correlação entre eles. Isso demonstra que quando as pessoas avaliam que os eventos que ocorrem em sua vida são justos, elas têm uma maior tendência a observar a justiça também em eventos que ocorrem no mundo em geral. Contudo, estes componentes compartilham menos de um quinto da variância (r2 @ 0,17), indicando que não são um mesmo construto. Portanto, é possível e recomendado mensurar a crença do mundo justo, tanto no nível pessoal como geral; no caso, pode-se utilizar este instrumento curto, formado por apenas 13 itens, que cumpre o recomendado na literatura quanto às suas qualidades psicométricas (Pasquali, 2010).

Por fim, este estudo preenche uma lacuna das pesquisas no Brasil acerca da mensuração da CMJ, considerando apenas a dimensão geral desta crença; a dimensão pessoal, entretanto, é importante, uma vez que apresenta maior capacidade para predizer construtos como satisfação com a vida e rendimento escolar (Dalbert et al., 2001). Não obstante aos resultados encorajadores da ECMJ, as análises estatísticas realizadas foram eminentemente exploratórias, cabendo comprovar a adequação da estrutura de dois componentes, considerando uma amostra independente. Nesta direção, decidiu-se realizar o segundo estudo.

Estudo 2. Comprovação da Estrutura de Bifatorial da Medida de Crença no Mundo Justo

Como observado previamente, a Escala de Crença no Mundo Justo pode ser representada por dois componentes. No presente estudo esta hipótese foi diretamente testada, impondo-se esta restrição do número de dimensões ao efetuar uma análise fatorial confirmatória.

Método

Participantes

Participaram deste estudo 331 pessoas cujas idades variaram entre 18 e 73 anos (M = 27,1, DP = 10,72), sendo a maioria do sexo feminino (64,4%). A maioria dos respondentes declarou habitar na região Nordeste (76,8 %). Como no estudo anterior, os participantes deste foram recrutados em ambientes virtuais (redes sociais e via e-mail), incluindo pessoas da população geral e estudantes universitários, constituindo uma amostra de conveniência (não-probabilística).

Instrumentos e Procedimento

Foram utilizados os mesmos instrumentos e procedimento do Estudo 1. O presente estudo também seguiu os preceitos éticos inerentes à realização de pesquisas com seres humanos, conforme Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. O parecer de aprovação do Comitê de Ética foi o mesmo do estudo anterior.

Análise dos Dados

O AMOS (versão 18) foi utilizado para comprovar a adequação da estrutura de duas dimensões encontrada no Estudo 1. A análise fatorial confirmatória considerou como entrada a matriz de covariância, adotando o estimador ML (Maximum Likelihood), considerando-se os seguintes indicadores de ajuste (Byrne, 2010; Tabachnick & Fidell, 2007): a razão qui-quadrado e graus de liberdade (χ²/gl), o Goodness-of-Fit Index (GFI) e o Adjusted Goodness-of-Fit Index (AGFI), o Comparative Fit Index (CFI) e a Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) com seu intervalo de confiança de 90 %. A interpretação dos índices de ajuste foi baseada nos critérios sugeridos por Hooper, Coughlan e Mullen (2008), que recomendam os seguintes valores para um ajuste adequado: χ²/gl na casa de 2 a 3, admitindo-se até 5, GFI, AGFI e CFI superiores a 0,90 e RMSEA entre 0,05 e 0,08, admitindo-se até 0,10 como limite superior.

Para aferir a consistência interna da medida, além do alfa de Cronbach, considerou-se o índice de confiabilidade composta (CC; Fornell & Larcker, 1981). Esta medida é utilizada em alternativa ao alfa de Cronbach que possui a limitação de ser influenciado pela quantidade de itens da medida, tendendo a ser inflado quando o número de itens é grande. É comumente aceito o valor de 0,70 como indicador adequado para o alfa de Cronbach (Pasquali, 2003), sendo satisfatório um valor de CC igual ou superior a 0,60 (Škerlavaj & Dimovski, 2009).

Resultados

Inicialmente foram verificadas as médias, desvios-padrões e correlação item-total de todos os itens, sendo os resultados apresentados na tabela 3. Testou-se a estrutura da escala, observada no Estudo 1, tendo sido inicialmente observados os seguintes indicadores de ajuste: χ² (64) = 215,60, p < 0,001, χ²/gl = 3,37, GFI = 0,90, AGFI = 0,85, CFI = 0,86 e RMSEA = 0,08 (IC90 % = 0,05 - 0,09). Contudo, depois de observar os Índices de Modificação (IM), decidiu-se reespecificar o modelo, já que foi observado que os itens 9 (Em geral, mereço o que me acontece) e 11 (Penso que, em geral, obtenho o que mereço) compartilhavam variância de erro (IM = 41,08). Depois de permitir esta covariação entre os erros, os indicadores de ajuste do modelo foram os seguintes: χ² (63) = 167.50, p < .001, χ²/gl= 2.65, GFI = .92, AGFI = .89, CFI = .91 e RMSEA = .07 (IC90 % = .05-.08). A figura 2 mostra a estrutura fatorial da ECMJ resultante destes indicadores.

