Avances en Psicología Latinoamericana
ISSN:1794-4724

Conflito conjugal: evidências de validade de uma escala de resolução de conflitos em casais do sul do Brasil

Marital Conflict: Evidences of Validity of a Conflict Resolution Scale in Couples in Southern Brazil

Conflicto conyugal: evidencias de validez de una escala de resolución de conflictos en parejas del sur de Brasil

Marina Zanella Delatorre, Patrícia Scheeren, Adriana Wagner

Conflito conjugal: evidências de validade de uma escala de resolução de conflitos em casais do sul do Brasil

Avances en Psicología Latinoamericana, vol. 35, no. 1, 2017

Universidad del Rosario

Marina Zanella Delatorre

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil


Patrícia Scheeren

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil


Adriana Wagner

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil




Recepção: 10 Abril 2015

Aprovação: 19 Fevereiro 2016

Resumo: Este estudo teve por objetivo avaliar a estrutura fatorial do Conflict Resolution Styles Inventory (CRSI) para a população do sul do Brasil, além de relacionar as quatro dimensões de resolução de conflitos (resolução positiva, afastamento, submissão e envolvimento no conflito) medidas pela escala com variáveis sociodemográficas, a fim de compreender como os casais manejam seus conflitos. Participaram da pesquisa 750 mulheres e 750 homens casados, com idade média de 40,9 anos e que coabitavam com o companheiro atual em média há 15,78 anos. Os participantes responderam a um questionário de dados sociodemográficos e ao CRSI. Os dados revelam uma estrutura componencial da escala semelhante à original. A resolução positiva foi a mais empregada tanto por homens como pelas mulheres, apesar dos dados evidenciarem um padrão de demanda por parte das mulheres e recuo por parte dos homens. Recomendam-se adaptações na utilização da escala em português.

Palavras-chave conflito conjugal, relações conjugais, medidas, validade do teste.

Abstract: This study aimed to evaluate the factor structure of the Conflict Resolution Styles Inventory (CRSI) to a Southern Brazilian population. It also aimed to relate the four dimensions of conflict resolution (positive problem solving, conflict engagement, withdrawal and compliance) in the scale with sociodemographic variables in order to understand how couples handle their conflicts. Participants in the study were 750 married women and 750 married men with a mean age of 40.9 years. They were living with the current partner an average of 15.78 years. Participants answered a sociodemographic questionnaire and the CRSI. The data revealed a componential structure similar to the original scale. The positive problem solving style was the most used by both men and women, even though the data evidenced a pattern of demand by the women and withdrawal by the men. Adaptations are recommended for the use of the portuguese version of the scale.

Keywords: Marital conflict, marital relations, measurement, test validity.

Resumen: Este estudio tuvo como objetivo adaptar la estructura factorial del Conflict Resolution Styles Inventory (CRSI) para la población del sur de Brasil, además de relacionar las cuatro dimensiones de resolución de conflictos (resolución positiva, distanciamiento, sumisión y participación en el conflicto) medidas por la escala con variables sociodemográficas, con el fin de comprender cómo las parejas manejas sus conflictos. Participaron en la investigación 750 mujeres y 750 hombres casados, con edad promedio de 40,9 años y que cohabitaban con el compañero actual en promedio hace 15,78 años. Los participantes respondieron a un cuestionario de datos sociodemográficos y al CRSI. Los datos revelan una estructura componencial de la escala semejante a la original. La resolución positiva fue la más empleada tanto por los hombres como por las mujeres, a pesar de que los datos evidenciaron un patrón de demanda por parte de las mujeres y retroceso por parte de los hombres. Se recomiendan adaptaciones en la utilización de la escala en portugués.

Palabras clave: conflicto conyugal, relaciones conyugales, medidas, validez del test.

Os relacionamentos íntimos, dentre eles, a relação de conjugalidade, são centrais na vida adulta e a maneira como são vivenciados reverbera diretamente na saúde mental (Costa, 2005), física e profissional dos indivíduos envolvidos (Norgren, Souza, Kaslow, Hammerschmidt, & Sharlin, 2004; Kiecolt-Glaser, Gouin, & Hantsoo, 2010), além de serem apontados como fator preponderante para a qualidade de vida familiar (Mosmann, 2007; Mosmann, Zordan, & Wagner, 2011). Desta forma, há mais de cinco décadas, pesquisadores têm buscado identificar e compreender as variáveis que podem influenciar a satisfação nas relações amorosas.

