Planejamento estratégico e slow movement: reflexões a partir de um pequeno município brasileiro sob a ótica sociológica de Norbert Elias


Doi: https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/territorios/a.10325



RESUMO

O objetivo é analisar e compreender a inserção do slow movement no contexto de uma comunidade local, no âmbito da modernidade e de suas disfunções em uma sociedade "glocal", sob as lentes teóricas de Norbert Elias em sua teoria sociológica e suas reflexões sobre o tempo. Aplicou-se o estudo de caso em Rio Doce (Minas Gerais, Brasil) para verificar os impactos do desenvolvimento territorial do Plano estratégico slow city, disponibilizado à prefeitura do município estudado, inspirado nas diretrizes do movimento slow city, por meio da pesquisa-ação. O processo de realização da pesquisa-ação envolveu diversas etapas que podem ser verificadas a partir dos dados de análise, dos quais emergiram expectativas com relação ao movimento e, simultaneamente, à construção histórica do município, que levou a concluir que o slow movement está orientado para pautas mais democráticas e dialógicas, sem, contudo, romper com a lógica da modernidade e suas consequências.

Palavras-chave:

Slow movement, modernidade, comunidade, espaço territorial, Rio Doce (Minas Gerais, Brasil)


RESUMEN

El objetivo es analizar y comprender la inserción del slow movement en el contexto de una comunidad local, en el contexto de la modernidad y sus disfunciones en una sociedad "glocal", bajo el lente teórico de Norbert Elias en su teoría sociológica y sus reflexiones sobre el tiempo. Se aplicó el estudio de caso en Rio Doce (Minas Gerais, Brasil) para verificar los impactos del desarrollo territorial del plan estratégico slow city, puesto a disposición de la gestión pública de la ciudad en estudio, inspirado en los lineamientos del movimiento slow city, a través de la investigación acción. El proceso de realización de la investigación acción involucró varios pasos que se pueden verificar a partir de los datos de análisis, de los cuales surgieron expectativas con relación al movimiento y, simultáneamente, a la construcción histórica del municipio, lo que llevó a la conclusión de que el slow movement se orienta hacia agendas más democráticas y dialógicas, sin romper, sin embargo, con la lógica de la modernidad y sus consecuencias.

Palabras clave:

Slow movement, modernidad, comunidad, espacio territorial, Rio Doce (Minas Gerais, Brasil)


ABSTRACT

The objective is to analyze and understand the insertion of the slow movement in the context of a local community, in the context of modernity and its dysfunctions in a "glocal" society, under the theoretical lens of Norbert Elias' sociological theory and his reflections on time. The case study in Rio Doce (Minas Gerais, Brazil) was applied to verify the impacts of the territorial development of the slow city strategic plan, made available to the public management of the studied city, inspired by the guidelines of the slow city movement, through action research. The process of conducting the action research involved several steps that can be verified from the analysis data, from which expectations emerged with the movement and, simultaneously, with the historical construction of the municipality, which led to the conclusion that the slow movement is oriented toward more democratic and dialogical agendas, without, however, breaking with the logic of modernity and its consequences.

Keywords:

Slow movement, modernity, community, territorial space, Rio Doce (Minas Gerais, Brazil)


O slow movement, em sua dimensão discursiva, apresenta-se como movimento ideológico e filosófico para territórios de pequeno porte. Ele permite a uma comunidade pensar em uma nova lógica sobre a condução de uma localidade, inserindo, em suas dinâmicas de governança territorial, elementos mais substantivos e multidimensionais (Dallabrida, 2022) relacionados ao chamado "bem-viver" (Azam, 2017), explorando aspectos que vão além da monológica do desenvolvimento urbano pautado pela racionalidade do capital e que possibilitem a ressignificação do indivíduo com o seu espaço (Carvalho, 2014), sobretudo em países do Sul global (Dados & Connell, 2012).

Nesse sentido, o movimento se apresenta como alternativa ao desenvolvimento das cidades de pequeno porte (Fraga et al., 2021), sob a lógica hegemônica da globalização, em que tendências das grandes metrópoles influenciam ou determinam o desenvolvimento dos municípios (Kwiatek-Soltys & Mainet, 2015). Dotado de intensa capilaridade, segundo Honoré (2006), o slow movement se expande para diversos aspectos da vida pública e privada, tendo manifestações no âmbito da gastronomia -slow food (Hendrikx & Lagendijk, 2022)-, da educação -slow education (Van der Sluis, 2020)-, do turismo -slow tourism (Mavric et al., 2021)- e no âmbito das cidades e da gestão pública municipal -slow city (Kim et al., 2022)-.

No contexto do presente trabalho, enfatizou-se o movimento slow city, sem, contudo, desconsiderar as lógicas das demais vertentes do slow movement. Iniciado na Europa, nos idos de 1980 e 1990, o movimento ganha adesão em todo o mundo, tendo sido instituído, inclusive, no contexto brasileiro. O slow city tem suas bases ideológicas no chamado "slow movement" ou "movimento slow", como tem sido tratado por alguns autores (Bauer, 2016; Ferreira et al, 2014; Mendonça & Macoppi, 2014), cujas reflexões filosóficas são compostas de elementos que denunciam o culto à velocidade e ao progresso irrefletido, monológico e unidirecional, defendendo a importância de se considerarem elementos da subjetividade humana na vida em sociedade de modo a possibilitar aos indivíduos o aprimoramento, como pessoas autônomas e livres.

Nessa direção, pensar esse movimento consiste em considerar as consequências da modernidade, isto é, sobre a configuração da vida na sociedade, a partir de um projeto de modernidade, como apregoam Bauman (2008a) e Giddens (1991).

Dessa forma, pensar em um movimento contra-hegemônico como o slow e suas vertentes pode denotar em algo associável à pós-modernidade (Harvey, 2008), requerendo estudos longitudinais e análises científicas. Contudo, conforme observare nos achados de Giddens (1991), o engendramento dos aspectos advindos da vida moderna configura forte barreira a uma contracultura ou contrafilosofia, de forma expressiva.