Tabela 3
Médias, desvios-padrões e correlações item-total da Escala de Crença no Mundo Justo no Estudo 2 (n = 331)
Médias, desvios-padrões e correlações item-total da Escala de Crença no
Mundo Justo no Estudo 2 (n = 331)

Nota: M = Média, DP = Desvio padrão, rit = correlação item-total

Estrutura fatorial da Escala de Crença
no Mundo Justo
Figura 2
Estrutura fatorial da Escala de Crença no Mundo Justo


Todos os pesos fatoriais (lambdas) foram positivos e diferentes de zero (λ ≠ 0; z > 1,96, p < 0,001), variando entre 0,45 [Item 1. As injustiças em qualquer área da vida (por exemplo, profissão, família, política) somente acontecem raramente] e 0,73 (Item 10. Em geral, os acontecimentos de minha vida são justos). Como indicadores de consistência interna, o componente crença no mundo justo pessoal obteve alfa de Cronbach (α) e Confiabilidade Composta (CC) de 0,82, enquanto o fator crença no mundo justo geral teve α de 0,71 e CC de 0,73.

Discussão Parcial

Os principais achados deste estudo mostraram que a estrutura de dois componentes da ECMJ mostrou índices de ajuste adequados, estando próximos e, inclusive com a covariação de erros de medida de dois itens, superiores aos recomendados na literatura (Byrne, 2010; Tabachnick & Fidell, 2007). Os coeficientes de consistência interna avalam igualmente a pertinência desta medida (Pasquali, 2003; Škerlavaj & Dimovski, 2009). Deste modo, confia-se que este instrumento possa oferecer uma avaliação adequada sobre o quanto as pessoas acreditam que o mundo é justo no que diz respeito a elas mesmas e aos demais em geral. Destaca-se que a correlação entre erros associados de itens de um mesmo fator podem sugerir semelhança em seus conteúdos (Byrne, 2010), o que pareceu ser o caso no presente estudo. Portanto, decidiu-se correlacionar tais erros com o fim de evitar que o χ² do modelo fosse inflado, distorcendo outros indicadores de ajuste (Hair, Black, Babin, Anderson & Thatam, 2009).

Discussão e Considerações Finais

Este artigo visou oferecer informações sobre a adaptação da Escala de Crença no Mundo Justo, proposta por Dalbert (1999), reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna no contexto brasileiro. Uma versão de parte desta medida, precisamente considerando apenas os itens que avaliam a crença no mundo justo desde uma perspectiva geral, já tinha sido adaptada ao Brasil por Pimentel et al. (2010), os quais encontraram índices meritórios de consistência interna para a estrutura unifatorial. Não obstante, uma dimensão importante, compreendendo a crença no mundo justo pessoal, não foi contemplada por estes autores.

Destaca-se que, tendo em vista que na literatura são encontrados estudos que indicam a importância de se mensurar crença no mundo justo pessoal, que podem predizer satisfatoriamente uma gama de variáveis ligadas à saúde mental (Correia & Vala, 2004; Dalbert & Dzuka, 2004; Dzuka & Dalbert, 2002), decidiu-se seguir o procedimento adotado por Dalbert (1999). No caso, incorporaram-se sete itens à sua escala original, os quais cobriam a ideia de que as pessoas acreditam que o mundo é justo em relação à sua própria vida. Coerentemente com o esperado, os achados indicaram que o conjunto de 13 itens da ECMJ pôde ser representado em dois componentes (Dalbert, 1999), que apresentaram indicadores de validade fatorial e consistência interna adequados (Clark & Watson, 1995; Pasquali, 2003).

Apesar dos achados promissores e coerentes com a literatura, os estudos descritos não estão livres de limitações. Destaca-se, principalmente, a restrição quanto à sua generalização para a população geral, uma vez que se contou com uma amostra não-probabilística. Contudo, este não foi o objetivo proposto; lembrando, procurou-se adaptar a ECMJ para o contexto brasileiro, conhecendo evidências de suas qualidades psicométricas (validade fatorial e consistência interna). Nesta direção, outra limitação potencial diz respeito à participação solicitada por meio de redes sociais e via e-mail, que diminui, a controle do pesquisador, para que as respostas sejam dadas em ambientes com condições aproximadamente semelhantes para todos os respondentes. Porém, estudos anteriores realizados com amostras coletadas via internet vêm demonstrando resultados similares àqueles obtidos presencialmente (Gosling, Vazire, Srivastava & John, 2004).

Pensando no futuro, sugere-se que sejam realizados novos estudos que observem a invariância fatorial desta medida, por exemplo, considerando participantes de diversos contextos socioeconômicos e culturais. Também poderá ser relevante checar se o sexo pode afetar a estrutura fatorial da crença no mundo justo. Além disso, poderão contribuir estudos que comprovem evidências de precisão teste-reteste e indicadores de validades convergente-discriminante e preditiva desta escala. Por exemplo, sabe-se que medidas de autorrelato têm um componente inerente de desejabilidade social (Gouveia, Guerra, Sousa, Santos & Costa, 2009), cabendo conhecer em que medida este viés de resposta poderá ser mais preponderante na crença no mundo justo pessoal ou geral.

Por fim, confia-se que o presente artigo contribua para a medição do construto CMJ, tema ainda pouco explorado em contexto brasileiro. Deste modo, estima-se que possam ser suscitadas pesquisas futuras sobre esta temática, por exemplo, para conhecer em que medida a CMJ-P e a CMJ-G podem diferentemente explicar o desempenho acadêmico, os afetos positivos e negativos, os comportamentos prossociais (e.g., altruísmo, perdão) e antissociais (e.g., bullying, preconceito), os valores humanos e a busca de sentido na vida.

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Autor notes

* Correspondência: Correio eletrônico: andermnascimento@gmail.com

Informação adicional

Cómo citar este artículo: Gouveia, V. V., Mesquita, Nascimento, A. M., Gouveia, R. S. V., Medeiros, E. D., Fonsêca, P. N., & Santos, L. C. O. (2018). Medindo crença no mundo justo pessoal e geral: Adaptação de uma escala ao contexto brasileiro. Avances en Psicología Latinoamericana, 36(1), 167-181. doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.4989