Satisfação e conflitos na relação conjugal

A satisfação conjugal é definida como o grau de satisfação, confiança, respeito e interesses compartilhados pelos membros do casal (Scheeren, Vieira, Goulart, & Wagner, 2014). A satisfação com o relacionamento é associada a diversas variáveis na literatura internacional, como os padrões de comunicação entre os cônjuges (Bloch, Haase, & Levenson, 2014), as características de personalidade (Vater & Schröder-Abé, 2015), o apoio social (Volling, Oh, Gonzalez, Kuo, & Yu, 2015) e o conflito conjugal (Askari, Noah, Hassan, & Baba, 2012). No que diz respeito aos conflitos, a capacidade de utilizar estratégias adequadas no enfrentamento dos conflitos tem importantes implicações para a estabilidade da relação (Askari et al., 2012; Norgren et al., 2004). Mais especificamente, o uso de estratégias positivas de resolução de conflito conjugais se associa com maiores níveis de qualidade conjugal, pois os sujeitos implicados na relação adotam estratégias orientadas para a solução do conflito (Wheeler, Updegraff, & Thayer, 2010). Contudo, o uso de estratégias destrutivas e/ou competitivas de resolução de conflitos está relacionado de forma negativa à qualidade conjugal (Marchand & Hock, 2000).

Frente a tais evidências, destaca-se a importância de estudar e compreender o conflito conjugal como um fenômeno natural e inerente ao relacionamento dos casais. Considerando o contexto de interação, o conflito conjugal pode ser definido como qualquer situação que envolva diferença de opinião (Cummings & Davies, 2010). De acordo com essa definição, o conflito pode ser entendido como um evento presente em todos os relacionamentos conjugais e sua existência, por si só, não é sinônimo de problemas entre o casal. Entretanto, a maneira como são manejados e encaminhados é o que diferencia os casais, assim como regula seus níveis de saúde conjugal.

O conflito conjugal tem sido descrito a partir de quatro dimensões: frequência, conteúdo, intensidade e resolução. Algumas pesquisas demonstraram que a frequência com a qual casais vivenciam desentendimentos está associada à insatisfação conjugal (Caughlin & Vangelisti, 2006) e a problemas de ajustamento nos filhos (Grych & Fincham, 1990). Stutzman, Miller, Hollist e Falceto (2009) conduziram um estudo longitudinal que acompanhou casais brasileiros com filhos em três momentos (após nascimento da criança, aos dois e aos quatro anos) para investigar a relação entre conflito conjugal e problemas de comportamento nas crianças. Os resultados demonstraram associação entre os problemas comportamentais nos filhos e a alta frequência de conflitos no casal.

No que diz respeito ao conteúdo, a literatura nacional e internacional apresenta como temas frequentes de discussão entre o casal tópicos como: os filhos, o tempo que o casal desfruta juntos, as finanças familiares, tarefas domésticas, sexo (Mosmann & Falcke, 2011), questões envolvendo poder, falhas pessoais dos cônjuges, desconfiança, intimidade e distanciamento entre os membros do casal (Kurdek, 1994b), comunicação, hábitos pessoais, trabalho e relacionamentos extraconjugais (Amidu, Owiredu, Gyasi-Sarpong, Woode, & Quaye, 2011; Papp, Cummings, & Goeke-Morey, 2009; Pergher, 2010).

Quanto à intensidade dos conflitos, esta pode variar desde a discussão calma dos problemas até a violência física (Grych & Fincham, 1990). Conflitos intensos, especialmente quando envolvem situações de violência, contribuem para o desenvolvimento de problemas emocionais e de habilidades sociais nos filhos (Zimet & Jacob, 2001). No estudo conduzido por Mosmann e Falcke (2011), 32,3% dos casais apresentaram altos níveis de desentendimentos e de agressão e 31,5% apresentaram altos níveis em ambos, sendo que 67,7% apresentaram níveis altos em ao menos uma das dimensões. Os resultados encontrados pelas autoras, em uma amostra não clínica e nacional, reforçam a necessidade do estudo e da intervenção sobre o conflito conjugal.

Por fim, a resolução se mostra como uma das dimensões mais importantes relacionadas ao conflito conjugal, pois é um dos fatores determinantes para o impacto positivo ou negativo dos desentendimentos no relacionamento do casal (Reese-Weber & Bartle-Haring, 1998). Nessa perspectiva, as estratégias de resolução de conflitos conjugais, que são comportamentos por meio dos quais os membros do casal procuram manejar seus desentendimentos (Marchand & Hock, 2000), podem ser construtivas ou destrutivas. Alguns exemplos de estratégias construtivas descritas na literatura são a negociação, o acordo e a validação de pontos de vista. Exemplos de estratégias destrutivas são a culpabilização, a evitação, a submissão, a agressão verbal e a violência física (Gottman, 1994; Sillars, Canary, & Tafoya, 2004; Straus, 1979; Woodin, 2011). Diferentes estratégias de resolução podem ser utilizadas pelo mesmo indivíduo, compondo o estilo de resolução de cada cônjuge. A combinação dos estilos de resolução de cada um dos membros do casal origina padrões de interação conjugal. Alguns desses padrões, notadamente negativos, são descritos pela literatura: a negatividade recíproca, a escalada negativa e o padrão de demanda e recuo.