No âmbito das cidades, considerando o contexto brasileiro, evidenciam-se experiências de tentativas de inserção do movimento em municípios potencialmente turísticos, por exemplo, Antônio Prado (Rio Grande do Sul), Santa Teresa (Espírito Santo) e Tiradentes (Minas Gerais). Ainda que não seja a ênfase do presente artigo, compreender a realidade desses municípios quando se lança olhar para o modus operandi dessas localidades, é possível verificar a intencionalidade disfarçada de discurso, inserida em tais cidades, no movimento. Além disso, verificam-se investigações cujos achados evidenciam a inaplicabilidade do conceito diante de conflitos e contradições ante a proposta filosófica do movimento e a realidade relacionada à lógica mercadológica e à estandardização do desenvolvimento (Bauer, 2016; Karabag et al., 2012; Ruschel, 2012).

Ainda assim, acompanhou-se, no presente trabalho, a tentativa de um município de pequeno porte em pautar o seu desenvolvimento sob a orientação do slow movement, partindo-se de suas premissas básicas para construir uma orientação política para a gestão municipal. Desse processo de acompanhamento, emergiram inquietudes relacionadas às dimensões histórica, social e psicológica dos indivíduos envolvidos no processo (Elias, 1994). Nesse sentido, durante a sua condução empírica, verificou-se a impossibilidade de qualquer determinismo, constatando-se o dinamismo entre indivíduo e sociedade, entre história e sujeito, entre coletividades e singularidades.

Considerando o contexto situacional do fenômeno analisado e com base na vida líquido-moderna proposta por Bauman (2008a), emerge a seguinte pergunta norteadora da presente pesquisa: de que forma o slow movement influencia as dinâmicas sociais do espaço de uma comunidade?

Nesse sentido, o presente trabalho pretende analisar e compreender a inserção do slow movement no contexto de uma comunidade local, no âmbito da modernidade e de suas disfunções em uma sociedade "glocal", sob as lentes teóricas dos achados de Norbert Elias, em sua teoria sociológica e em suas reflexões sobre o tempo.

O raciocínio que norteia a construção do presente artigo possui duas dimensões básicas: 1) inicialmente, realização de uma construção próxima ao ensaio teórico, compreendendo o movimento slow em sua perspectiva epistemológica e contrastando-o com a modernidade, com a vida líquida e com suas consequências e capilaridades; 2) análise teórico-empírica de uma experiência vivenciada ao acompanhar a implementação do movimento slow city em um município brasileiro. Nesse fenômeno, buscou-se compreender a realidade investigada por meio das lentes analíticas da teoria sociológica de Norbert Elias.

Movimento slow no contexto da modernidade

Considerando-se a força inexorável que o projeto da modernidade exerce sobre a sociedade contemporânea, para realizar uma análise sobre um movimento que se pretende contra-hegemônico, é preciso empreender uma reflexão sobre os efeitos ou, ainda, sobre as manifestações da modernidade na vida social. Nesse sentido, propõe-se um diálogo entre o que Giddens (1991)) chama "consequências da modernidade" e a concepção de Bauman (2008a) sobre a vida líquida, inclusive aplicada em um contexto pós-pandêmico (Steadman et al., 2023).

Dessa forma, no que tange à modernidade, as questões relacionadas ao lugar, isto é, ao envolvimento e reconhecimento do indivíduo com o espaço e do desenvolvimento de uma identidade com o local parecem perder o sentido. Com os tempos acelerados e os espaços flexibilizados, é possível ter acesso rápido às manifestações e expressões de qualquer lugar do mundo (Bautzer, 2010). Com isso, as tradições, a história e a identidade do lugar tendem a se perder em função de uma cultura global, amplamente relacionada com a lógica do capital, com os valores industriais e com os comportamentos de consumo (Escobar, 2005; Massey, 2000).

Quanto à lógica de consumo, a partir de casos relacionados às mídias sociais e digitais, isto é, o uso de tecnologias midiáticas para orientar a vida (inclusive para influenciar o processo migratório), Bauman (1998b) evidencia a exposição dos indivíduos a uma vida mediada por aparelhos eletrônicos como uma forma de preservar a vida social.

Nesse sentido, a grande crítica desse autor reside na transformação dos indivíduos em mercadorias, os quais são encorajados a se apresentarem da maneira mais desejada possível em um tempo fragmentado, efêmero e líquido (Escobar, 2005; Massey, 2000). Assim, na sociedade de consumidores caracterizada por Bauman (2008b), o próprio indivíduo e, consequentemente, a sociedade, acabam por se tornar produtos a serem consumidos. Portanto, ser invisível equivale a não existir. Não obstante, expor o que está sendo ou foi consumido (adquirido) seria uma forma de ser visibilizado na sociedade (Escobar, 2005; Massey, 2000).

É preciso considerar, ainda, que as sociedades possuem ritmos de vida. Esse ritmo, nas sociedades mais antigas, era construído com base no ritmo da natureza. Entretanto, nas sociedades modernas, esse compasso foi condicionado à dinâmica do capital e intensificado com a globalização (Castells, 2009). Ademais, nas nuances dos ritmos sociais de existência, é possível conceber a velocidade como ponto de conflito, visto que a lógica do capital, pelo interesse das firmas globais e das grandes empresas, é maximizar sua eficiência, ganhar tempo e auferir velocidade, bem como escalas de circulação em um quantitativo cada vez maior. Todavia, o ritmo de vida nas comunidades menores e de suas organizações caminham em sentido amplamente distinto (Santos, 2008).

Torna-se relevante apontar que a volatilidade, a fluidez e a ausência de segurança nas relações contemporâneas, bem como a sua expressão no âmbito da temporalidade fora evidenciada por Bauman (2008a), que, ao trazer o conceito de modernidade líquida apregoa sobre a descontinuidade, característica da con-temporaneidade, em que o tempo não se furta desses aspectos e é considerado como recurso escasso a ser utilizado em favor do imediatismo, tal qual somente o momento presente, rápido e otimizado compensa, isto é, o tempo que consiga acompanhar a fluidez da vida líquido-moderna. E, nesse aspecto, emerge um paradoxo: o tempo fluido, imediatista, acelerado, acaba por configurar uma prisão em que os vazios, os momentos de orientação para o passado, o lazer, ou, ainda, a ausência de ação e movimento são vistos como perda desse precioso recurso.