A negatividade recíproca é um padrão no qual a negatividade de um dos cônjuges aumenta a probabilidade de resposta negativa de seu companheiro (Gottman, Coan, Carrere, & Swanson, 1998). O padrão de escalada negativa ocorre quando comportamentos negativos se desenvolvem em intensidade crescente, tornando-se difíceis de ser interrompidos. Esses comportamentos geralmente são acompanhados de sentimentos negativos, que ajudam a manter o ciclo ativo (Wagner & Mosmann, 2012).

Por fim, o padrão de demanda e recuo ocorre quando um dos membros do casal tenta discutir um assunto e o outro o ignora. O cônjuge ignorado tenta chamar a atenção sendo mais carinhoso, extrovertido (Christensen, 1988) ou hostil (Wagner & Mosmann, 2012) do que o usual. Em contrapartida, o outro cônjuge se sente pressionado e se afasta ainda mais, gerando sentimentos de incompreensão e não aceitação do companheiro que demandava a mudança (Christensen, 1988). Alguns estudos mostram que as mulheres tendem a assumir o papel de demanda e os homens, o papel de recuo (Christensen, 1988; Christensen, Eldridge, Catta-Preta, Lim, & Santagata, 2006). Essa diferença vai ao encontro dos achados de alguns estudos demonstrando que as mulheres tendem a ser mais expressivas na resolução dos conflitos, seja de forma positiva ou negativa (Wheeler et al., 2010; Woodin, 2011). Além disso, a emergência de um contexto no qual as relações familiares são mais igualitárias possibilita que as mulheres tenham mais liberdade em expressar suas insatisfações e discordâncias em relação ao companheiro (Negreiros & Féres-Carneiro, 2004), tornando mais evidente a diferença entre os papeis de demanda e recuo. Em contraposição, outros estudos demonstram que o papel assumido por cada cônjuge não depende do gênero, mas sim de seu interesse no assunto a ser discutido (Baucom, McFarland, & Christensen, 2010; Holley, Sturm, & Levenson, 2010).

Apesar dos resultados contraditórios sobre o papel de quem demanda e quem recua, há consenso de que esse padrão é um dos mais prejudiciais para o relacionamento conjugal. Christensen et al. (2006) apresentaram evidências de que comportamentos de demanda e recuo estão relacionados à insatisfação conjugal, em um estudo transcultural que incluiu amostras provenientes do Brasil, Itália, Taiwan e Estados Unidos. É importante destacar que o estudo demonstrou ainda um efeito relacionado ao país de origem, no qual o Brasil apresentou maior frequência do uso do padrão de demanda e recuo em relação aos outros países. Nesse sentido, é possível que casais latinos possuam crenças mais baseadas em papéis tradicionais de gênero, que colocam as mulheres como principais responsáveis pela manutenção do relacionamento. Assim, as esposas responderiam de forma mais ativa frente aos conflitos, enquanto os homens buscariam evitá-lo (Wheeler et al., 2010). Diferenças de gênero nesse sentido são encontradas em casais brasileiros (Scheeren, Delatorre, Neumann, & Wagner, 2015) e de origem mexicana (Wheeler et al., 2010).

Resolução de conflitos: instrumentos de avaliação

O impacto das estratégias de resolução de conflitos conjugais no casal e na família impulsionou o desenvolvimento de diversos instrumentos para avaliar essas estratégias. Alguns dos mais utilizados são a Conflict Tactics Scales (CTS; Straus, 1979), a The Revised Conflict Tactics Scales (CTS2; Straus, Hamby, Boney-McCoy, & Sugarman, 1996) e a Marital Conflict Scale (MCS; Gottman, 1994). A CTS, com 80 itens, e a CTS2, com 78 itens, apesar de muito utilizadas, destacam-se por avaliar a presença de violência verbal, violência física, injúria e negociação entre o casal e, por isso, são mais indicadas para a avaliação de casais disfuncionais. Já a MCS, composta de 59 itens, avalia três tipos de casais identificados pelo autor do instrumento: evitador, volátil e validador, de acordo com os padrões de comunicação estabelecidos pelos cônjuges no momento dos conflitos (Gottman, 1994).

No presente estudo, será utilizado o Conflict Resolution Styles Inventory (CRSI; Kurdek, 1994a), que é baseado na ideia de que a manutenção e a estabilidade do relacionamento são afetadas pelo estilo individual de cada parceiro na resolução de conflitos interpessoais. Trata-se de um instrumento curto que, ainda assim, abrange um amplo leque de comportamentos que podem ser utilizados pelos cônjuges na resolução dos desentendimentos.

O CRSI apresenta 16 itens, nos quais cada parceiro aponta a frequência com que utiliza cada um dos estilos de resolução de conflitos apresentados: resolução positiva de problemas, envolvimento no conflito, afastamento e submissão. A “resolução positiva” de problemas é caracterizada pela tentativa de alcançar uma solução para os problemas que atenda às necessidades de ambos os cônjuges, por meio da negociação e do acordo. O “envolvimento no conflito” diz respeito a ataques pessoais, insultos e perda do controle, quando o indivíduo diz ou faz coisas que não queria ter dito ou feito. O “afastamento” se refere à tentativa de excluir o outro, afastar-se, recusar-se a discutir o problema em questão e ficar em silêncio por longos períodos de tempo. Já a “submissão” ocorre quando um dos membros do casal é condescendente, desiste de defender seu ponto de vista e aceita passivamente a opinião do outro (Kurdek, 1994a).

Muito embora seja evidente a importância da temática para a clínica com casais, a consulta à literatura revela uma carência de estudos com a população brasileira sobre o conflito conjugal (Rosado, 2014). Muitos dos estudos encontrados no contexto brasileiro versam sobre a reverberação do conflito conjugal na saúde dos filhos (Benetti, 2000; Goulart, Wagner, Barbosa, & Mosmann, 2015, no prelo), mas pouco é estudado no subsistema conjugal. Desta forma, essa pesquisa visa contribuir para os estudos na área ao adaptar a estrutura do CRSI para a população do sul do Brasil, além de relacionar os quatro estilos de resolução de conflitos (resolução positiva, envolvimento no conflito, afastamento e submissão) com variáveis sociodemográficas da população estudada, a fim de compreender como os casais manejam seus conflitos.

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 1 500 sujeitos, 750 mulheres e 750 homens casados, que coabitavam com seu(a) parceiro(a) e de orientação heterossexual, conforme a declaração dos próprios participantes. Os participantes residiam em 67 municípios do estado do Rio Grande do Sul (Brasil). As idades variaram entre 18 e 80 anos, sendo a idade média dos participantes de 40,9 (DP = 11,07).

Foram incluídos no estudo somente os participantes que viviam juntos por no mínimo seis meses, tempo mínimo para que o casal estabeleça um padrão de funcionamento e uma rotina conjugal (Wagner, Falcke, & Meza, 1997; Wagner, Ribeiro, Arteche, & Bornholdt, 1999). Não houve critérios de exclusão para participar da pesquisa por se tratar de um levantamento sobre a população em geral. Nesta amostra, 69% estavam casados oficialmente, sendo que 78,8% tinham filhos. O tempo médio de relacionamento com o cônjuge atual foi de 15,78 anos (DP = 10,40). As características sociodemográficas dos participantes são apresentadas na tabela 1.

Tabela 1
Características sociodemográficas da amostra

Características
sociodemográficas da amostra


Conforme pode ser verificado na tabela 1, os participantes representam diversos níveis socioeconômicos e de escolaridade, sendo que a maior concentração de renda pessoal mensal é de 1 a 3 salários mínimos. A maior parte da amostra trabalha fora de casa e nunca realizou terapia. Com relação à prática religiosa, a maior parte dos participantes (89,9%) é praticante de alguma religião, com diferentes intensidades.

Instrumentos

Questionário sociodemográfico: desenvolvido para essa pesquisa a fim de caracterizar a amostra investigada quanto à idade, escolaridade, renda, estado civil, tempo de relacionamento, situação de trabalho, prática religiosa e ter realizado terapia, composto por 17 itens com respostas fechadas e de múltipla escolha.

The Conflict Resolution Style Inventory (CRSI; Kurdek, 1994a): foi usado para avaliar os padrões de resolução de conflitos conjugais, compreendendo quatro estilos: resolução positiva dos problemas, envolvimento no conflito, afastamento e submissão. O instrumento original é composto de duas partes, cada uma com 16 itens medidos em uma escala Likert de cinco pontos (1 = nunca e 5 = sempre), que avaliam a perspectiva do respondente e do seu companheiro. Neste estudo, foi aplicada apenas a parte que dizia respeito ao próprio participante. Os valores das respostas de cada subescala são somados, resultando na formação de quatro escores que podem variar de quatro a vinte e cinco, em função do número de itens de cada dimensão, calculando-se o valor médio de cada subescala. Os alfas de Cronbach das quatro subescalas variaram de 0,65 a 0,89.

Para esta pesquisa, a escala foi traduzida e adaptada para uma amostra de adultos brasileiros. A adaptação foi feita por meio da tradução da escala para português brasileiro por três psicólogos bilíngues. Foram produzidas três versões do instrumento, as quais, depois de comparadas e discutidas as discrepâncias pelos três tradutores, originaram uma única versão. Essa versão foi traduzida novamente para o inglês para fins de comparação com o CRSI original. Esse processo originou a versão final da escala que foi aplicada nesta pesquisa.