Ao propor uma discussão sobre a dimensão institucional da modernidade, Giddens (1991) caracteriza as sociedades capitalistas afirmando que estas podem ser compreendidas como subtipo das sociedades modernas, em geral. Ademais, o autor evidencia quatro dimensões institucionais básicas da modernidade: 1) a vigilância, isto é, o controle da informação e a supervisão social; 2) o poder militar; 3) o industrialismo e 4) o capitalismo. Nesse sentido, essas dimensões se interagem dando origem a aspectos como a indústria da guerra, a transformação do mundo da natureza, o poder de vigilância dentro dos sistemas administrativos e afins.

Ainda nessa perspectiva, a tecnologia possui o poder de atribuir ao tempo caráter de instantaneidade (Vergara & Vieira, 2005). Isso se dá pela acessibilidade proporcionada pelas técnicas e pelos procedimentos modernos, em que tudo está ao alcance de um "clique", no momento em que se deseja. Consumir, divertir-se, dialogar, investigar, trabalhar e até mesmo se relacionar afetivamente com os adventos tecnológicos se tornaram ações instantâneas, imediatas e sem fronteiras de ocorrência.

Dessa forma, com o ritmo de vida ditado pela lógica do capital e pelo sentido de urgência que marca o tempo na contemporaneidade, institucionalizar o correto uso e a organização temporal configura-se em mais uma forma de dominação pela lógica do mercado. Tal dominação, em nível global, condiciona os comportamentos sociais e internaliza nas comunidades a cultura da pressa, o pensamento de que o dispêndio de tempo com a contemplação é inútil, bem como a lógica da eficiência em todas as esferas do cotidiano (Matos, 2014).

Além disso, a necessidade de maximizar o uso do tempo produz um estado de alerta constante nos indivíduos que institucionalizam, desde a infância, a cultura da pressa, levando-os à ambígua lógica de atribuir cada vez mais tarefas às suas rotinas, o que consumiria maior quantidade de tempo deles. Ao passo em que procuram realizá-las no melhor tempo possível, ocasiona, consequentemente, o esgotamento psíquico e, por conseguinte, o adoecimento (Batista et al., 2013).

As reflexões até aqui apresentadas evidenciam que o presente trabalho tem como um de seus panos de fundo (backgrounds) a questão do tempo e suas implicações na vida em sociedade. Esse fato se dá em função da origem do movimento slow, que se propõe a ressignificar o ritmo de vida e o uso social do tempo na vida em sociedade. Tal questão suscita uma abordagem multilateral sobre a concepção do tempo e dos impactos sociais do seu uso.

Elias (1990b) afirma que o tempo se refere a um relacionamento entre sequências de acontecimentos sociais perceptíveis pela consciência humana. Logo, a experiência do homem com o tempo é determinada por uma relação cognoscente interna, isto é, o tempo não existe fora do sujeito.

Ainda que a relação com o tempo seja uma experiência individual, o tempo, em si, pode ser interpretado como mais uma instituição social, pois, enquanto ritmo de vida, tem papel coercitivo e normativo na vida em coletividade (Elias, 1990b). Isso pode ser evidenciado, empiricamente, por meio da observação do ritmo de vida e do uso social do tempo em sociedades de diferentes portes.

Torna-se necessário, ainda, apontar que o ritmo da modernidade e, sobretudo, a formação do estilo de vida da classe média americana instituíram um modelo de sociabilidade e interação humana caracterizado pela praticidade e pelo bom uso do tempo. Esse fato fomentou a indústria de comidas rápidas, que, consequentemente, instigou as pessoas a adotarem um ritmo de vida mais intenso, por meio da publicidade e propaganda, o que, consequentemente, produziu um imaginário coletivo de "glamourização" da velocidade (Mendonça & Macoppi, 2014; Paul, 2014).

Nessa perspectiva, os autores que defendem a adoção do movimento slow como novo paradigma para a vida em sociedade acreditam que desacelerar, repensar a aplicação da lógica industrial para os diversos âmbitos da vida privada seja uma maneira de combater as mazelas advindas do ritmo de vida moderno como o estresse, a degradação ambiental em larga escala, a poluição, a construção não planejada, a pobreza e a criminalidade (Bauer, 2016; Mendonça & Macoppi, 2014).

Honoré (2006) assinala importante característica do "movimento devagar" ao afirmar que o objetivo deste não é sujeitar os indivíduos à improdutividade, mas equilibrar a qualidade de vida das comunidades na era em que a cultura da pressa vigora, intensificada pela globalização econômica e pela massificação irrefletida da cultura.

O que se depreende da filosofia do slow movement é que se trata de um tema que envolve transformação no comportamento dos indivíduos, sobretudo na contestação dos valores instrumentais vigorantes (Bauer, 2016). Trata-se de um vetor para a mudança de mentalidade em determinada localidade. Assim, ressalta-se a proposta do movimento em se estabelecer valores mais substantivos nos modelos culturais vigentes na sociedade, rompendo com a lógica produtivista que marca o estilo de vida da contemporaneidade.

Assim, o slow city consiste em um movimento internacional, cujo principal escopo está no desenvolvimento de uma profunda mudança de mentalidade na condução das cidades de pequeno porte (Gunduz et al., 2016; Kwiatek-Soltys & Mainet, 2015), caracterizada pela abertura da comunicação governamental e da gestão pública municipal para maior participação dos cidadãos na construção de ações e compromissos que permitam preservar a qualidade de vida da população local, valorizar e fomentar a produção local e o consumo desta, bem como orientar a gestão pública para a sustentabilidade (Bauer, 2016; Ekinci, 2014; Kim et al, 2022; Mayer & Knox, 2016; Miele, 2008).

Um argumento contundente em defesa do movimento slow no contexto das cidades de pequeno porte consiste no uso dos próprios potenciais endógenos para o desenvolvimento e, assim, transferir os valores econômicos, sociais e ambientais para as gerações futuras e, consequentemente, criar cidades sustentáveis e habi-táveis (Dogrusoy & Dalgakiran, 2011).