Procedimentos

Os participantes foram acessados por critério de conveniência, a partir do contato com escolas, centros comunitários, e igrejas as quais facilitaram o acesso aos mesmos, além disso, utilizou-se também o critério de indicação dos próprios sujeitos resultando em um efeito bola de neve (Velasco Maillo & Dias de Rada, 1997). Esses contatos foram realizados paralelamente em 67 municípios do Rio Grande do Sul. A coleta dos dados ocorreu entre agosto de 2010 e dezembro de 2011, na residência dos participantes, após agendamento prévio por telefone. Todos os questionários foram respondidos na presença de um membro do grupo de pesquisa, que orientava os participantes a preencher todos os instrumentos individualmente, pensando na sua relação conjugal atual. A ordem de aplicação dos instrumentos seguiu a de apresentação das escalas na seção Instrumentos deste artigo. A coleta de dados foi precedida pelo preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido por todos os participantes, sendo assegurado o anonimato das informações. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob o registro CAAE 33175114.1.1001.5334.

Com relação à análise dos dados, para verificar a estrutura da escala, foi realizada uma análise de componentes principais e análise de consistência interna da CRSI. Para verificar as médias dos estilos de resolução de conflitos foram realizadas análises descritivas para cada estilo de conflito, comparando homens e mulheres. Por fim, para averiguar as relações entre as variáveis sociodemográficas e os quatro estilos de resolução de conflitos conjugal, foram realizadas análises de variância (Anova). Foram atendidos os pressupostos para a análise, tais como normalidade dos dados, erros independentes e homocedasticidade. O tratamento dos missings foi realizado por meio de regressão linear múltipla.

Resultados

Análise de componentes principais

Foi realizada uma análise de Componentes Principais com rotação varimax para verificar o agrupamento dos itens nas dimensões da CRSI. Os resultados apontam quatro componentes, que apresentam variância explicada de 55,38%: “envolvimento no conflito”, “resolução positiva”, “afastamento” e “submissão” (tabela 2). Os pressupostos para realizar a análise foram atendidos (KMO = 0,852 e teste de esfericidade de Bartlett, p < 0,001).

Os itens 8 e 11 carregaram em componentes diferentes dos apontados pelos autores da escala na amostra estudada. De acordo com o autor da escala (Kurdek, 1994a), o item 8 “sou muito compreensivo” deveria carregar na dimensão “submissão”. Na amostra estudada, esse item carregou na dimensão “resolução positiva”. O item 11 “mando sair de perto de mim” deveria carregar em “afastamento”, mas carregou em “envolvimento no conflito” nessa amostra. Ainda, o item 16 “desisto rápido depois de ter tentado expor meu ponto de vista” apresenta cargas componenciais acima de 0,40 para as dimensões de “afastamento” e “submissão”. Como a carga foi mais alta para “submissão”, o item foi considerado neste componente.

A análise de consistência interna dos componentes foi realizada por meio do alfa de Cronbach, e os resultados apresentam alfas adequados para todas as dimensões, no entanto, dois alfas ficaram abaixo do ponto de corte de 0,70 (α = 0,526 e 0,611). Nota-se que esses valores correspondem às subescalas de “afastamento” e “submissão”, que tiveram o número de itens diminuído para três após a análise de componentes principais. Os baixos alfas podem estar relacionados à sensibilidade desta análise ao número reduzido de itens.

Tabela 2
Resultados da análise de componentes principais dos itens da CRSI

Resultados
da análise de componentes principais dos itens da CRSI


Análises descritivas e de variância dos estilos de resolução de conflitos conjugais

A fim de observar o comportamento das variáveis, realizou-se uma análise descritiva através de médias e desvio-padrão. As médias das estratégias de resolução de conflitos de homens e mulheres são apresentadas abaixo, bem como as diferenças entre homens e mulheres (tabela 3).

Tabela 3
Estratégias de resolução de conflitos de homens e mulheres

Estratégias
de resolução de conflitos de homens e mulheres

*p < 0,05 **p < 0,01


Foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres com relação aos estilos de resolução de conflitos “envolvimento no conflito” e “afastamento”. O estilo “submissão” apresentou significância estatística limítrofe (p = 0,052). As mulheres apresentaram maiores índices no estilo “envolvimento no conflito” e valores menores no estilo “afastamento” quando comparado com os homens.

Para verificar as diferenças de média entre os estilos de resolução de conflitos e as variáveis sociodemográficas, foram realizadas oito análises de variância. Para as variáveis praticante religião, escolaridade e renda foram realizadas análises post-hoc utilizando a correção de Bonferroni (tabela 4).

Tabela 4
Anova dos estilos de resolução de conflito e variáveis sociodemográficas e análises post-hoc para as variáveis: praticante religião, escolaridade e renda

Anova
dos estilos de resolução de conflito e variáveis sociodemográficas
e análises post-hoc para as variáveis: praticante religião, escolaridade e
renda

*p < 0,05 **p < 0,01
Nota. Símbolos idênticos indicam não haver diferenças de média entre os níveis de cada variável, de acordo com o teste post hoc de Bonferroni.


As análises de variância apontam para diferenças significativas entre a variável cônjuge e os estilos de resolução “envolvimento no conflito” (M = 1,77 para maridos e M = 2,02 para esposas, p < 0,001) e “afastamento” (M = 2,45 para maridos e M = 2,30 para esposas, p < 0,001). Para a “submissão”, a diferença entre os cônjuges foi limítrofe (M = 2,20 para maridos e M = 2,12 para esposas, p = 0,052). A variável situação conjugal apresentou diferença significativa no estilo “envolvimento no conflito” (M = 1,85 para casado oficialmente e M = 2,00 para morando juntos, p < 0,001). Os participantes que trabalham fora utilizaram mais o estilo “afastamento” (M = 2,40) que aqueles que não trabalham fora (M = 2,27, p = 0,013).

Na variável faz terapia, encontrou-se que aqueles que já fizeram terapia (M = 2,02) utilizam mais o estilo “envolvimento no conflito” que aqueles que nunca fizeram terapia (M = 1,85, p < 0,001). Porém, estes últimos fazem mais uso da “submissão” (M = 2,20) do que aqueles que já fizeram terapia (M = 2,09, p = 0,019). Com relação à variável tem filhos, os participantes que têm filhos utilizam mais o estilo “afastamento” (M = 2,40, p = 0,012) e a “submissão” (M = 2,23, p < 0,001) do que aqueles que não possuem filhos (M = 2,27 e M = 1,93, respectivamente).

De maneira geral, as análises post hoc mostraram que participantes praticantes de uma religião utilizaram mais a “resolução positiva” e a “submissão”, enquanto que fizeram menos uso do “envolvimento no conflito” e do “afastamento” em comparação aos que praticam pouco ou nada. Pessoas com pós-graduação completa utilizaram mais a “resolução positiva” em relação àqueles com ensino fundamental e médio, e menos “submissão” do que participantes com ensino médio e superior. No que diz respeito à renda, os respondentes que recebiam entre um e três salários mínimos utilizaram mais os estilos “envolvimento no conflito” e “submissão”, comparados aos que possuíam maiores rendimentos. Por fim, aqueles com renda de sete ou mais salários mínimos se afastaram mais do conflito em relação aos participantes sem renda.

Discussão

O conflito conjugal é um fenômeno natural e inerente à relação conjugal e a maneira como é encaminhado está associada à satisfação com o relacionamento de casal, tendo inclusive implicações para a estabilidade da relação (Askari et al., 2012; Norgren et al., 2004). Dada a importância dessa variável e a escassez de medida de avaliação psicométrica dos estilos de resolução de conflitos conjugais para a realidade brasileira, este artigo teve por objetivo verificar a semelhança da estrutura da versão em português brasileiro da escala CRSI em relação à versão original em língua inglesa. Buscou-se também relacionar os quatro estilos de resolução de conflitos da escala com variáveis sociodemográficas da população estudada.

Evidências de validade do CRSI

Para isso, realizou-se uma análise de componentes principais com a versão adaptada da escala. As análises revelaram uma estrutura componencial semelhante à original, com as quatro dimensões propostas por Kurdek (1994a): resolução positiva do conflito, envolvimento no conflito, afastamento e submissão. Apenas dois itens carregaram em dimensões diferentes da escala original: o item 8 “sou muito compreensivo” e o item 11 “mando sair de perto de mim”.

Com relação ao item 8, “sou muito compreensivo”, na versão original being too compliant, compunha a dimensão de “submissão”. Neste estudo, o item traduzido carregou na dimensão de “resolução positiva do conflito”. O termo original compliant, traduzido para o português como complacente, remete a ideia de ceder voluntária ou espontaneamente ao desejo ou pedido de alguém. Desta forma, entende-se que ser complacente está relacionado a um comportamento de submissão, enquanto que ser compreensivo implica em empatia, sendo percebido como uma característica positiva de resolução. Assim, os respondentes brasileiros provavelmente tiveram uma interpretação do item diferente dos participantes americanos. Já o item 11 “mando sair de perto de mim” carregou na dimensão “envolvimento no conflito” em vez de “afastamento”. Apesar do conteúdo do item indicar uma tentativa de afastar o outro, os participantes podem ter interpretado como um comportamento hostil ou agressivo.

Por fim, o item 16, “desisto rápido depois de ter tentado expor meu ponto de vista”, manteve-se na estrutura original da escala na dimensão “submissão”, porém, também apresentou carga componencial no “afastamento”. O conteúdo desse item remete ao comportamento de submissão ao desistir ou ceder diante do ponto de vista do outro, contudo, entende-se que esta também pode ser uma forma de evitar ou afastar-se do conflito. Esse resultado demonstra o quanto essas duas dimensões são conceitualmente próximas, já que ambas caracterizam-se pela tentativa de evitar encarar o problema/conflito.