Além disso, tanto o slow food quanto o slow tourism e o slow city resgatam uma dimensão apregoada pelos teóricos do desenvolvimento territorial, que consiste no sentimento de pertencimento e de identificação com o local, característica contrária às consequências da modernidade.

As ponderações com relação ao movimento slow denunciam a falta de proposição contundente para fundamentar as críticas ao modelo vigente. Todavia, apesar da oposição ao movimento slow,Batista et al. (2013) ressaltam que seus apontamentos residem no fato de que o slow não possui alcance para revolucionar completamente a lógica hegemônica ditada pelo capitalismo, mas reconhecem a potencialidade do slow movement em gerar perspectivas para o desenvolvimento de novos modos de vida da contemporaneidade, consistindo, assim, em uma forma de resistência e de ressignificação dos padrões de consumo, do uso dos espaços públicos e das concepções de vida em comunidade. Ou seja, por meio do slow city é possível articular novas orientações para as cidades de pequeno porte, por meio de uma visão de desenvolvimento que considere os elementos internos do território e o bem-estar dos indivíduos como diretrizes fundamentais (Carvalho, 2014).

A partir do arcabouço analisado, preconiza-se que é nessa perspectiva que se concebe o movimento slow e suas derivações como o slow food e o slow city para o presente trabalho: enquanto perspectivas para o desenvolvimento local e para a geração de renda e de oportunidades para atividades empreendedoras, orientadas pela inserção de valores substantivos como tradições locais, cultura e manifestações criativas, protagonismo comunitário, mentalidade ecológica, senso de sustentabilidade e fomento ao consumo e produção dos pequenos produtores locais.

Dessa forma, a partir da presente construção conceituai, é possível verificar que as diretrizes que constituem o movimento slow city podem configurar um modelo ou, ainda, uma diretriz de desenvolvimento local para a gestão pública, cujo resultado é um plano coproduzido de ações para o qual o governo e a sociedade precisam se comprometer a executar juntos em um espaço temporal determinado e por meio de diálogos entre os atores sociais envolvidos (Denhardt & Denhardt, 2007; Emmendoerfer et al., 2020; Verschuere et al, 2012).

Para analisar o movimento slow no contexto da modernidade, foi necessário revisitar as noções de indivíduo e coletivo à luz da teoria sociológica de Norbert Elias, a partir de algumas de suas obras seminais. O foco aqui não foi centrar-se em interpretações contemporâneas de terceiros ou realizar levantamento do estado da arte, mas sim ousar compreender e res-significar o objeto em estudo em termos empíricos, a fim de apontar possíveis e novos olhares com base em tal autor.

Nesse sentido, torna-se importante ressaltar o papel associado ao indivíduo no contexto da modernidade (Elias, 1994), embora o autor desconsidere a relação exclusiva entre relações egóicas ou causais, conforme descritas a seguir. Ao conjunto de incursões teóricas de Norbert Elias, as quais promovem reflexões sobre sociedade, subjetividade e indivíduo, chamou-se "sociologia figuracional" (Van Gestel, 2020), uma vez que abarca as dimensões macro e micro da sociedade.

Assim, a relação da tríade estrutura histórica, social e psíquica é útil para a compreender os fenômenos sociais na contemporaneidade (Delmotte & Górnicka, 2021), a partir dos conceitos de Elias (1990a). Compreender a configuração dos processos sociais a partir desse trinômio, permite ao investigador esquivar-se de relações determinantes e limitadoras. Essa perspectiva permite a compreensão do caráter dinâmico e complexo da realidade social. Diante do aspecto fluido das estruturas psíquicas e das forças da história e da sociedade, o autor argumenta que só é possível uma compreensão válida sobre a relação entre indivíduo e sociedade quando se percebem movimentos dialéticos de tais forças no contexto em que as estas estão inseridas.

Dessa forma, compreende-se, à luz de Norbert Elias (1994), que os indivíduos são as suas relações e as suas adaptações.

Nesse sentido, com o crescimento das funções divididas na sociedade, quanto mais esta separa suas funções, mais as pessoas se tornam indivíduos. A partir dessa concepção, é configurada a sociedade dos indivíduos. À medida que o Estado cresce, o indivíduo tende a se tornar cada vez mais autônomo.

As ilustrações a seguir representam a forma como se analisa a sociedade no contexto do presente trabalho. No modelo egocêntrico, expresso pela figura 1, a sociedade é composta de uma estrutura determinante que condiciona a concepção e as possibilidades do sujeito, como se o indivíduo fosse produto das estruturas nas quais está inserido.

Figura 1

Padrão básico çde uma visão egocêntrica da sociedade

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Fonte: Elias (1990a, p. 9).

Também é possível observar na figura 2 uma visão da sociedade como teia de interdependências em que as inclinações do indivíduo, assim como as estruturas sociais, têm seu papel em uma trama, outorgando-se à sociedade um emaranhado complexo, historicamente demarcado e socializado por meio de configurações dos sujeitos que a compõem.

Figura 2

Representação de indivíduos interdependentes

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Fonte: Elias (1990a, p. 9).

Por fim, a partir do arcabouço de conceitos de Elias (1990a, 1990b, 1994) e Elias e Scotson (2000), compreende-se que esse autor evidencia o crescimento da transferência de um número cada vez maior de funções relativas à proteção e controle do indivíduo por um Estado altamente regulador, centralizado e urbanizado. E, à medida que isso avança, os adultos se afastam progressivamente dos grupos instituídos na consanguinidade.

A escolha por Norbert Elias reside no caráter não determinístico de sua teoria. A noção de estabelecidos e outsiders presentes em Elias e Scotson (2000) constitui aspecto relevante para a análise de movimentos sociais na contemporaneidade (Kuukkanen, 2024) como o slow, no presente artigo, o qual depende do entendimento das figuras 1 e 2 apresentadas. Essa noção se refere a um processo grupal, uma vez que a compreensão e a capacidade de identificação dos grupos que detêm o poder, bem como a compreensão dos mecanismos pelos quais tais grupos obtêm e legitimam o seu poder, permitem compreender a realidade local e os fenômenos que limitam ou potencializam a formação de grupos e o dimensionamento de uma proposta de trabalho.

Procedimentos metodológicos

Este estudo se aproxima epistemologicamente do ensaio teórico, de "natureza reflexiva e interpretativa" (Meneghetti, 2011, p. 322), a partir da percepção qualitativa baseada na literatura apresentada no decorrer da discussão, além das proposições provenientes das experiências e percepções dos autores deste estudo. Portanto, pretendeu-se estabelecer uma ação contínua de reflexões, tendo em vista que a "importância de estabelecer perguntas adequadas garante a relação dialética entre subjetividade e objetividade" (Meneghetti, 2011, p. 330).

A investigação da qual derivou o presente trabalho consistiu em uma investigação com o propósito de analisar e compreender os impactos do desenvolvimento territorial de um plano municipal, inspirado nas diretrizes do Movimento slow city, por meio da realização de uma pesquisa-ação (PA). Esta foi adotada pois uma das suas premissas fundamentais é tratar da questão de um problema coletivo ou de um processo de mudança, planejado em determinado grupo social (Franzolin et al., 2013), sendo aplicável no contexto slow brasileiro, como retratado no trabalho de Emmendoerfer et al. (2021).

Cabe esclarecer que uma das fases da pa, a qual propiciou a construção deste estudo, encerrou com a entrega do plano estratégico slow city -PESO (Fraga, 2018), mas a pesquisa continuou até 2022, inclusive com a análise ex-post-facto à luz da teoria seminal de Norbert Elias, cujos resultados serviram como balizador do artigo em voga-. Tais resultados foram cotejados e aprimorados a partir de diálogos com especialistas (avaliadores) da revista Territorios, até o primeiro semestre de 2024.

Na presente análise, os dados obtidos por meio da PA foram categorizados de acordo com os constructos trabalhados no referencial teórico, de modo a fornecer pistas para a compreensão da realidade (Gray, 2012). No intuito de fundamentar a aplicabilidade do movimento slow no município, traçou-se o PESO, iniciado em 2017 no município de Rio Doce, Minas Gerais, Brasil (Fraga, 2018).

Sobre a coleta e análise dos dados, a construção do protocolo desta pesquisa foi orientada pela sucessão de eventos previstos no horizonte de atuação dos pesquisadores no ambiente de estudo. O processo de levantamento bibliográfico ocorreu de modo contínuo ao longo de toda a realização do trabalho. Durante a pesquisa in loco, foram utilizados diários de campo para construir anotações orientadas para o escopo do que se buscou encontrar. Nesse sentido, adotou-se o protocolo de definir um roteiro de campo breve a cada visita ao território, com indicações sumárias do que se pretenderia analisar.

Além disso, foram utilizadas entrevistas em profundidade com os participantes da pesquisa após a entrega do termo de consentimento livre e esclarecido. Para a análise das entrevistas, foi utilizada a análise narrativa e, para a análise geral da pesquisa documental, a análise de conteúdo categorial, conforme apresentado na tabela 1, cujos critérios de categorização foram semânticos e construídos por modelo misto, isto é, houve criação prévia de categorias a partir do levantamento bibliográfico, as quais foram gradualmente modificadas em função dos fenômenos analisados e dos avanços com relação aos estudos dos conceitos componentes do aporte teórico da presente pesquisa (Bardin, 2020).

As categorias resultantes dessa construção bibliográfica e teórica foram analisadas à luz do volume de dados coletados, presentes na investigação e tiveram como escopo contribuir para a sistematização do raciocínio analítico, conforme exposto na tabela 1.

Tabela 1

Categorias de análise

Categorias Base teórica
1. Efeitos da modernidade e da vida líquido-moderna Bauman (1998a, 2008b), Giddens (1991)
2. Configuração social Elias (1990a, 1990b, 1994)
3. Os estabelecidos e os outsiders Bauman (1998b), Elias e Scotson (2000)

[i]Fonte: elaboração própria com base nos dados da investigação.

O lócus de aplicação da PA foi essencialmente o município de Rio Doce (Minas Gerais), tendo como sujeitos da investigação os representantes do poder local, bem como atores sociais envolvidos com os serviços públicos, tais quais os servidores públicos, comerciantes, membros dos conselhos municipais, educadores, representantes da juventude e da terceira idade, bem como todos os residentes que se sentiram inclinados a participar do processo de planejamento público. A interação com os sujeitos da investigação foi orientada pelo modelo analítico da PA, cuja ilustração foi elaborada durante o processo de investigação após a análise de dados, de forma reflexiva pelos investigadores.

Cabe ressaltar que a PA consiste em um método de investigação social fundamentado na participação ativa e reconhecida do investigador em contexto social específico no qual exista a necessidade de ação efetiva a ser construída coletivamente. Assim que, ao trabalhar a dimensão coletiva e interativa da construção da realidade, o autor possa teorizar sobre seus achados e refletir sobre os fenômenos subjacentes e emergentes da realidade investigada (Thiollent, 2011), conforme ilustrado na figura 3.

Figura 3

Modelo analítico da PA a partir da realidade investigada

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Fonte: elaboração própria a partir de dados da investigação.

A existência de um problema coletivo ou de um processo de mudança planejada em determinado grupo social, consiste em uma das premissas fundamentais para a execução do método PA, fato que se evidencia no presente trabalho.

O referido método tem suas origens na década de 1940, bebendo de fontes da psicologia social a partir dos estudos de Kurt Lewin (1946), que, inicialmente, estavam associados a estudos de caráter experimental em que se verificavam manifestações comportamentais e interacionais de indivíduos em situações sociais diversas.

Os passos para a construção deste estudo, com base na PA, ocorreram em três etapas, descritas a seguir.