Quanto à consistência interna da escala, os alfas de Cronbach tiveram valores inferiores aos da escala original, que variaram de 0,65 a 0,95. Para esta amostra, os alfas de Cronbach tiveram valores entre 0,52 e 0,77. Apesar de dois deles estarem abaixo do ponto de corte de 0,70 (“afastamento” = 0,61 e “submissão” = 0,52), estas duas dimensões foram compostas de apenas três itens cada após as mudanças na estrutura. Tendo em vista que esta análise é sensível ao número de itens (Cortina, 1993), e que as cargas componenciais dos itens estão todas acima de 0,5, pode-se considerar que o instrumento é confiável para a avaliação dos quatro estilos de resolução de conflitos. Contudo, ressalta-se que os resultados se referem a uma amostra de residentes no Rio Grande do Sul, recomendando-se a aplicação em outras regiões do Brasil.

Estratégias de resolução de conflitos

A análise dos estilos de resolução de conflitos na amostra demonstrou que a “resolução positiva” foi o estilo mais frequente entre os participantes. Dada a importância do encaminhamento do conflito conjugal para a vida a dois, considera-se benéfico o predomínio desse estilo, tanto para os homens como para as mulheres. Pode-se pensar que quanto mais um parceiro apresente habilidades sociais e satisfação com a relação, maior é a probabilidade que seu cônjuge o perceba e aja de maneira próxima (Sbicigo & Lisbôa, 2009).

A cultura e o contexto podem ser fatores importantes na compreensão desse resultado. Negreiros e Féres-Carneiro (2004) apontam a existência de um novo modelo de família, com relacionamentos mais igualitários e maior flexibilidade nos papéis tradicionais de gênero, o que influencia na resolução dos conflitos (Cheng, 2010). Pode-se pensar que hoje as mulheres assumem responsabilidades que antes eram masculinas, como o sustento da casa e trabalhar fora, e que homens também podem optar por tarefas consideradas classicamente como mais femininas, como o cuidado do lar e dos filhos. Essa mudança dos papéis de gênero tem implicações no relacionamento conjugal, onde o papel masculino já não é necessariamente autoritário, permitindo às mulheres maior liberdade de opinião. Consequentemente, as esposas podem acabar se expondo e se envolvendo mais no conflito.

Apesar do predomínio da “resolução positiva” de conflitos, os demais estilos também apareceram entre os participantes da pesquisa, havendo diferenças para homens e mulheres quanto ao emprego dos estilos “envolvimento no conflito” e “afastamento”. As mulheres apresentaram maiores índices de “envolvimento no conflito” e valores menores de “afastamento” quando comparadas aos homens. Esse resultado remete ao padrão de demanda e recuo (Christensen, 1988), quando um dos membros do casal tenta discutir um assunto e o outro ignora. Pode-se pensar que as mulheres apresentaram um papel de demanda ao se envolverem mais nos conflitos, buscando encaminhar o desentendimento através de comportamentos de ataques pessoais e insultos. Já os homens, assumiram o papel de recuo ao afastarem-se do problema, recusando-se a discutir ou ficando em silêncio. Esse resultado vai ao encontro dos achados da literatura, que apontam um predomínio do papel de demanda por parte das mulheres e recuo por parte dos homens (Christensen, 1988; Christensen et al., 2006).

Contudo, esse resultado deve ser interpretado com cautela, pois as análises não foram realizadas considerando as díades conjugais (Kenny & Ledermann, 2010). Pode-se supor um comportamento de maior “envolvimento no conflito” por parte das mulheres e de “afastamento” do lado dos homens, não sendo possível afirmar se em cada casal esse padrão se confirma. Porém, os achados da pesquisa transcultural realizada por Christensen et al. (2006) já apontaram que dentre os países pesquisados, o Brasil apresentou maior frequência de uso do padrão de demanda e recuo com relação aos demais.

Apesar do alerta para o uso do padrão demanda e recuo, um dos mais prejudiciais para o relacionamento de casal, ressalta-se que a amostra estudada apresenta maiores níveis de “resolução positiva”, combinada aos outros três estilos de resolução de conflitos. Esse dado mostra o uso de diversas possibilidades de manejo frente aos desentendimentos e indica flexibilidade, denotando bons níveis de saúde conjugal na amostra estudada.

A fim de compreender o uso dos estilos de resolução de conflitos pela população investigada, associações entre os quatro estilos e variáveis sociodemográficas foram realizadas. Sabe-se que o uso da “resolução positiva” de conflitos é benéfico para a saúde conjugal, assim como para o bem-estar pessoal daqueles envolvidos, uma vez que prioriza a negociação e o acordo diante dos desentendimentos. Nesta amostra, o uso de tal estilo se associou à escolaridade, ou seja, pessoas com pós-graduação utilizaram mais a “resolução positiva” do que aqueles com ensino fundamental e médio. É possível que o uso desse estilo passe pelo controle das emoções frente aos conflitos, e que implique o uso de capacidades cognitivas para negociação, facilitando àqueles com maiores níveis de escolaridade.