  1. Momento exploratório: nesta fase inicial da pesquisa, todos os habitantes do local de estudo com os quais os pesquisadores tiveram contato constituíram-se como sujeitos de pesquisa, uma vez que as impressões, opiniões e manifestações com relação à proposta apresentada consistiram em dados para a viabilização da realização da PA e para a compreensão das expectativas e do nível de envolvimento dos munícipes com a proposta.

  2. Realização da PA: nesta etapa, conforme descrevem os protocolos da PA, os sujeitos de pesquisa consistiram no chamado "grupo de observação", composto dos indivíduos que se dispuseram a participar da pesquisa e a contribuir para o processo de mudança planejada no município de Rio Doce.

  3. Interface com os profissionais do âmbito público e privado: durante todo o período de pesquisa, houve contato com profissionais responsáveis pela prestação de serviços públicos, como assessores, técnicos e com relação ao processo de gestão, até mesmo o próprio prefeito. Vale ressaltar que a interação entre os profissionais e a comunidade é uma categoria importante a ser considerada na análise de um processo de coprodução. Por isso, tais atores foram incorporados à análise.

Na sequência, as principais etapas inerentes à realização da PA utilizadas no presente trabalho se basearam nas proposições de Thiollent (2011) e de Fraga (2018), que apresentam conjunto sistematizado de fases para a operacionalização de uma PA, das quais se destacam:

  1. fase exploratória: período de descoberta do campo da pesquisa. Levantamento dos atores interessados, do(s) problema(s) que se almeja resolver coletivamente. Ocorre a elaboração de um diagnóstico da situação;

  2. definição do tema: designação do problema prático e da área de conhecimento a serem abordados;

  3. colocação dos problemas: momento de definição da problemática sobre a qual o tema escolhido será trabalhado;

  4. seminário: esta é a principal técnica para a condução da PA e consiste na principal arena para a produção de conhecimentos coletivos;

  5. coleta de dados: dentro dos seminários, existem algumas abordagens e instrumentos que podem ser utilizados para a coleta de dados, como possibilidade de entrevista em profundidade, técnicas documentais, antropológicas (diários de campo), observação participante, sociodrama;

  6. plano de ação: formulação de plano sistemático composto de fases definidas e ações delineadas para a consecução dos objetivos propostos;

  7. divulgação externa: após concluída a PA, realiza-se a apresentação de uma devolutiva formal aos envolvidos, de modo que eles vejam os seus esforços refletidos em ações.

Ademais, ao se analisar a maneira pela qual os indivíduos reagiram ao fenômeno analisado, verificou-se que seria necessário compreender os fatos investigados por meio de lentes teóricas que abarcassem as dimensões psicológicas, bem como não desconsiderassem a força histórica do município e a relação intensa existente entre comunidade e indivíduo. Ressalta-se que esta investigação foi autorizada pelo Comitê de Ética no Brasil (Processo/ Parecer 1.865.100, registro universitário: 60209269004).

Análise e discussão dos resultados

O presente trabalho tem como um de seus panos de fundo temáticos a questão do tempo e suas implicações na vida em sociedade. Esse fato se dá em função da origem do movimento slow, que se dispõe a ressignificar o ritmo de vida e o uso social do tempo na sociedade. Nesse sentido, este estudo propõe uma reflexão abrangente a respeito disso.

Considerando que a proposta deste trabalho consiste em analisar um processo de planejamento coletivo de ações para o desenvolvimento de uma localidade, o escopo das reflexões construídas a seguir consiste em lançar luzes sobre o objeto de pesquisa a partir de perspectivas sob as quais o planejamento no âmbito público tem sido abordado. Para isso, delineou-se uma análise que abrangesse a pluralidade de caminhos possíveis no campo do planejamento estratégico público e do slow movement, a fim de verificar aportes que capacitassem as análises do contexto vivenciado no trabalho.

Sobre a cidade de Rio Doce (figura 4), trata-se de território emancipado, reconhecido institucionalmente como município com governo local desde 1963 e com população aproximada de 2620 habitantes; nele, verificam-se elementos importantes associados à qualidade de vida, como o baixo índice de criminalidade, a ausência de favelas, a cobertura de água tratada em todos os domicílios, o fomento a ações de cunho cultural e a integração da comunidade com arte e cultura locais. Além disso, o município possui práticas de accountability inovadoras como, por exemplo, aplicativos de smartphones que permitem aos cidadãos terem acesso às informações da gestão pública municipal, de modo que a cidade foi classificada em primeiro lugar no estado de Minas Gerais, pelo Ministério Público Federal, no Ranking de Transparência 2016 (Rio Doce, 2018).

Rio Doce é um município marcado pelas expedições e pela ferrovia. Devido à instalação da Estrada de Ferro Vitória (Espírito Santo) a Minas, a ocupação do território se desenvolveu. Em 1886, o então povoado de Perobas, originalmente habitada pelos índios Botocudos, passa a se chamar "Rio Doce" e se torna distrito de Mariana (Minas Gerais). Logo depois, no mesmo ano, torna-se distrito de Ponte Nova (Minas Gerais) até alcançar a sua emancipação, em 1963 (Fundação Renova, 2019). A temática da estação ferroviária é central no imaginário popular e na memória do município. O principal monumento turístico e cultural da cidade consiste na estação de trem revitalizada, onde acontecem eventos artísticos, reuniões públicas e a exposição de um museu ferroviário, que celebra as histórias do local.

Figura 4

Localização do município de Rio Doce, Minas Gerais, Brasil

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Fonte: Emmendoerfer et al. (2020, p. 180).

Estudos anteriores realizados no município evidenciam que o processo de desenvolvimento local foi fortemente potencializado por meio da participação e controle social. Endossa essa afirmação a presença de 17 conselhos municipais ativos que existem no município. Um fato que marca o cotidiano de tais conselhos consiste na composição desses conselhos, em que determinados cidadãos chegam a compor quatro ou cinco conselhos diferentes. Essa "cultura de conselhos" ao longo do período da investigação foi, inclusive, criticada e até desacreditada por determinados sujeitos de investigação. Contudo, constatou-se que a manutenção de tais conselhos no município permite que uma perspectiva democrática e uma chancela de dialogicidade sejam atribuídas às questões coletivas.

O processo de realização da PA foi complexo e envolveu diversas etapas, que podem ser verificadas no processo de planejamento urbano (cf. Emmendoerfer et al., 2020), materializado por meio do PESO, apresentado e fornecido à Prefeitura Municipal de Rio Doce. Contudo, a presente investigação concentrou-se na interpretação dos fenômenos sociais, psicológicos e históricos que se manifestaram no território estudado ao longo da pesquisa a partir do PESO. Os fenômenos verificados que compuseram os principais resultados da investigação, em articulação com referenciais utilizados e pertinentes, foram expressos na tabela 2.

Tabela 2

Síntese dos principais resultados da investigação

Categorias Evidências empíricas
Efeitos da modernidade e da vida líquido -moderna (Bauman, 1998a, 2008b; Giddens, 1991)

A proposta discursiva do movimento slow se apresenta como um modelo alternativo que procura contrapor os imperativos da modernidade e promover um modelo autônomo de desenvolvimento, orientado para as potencialidades de uma determinada localidade.

Contudo, vários elementos da vida líquido-moderna e marcadamente característicos da modernidade se apresentam como contradições inerentes à proposta, deslegitimando o escopo de aplicação de uma nova lógica no contexto das cidades. O primeiro elemento que se observa é a dimensão da vida para consumo evidenciada por Bauman (2008b), em que a população e governo se valeram da proposta e de seus aspectos discursivos como instrumento de mídia e publicidade.

Outro aspecto inerente à modernidade consiste no argumento de adoção do movimento como forma de mitigar o medo das incertezas que assolam o município, sobretudo pelo fato que, com o rompimento da Barragem em Mariana, Minas Gerais, a cidade, banhada pelo rio Doce, passou a receber recursos de fundações de apoio, o que mudou os padrões de consumo e produção no local. Contudo, com as novas atividades, emergem o medo, a insegurança (Bauman, 1998a), simbolicamente demarcados pela aversão ao estrangeiro, conforme descrito na categoria "os estabelecidos e os outsiders".

Outro aspecto típico da modernidade consiste na preocupação intensiva com a institucionalização da proposta, conforme apresenta Giddens (1991), em que, além da preocupação em formalizar a atividade do grupo de trabalho da PA, tornando-o um comitê vinculado ao organograma funcional de uma associação municipal, foi possível observar a preocupação com os técnicos locais em registrar e documentar todas as atividades do grupo. Além disso, o título formal de slow city, vinculado à uma rede internacional de cidades, requer candidatura e oficialização de um processo do qual a cidade cumpriu todos os requisitos para ser considerada slow, o que contraria a lógica de autonomia.

Configuração social Elias (1990a, 1990b, 1994)

Evidências de uma cultura local marcada por intenso processo de assistencialismo parecem dificultar uma mobilização social mais enérgica. Essa constatação se dá por meio de inúmeros relatos registrados nas reuniões, apresentando situações em que os cidadãos recorrem ao poder público para sanar suas questões de foro privado como um "chuveiro que queima" ou "gás que acaba" na residência do indivíduo. Ressalta-se, nos relatos, que não se trata sequer de indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mas que a proximidade com as autoridades locais incita o comportamento dependente e clientelista.

Analisando a partir de uma dimensão social, histórica e psicológica (Elias, 1994), verifica-se que, no plano superficial, as mídias divulgam boa participação popular e que existem 17 conselhos ativos. Contudo, trata-se de uma participação passiva, de carácter consultivo. Nas palavras de um morador que participou de uma das reuniões, "as pessoas só vão lá para falar 'amém'". Não obstante, quando o comitê foi iniciado, os cidadãos que ansiavam participação mais ativa destacaram e valorizaram esse novo espaço institucional como possibilidade de atuar de maneira mais ativa no município.

Nas palavras dos secretários que relataram esses fatos, os motivos que levam a esses índices baixos de participação estão atrelados a um histórico de gestões passadas que tinham uma abordagem assistencialista muito forte, habituando os cidadãos a dependerem de repasses governamentais constantes, situação que torna a atividade proativa e empreendedora pouco propícia. Nas palavras de um servidor público, a situação é tal que, "se, por acaso, o chuveiro de certas pessoas queimasse ou faltasse o gás da cozinha delas, elas iam na prefeitura pedir outro".

Os estabelecidos e os outsiders Bauman (1998b); Elias & Scotson (2000)

A vivência com os cidadãos e o aprofundamento nas rotinas do município permitiram perceber que existe clara distinção em momentos de decisão e recebimento de recursos entre os riodocenses (estabelecidos) e os estrangeiros (outsiders), mesmo que residentes na cidade. Os cidadãos, em suas discussões, usam o tempo de permanência na cidade e o fato de serem de uma família tradicional da cidade (independentemente do poder aquisitivo) para legitimarem seus argumentos e obterem maior poder de fala em discussões públicas.

Essa endogenia se apresenta de maneira contraditória, uma vez que tudo aquilo que vem "de fora" é tido como sofisticado e representa manifestação simbólica perante os pares.

Contudo, quando se tratam de questões inerentes à cidade, o fator "ser da cidade" é a maior chancela para uma participação ativa e ratificada pelos demais sujeitos da investigação.

Possuir ancestralidade com os ferroviários, conforme evidenciou-se anteriormente, consiste em consideráveis símbolos no ideário local, além de fortalecer a autoridade dos estabelecidos.

[i]Fonte: elaboração própria com base nos dados da investigação.

Ademais, evidencia-se o fato de que a realização e entrega do PESO evoluíram para um caráter de evento, de modo que atrairam a atenção de atores organizacionais e sociais, com vista a obter visibilidade e possibilidades de prospecção de oportunidades.

Considerações finais

Com base no estudo realizado, os cidadãos estão fundamentalmente interdependentes e, por isso, as suas ações ora se limitam, ora se potencializam, porque esses indivíduos depositaram suas expectativas quanto ao movimento e, simultaneamente, ao processo histórico do município. Considerando-se os aspectos sociológicos propostos por Norbert Elias, é pertinente compreender essa relação complexa que se manifesta entre os cidadãos, a história e as demandas dos novos tempos, sobretudo em um município de pequeno porte, a exemplo de Rio Doce (Minas Gerais), lócus deste estudo.