Além disso, ser praticante de uma religião esteve associado à “resolução positiva”, de maneira que pessoas mais praticantes teriam uma maior tendência a encaminharem seus conflitos de forma positiva. Da mesma forma, pessoas que praticam muito uma religião tendem a se afastar menos quando comparadas àqueles que praticam nada ou pouco. A valorização do casamento e a ideia de que a relação conjugal é indissolúvel, presente nas religiões de forma geral, podem contribuir para que os cônjuges com maior religiosidade busquem de forma mais ativa resolver seus conflitos, a fim de garantir a manutenção do relacionamento. Em contraposição, praticantes de religião utilizaram mais o estilo “submissão” do que não praticantes. Esse resultado pode estar relacionado tanto à crença de que se submetendo ao cônjuge as brigas serão evitadas e o relacionamento será protegido, quanto à ideia de que a resignação é parte do casamento, no qual se deve subjugar os desejos individuais em favor da família (Mahoney, 2005).

Com relação ao estilo “envolvimento no conflito”, participantes que fazem ou já fizeram terapia se envolvem mais no conflito em relação àqueles que nunca fizeram terapia, enquanto que estes últimos utilizaram mais o estilo de “submissão”. Pode-se pensar que aqueles que passam por um processo terapêutico não se sentem tão ameaçados ao vivenciarem e expressarem suas emoções negativas e, dessa forma, tendem a ser menos submissos.

O estilo “afastamento” foi mais utilizado por aqueles que trabalham fora de casa do que por aqueles que não trabalham. Trabalhar fora de casa pode significar ter menos tempo para o relacionamento conjugal, ao mesmo tempo em que há mais atividades fora do casamento que possam servir de refúgio em momentos de conflito. Ter filhos também foi uma variável de influência nesse mesmo aspecto, sendo que as pessoas que têm filhos se afastaram mais do conflito e mostraram-se mais submissas do que aquelas que não têm filhos. Essa relação entre ter filhos e comportamentos evasivos de resolução de conflitos pode estar relacionada às mudanças de papéis dos cônjuges após a chegada dos filhos, quando a parentalidade passa a coexistir com a conjugalidade. Além disso, a ideia de que presenciar os conflitos dos pais é prejudicial para os filhos pode contribuir para que o casal evite discutir perante determinados desentendimentos.

O estilo “submissão”, por sua vez, é mais utilizado por aqueles que praticam uma religião do que por aqueles que não praticam, assim como por pessoas com escolaridade fundamental em relação àquelas com níveis maiores de escolaridade. Aqueles que têm pós-graduação usam menos a “submissão” do que os participantes que têm ensino médio ou superior completo. Pessoas com renda entre 1 e 3 salários mínimos usam mais a “submissão”, em comparação àquelas com renda superior a quatro salários mínimos. Por fim, participantes que possuem uma renda pessoal de 1 a 3 salários mínimos tendem a se envolver mais no conflito do que aqueles com uma renda superior a 4 salários mínimos. Nesse sentido, pode-se pensar na relação entre dinheiro e poder estabelecida na sociedade contemporânea, na qual pessoas com maior poder aquisitivo são vistas como mais poderosas, podendo explicar o papel mais submisso daqueles com menor condição econômica.

Apesar dos resultados deste estudo indicarem associações entre os estilos de resolução de conflitos e variáveis contextuais, estes devem ser considerados com cautela devido aos baixos tamanhos de efeito. Este dado nos faz pensar que existem outras variáveis influenciando no fenômeno, podendo-se pensar em características pessoais, estilo de apego (Scheeren et al., 2014) e variáveis associadas ao relacionamento conjugal, como a satisfação conjugal.

Conclusões

A versão brasileira do Conflict Resolution Styles Inventory (CRSI) se mostrou adequada para a avaliação dos estilos de resolução de conflitos: resolução positiva, envolvimento no conflito, afastamento e submissão. Recomenda-se que, para a população brasileira, a escala seja utilizada com as modificações propostas neste estudo, embora a escala ainda precise ser investigada em amostras de outras regiões do país, além da região sul, e em casais homossexuais. Reconhece-se a importância de considerar os estilos de resolução de conflitos de ambos os membros do casal na avaliação do encaminhamento dos desentendimentos. Por tratar-se de uma relação dinâmica, a forma como um dos membros do casal maneja o conflito reverberará na maneira como o outro percebe e encaminha o conflito. Assim, a avaliação individual dos cônjuges dá uma ideia parcial do fenômeno, não dando conta da complexidade da relação conjugal.

Sugere-se que estudos futuros considerem a díade conjugal como unidade de análise, permitindo verificar padrões de interação no casal. Além disso, salienta-se que os dados são provenientes de uma amostra de participantes heterossexuais do sul do Brasil, não podendo ser generalizados. Nesse sentido, são necessários estudos similares que contemplem outras regiões do Brasil e outras orientações sexuais.

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Informação adicional

Cómo citar este artículo: Delatorre, M. Z., Scheeren, P., & Wagner, A. (2017). Conflito conjugal: evidências de validade de uma escala de resolução de conflitos em casais do sul do Brasil. Avances en Psicología Latinoamericana, 35(1), 79-94. doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.3742

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