Verificou-se a constante contradição entre o discurso de um desenvolvimento próprio, com os anseios materiais da necessidade de fontes longevas de geração de divisas, emprego e renda. Endossam esse argumento as pautas constantes em reuniões de conselhos municipais e assembleias sobre a prospecção de grandes empreendimentos para o município, de modo a promover o desenvolvimento econômico, fato totalmente inserido dentro da lógica da modernidade. Isso evidencia que, quando o grupo foi posto em situação de autonomia, contradições relacionadas ao assistencialismo se manifestaram.

Ademais, a partir de uma vivência aprofundada no campo, constatou-se, ainda, que alguns cidadãos, sobretudo ligados ao serviço público riodocense, possuem inclinação para ocultar ou se eximir de realizar avaliações negativas sobre a cidade. A hipótese da razão da ocorrência desse fato reside na constatação de que, como tais cidadãos têm contato direto com o poder executivo municipal com as suas propostas e projetos, eles demonstraram visão diferente daqueles cidadãos que são exclusivamente usuários dos serviços públicos. Isso é ratificado pelo fato de que, a partir das vivências de campo, os relatos de cidadãos não vinculados ao serviço público sobre certas questões como saúde pública, possuíram teor consideravalmente distinto do que fora relatado por indivíduos ligados à gestão municipal.

Nesse sentido, ressalta-se que alguns projetos municipais não alcançam com abragência à totalidade dos munícipes, como foi possível evidenciar no próprio movimento slow city. Isso posto, constatou-se também que, apesar de haver trabalho de divulgação e comunicação social na prefeitura municipal, muitas vezes o canal de comunicação e a própria mensagem utilizada não encontram receptividade e compreensão por parte da cidadania.

Tal concepção foi detectada empiricamente, uma vez que, após um ano de divulgação, reuniões públicas, panfleta-gem e um trabalho intensivo de mídia realizados com base na perspectiva do presente trabalho, o comitê trouxe o feedback auferido por meio de diálogos cotidianos de que grande parte da população, ora desconhecia totalmente o projeto, ora não entendia do se tratava as palestras realizadas com o aporte da PA, reforçando a dificuldade de relacionamento aos outsiders.

Nesse sentido, reuniões mais "enxutas", a extinção das apresentações eletrônicas (em MS Power Point), a adoção de silenciamentos propositais no momento das reuniões, de modo a fazer com que o cidadão se sentisse inclinado a se pronunciar para romper com a insegurança e a ausência de comunicação, bem como mudanças significativas nas vestimentas e na linguagem pessoal, foram alguns dos elementos simbólicos adotados durante esta investigação, com o intuito de se aproximar da realidade dos participantes. Essa técnica trouxe resultados perceptíveis, como o aumento da procura dos cidadãos com interesse de ingressar no projeto.

Entre as limitações do presente trabalho, apresenta-se o fato de que, pelo contexto social e da teia de acontecimentos que levaram às reflexões aqui presentes, seja improvável a consecução da replicação da presente pesquisa nas mesmas condições em que ocorreu este trabalho. Outra limitação consistiu na impossibilidade de esgotamento das investigações no contexto brasileiro, por meio da imersão nas demais cidades que tiveram contato com o movimento slow, por questões de tempo e recursos para a realização do trabalho.

Por esse motivo, sugere-se a realização de trabalhos futuros que verifiquem os resultados da implementação do PESO em Rio Doce (Minas Gerais), bem como pesquisas que verifiquem a efetividade e a assertividade da comunicação em projetos relacionados ao movimento slow, avaliando a adesão popular ao movimento e o nível de interação do poder público com a sociedade.

Enquanto implicações empíricas deste estudo, acredita-se que tenha sido a ampliação da dimensão popular sobre o conceito de bem público, isto é, a construção de um plano coletivo de desenvolvimento que se orientou na visão dos utilizadores dos serviços públicos e das políticas oriundas de tal processo de planejamento, além de uma mudança no paradigma social hegemônico de que os cidadãos devem ser apenas consultados. Isso foi verificado por meio da utilização da PA, que, enquanto método científico sob a égide da pesquisa participativa e engajada, tem potencial de (re)aplicação em outros estudos semelhantes, principalmente em países do Sul global.

Outra importante implicação resultante deste estudo diz respeito à difusão dos valores do planejamento estratégico e do slow movement nos múltiplos canais de comunicação social e governamental: o processo de comunicação e interação entre os atores, no âmbito público do município de Rio Doce foi um fenômeno que merece ser destacado, uma vez que os cidadãos se valeram das diferentes mídias para conscientizar seus pares sobre as ações que estavam em andamento. A partir disso, acredita-se que a dimensão comunicativa das práticas sociais no município deverão ser executadas como maior amplitude.

Por fim, respondendo à questão norte-adora deste artigo, acredita-se que a o slow movement influencia as dinâmicas sociais do espaço de uma comunidade por meio da orientação temática do território para pautas mais democráticas e dialógicas, sem, contudo, romper com a lógica da modernidade e suas consequências. Além disso, esta investigação demonstrou como o método da PA pode ser útil e aplicável em estudos e trabalhos que envolvem planejamento territorial mais participativo e articulado com movimentos sociais como o slow, aqui investigado em nível local.

Agradecimentos

Ao fomento à investigação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil, à Fundação de Pesquisa de Minas Gerais e à Coordenação para o Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ao Ministério da Educação do Brasil, financiamento 001. Adicionalmente, agradecemos a equipe editorial, os avaliadores anônimos e revisores da revista Territorios pelo tom construtivo e recomendações positivas que possibilitaram melhor compor este artigo.

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[3] Oliveira Fraga, B. de, Emmendoerfer, M. L., Mediotte, E. J., & Almeida Pinto, N. M. de. (2025). Planejamento estratégico e slow movement: reflexões a partir de um pequeno município brasileiro sob a ótica sociológica de Norbert Elias. Territorios, (52), 1-24. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/territorios/a.10325