10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.10147
Artículos
Margarida Simões 1
Departamento de Educação e Psicologia, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Centro de Investigação e Intervenção Educativas, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educaçãoda Universidade do Porto
Ana Isabel Sani 2
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa Centro de Investigação em Estudos da Criança, Universidade do Minho
Elisete Correia 3
Departamento de Matemática, Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Centro de Matemática Computacional e Estocástica, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa
Ana Paula Monteiro 4
Maria da Conceição Azevedo 5
Departamento de Educação e Psicologia, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Centro de Investigação e Intervenção Educativas, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
Pedro Cunha 6
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa RISE-Health: Rede de Investigação em Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Luísa Maria Mascoli 7
Departamento de Psicologia Clínica e da Saúde, Instituto de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida,
Instituto Universitário Militar
Inês Carvalho Relva 8
Departamento de Educação e Psicologia, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano, Centro de Investigação e Intervenção Educativas, Centro de Psicologia da Universidade do Porto
1. Docente universitária, professora
auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, membro do Centro de
Investigação e Intervenção Educativas (CIIE).
0000-0003-4310-4320
2.Psicóloga, professora associada com agregação da Universidade Fernando
Pessoa e membro integrado do Centro de Investigação em Estudos da Criança
[UID/317].
0000-0003-1776-2442
3.Docente universitária, professora auxiliar da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, membro do Centro de Matemática Computacional e
Estocástica.
0000-0002-1121-2792
4. Docente universitária, professora auxiliar da Universidade de
Trás-os-Montes e alto douro, membro do Centro de Investigação e Intervenção
Educativas (CIIE).
0000-0002-4082-1474
5.Docente universitária, professora catedrática da Universidade de
Trás-os-Montes e alto douro, membro do Centro de Investigação e Intervenção
Educativas (CIIE).
0000-0001-7778-8471
6.Psicólogo, professor catedrático da Universidade Fernando Pessoa, membro
do Centro RISE-Health: Rede de Investigação em Saúde.
0000-0003-3219-4543
7. Docente universitária do Departamento de Psicologia Clínica e da Saúde,
Instituto de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, Instituto Universitário
Militar.
0000-0002-6752-1180
8.Docente universitária, professora auxiliar da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, membro do Centro de Investigação em Desporto,
Saúde e Desenvolvimento Humano.
0000-0003-3718-8142
Financiamento
O trabalho de Inês Relva foi financiado através da FCT - Fundação Portuguesa para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto Estímulo ao Emprego Científico - Concurso Institucional - CEECINST/00127/2018/CP1501/CT0004, https://doi.org/10.54499/CEECINST/00127/2018/CP1501/CT0004
Endereço para correspondência: Margarida Simões. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Quinta de Prados, 5001-801, Vila Real, Portugal. E-mail: margaridas@utad.pt
Recebido: março 24, 2022
Aceito: fevereiro 14, 2025
Para citar este artículo: Simões, M., Sani, A. I., Correia, E., Monteiro, A., Conceição Azevedo, M.d., Cunha, P., Mascoli, L. M., & Carvalho, R. I. (2024). Ajustamento psicológico e estratégias de coping em estudantes universitários durante a pandemia da covid-19. Avances en Psicología Latinoamericana, 42(3), 1-15. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.10147
Resumo
A pandemia provocada pela covid-19 levou os estudantes universitários a enfrentarem uma situação de grandes exigências e necessidade de adaptação a um novo estilo de vida pessoal e académica. Para explorar o ajustamento psicológico nesta população específica, a presente investigação teve como objetivo analisar a relação entre sintomatologia psicopatológica e estratégias de coping numa amostra de 636 estudantes universitários portugueses, maioritariamente do sexo feminino (68.1 %), com uma média de idades de 22.2 anos (DP = 5.98). Foram aplicados um questionário sociodemográfico, o inventário de sintomas psicopatológicos (BSI) e o questionário de estratégias de coping. Os principais resultados mostram que os indivíduos do sexo feminino apresentam valores mais elevados em todas as dimensões do BSI. Verificaram-se, ainda, associações entre as estratégias de fuga/evitamento e a sintomatologia psicopatológica. Este estudo tem implicações importantes na abordagem dos serviços de saúde das universidades, nomeadamente ao nível da prevenção de saúde mental e intervenção junto da população-alvo.
Palavras-chave: ajustamento psicológico; coping; covid-19; estudantes universitários.
Resumen
La pandemia provocada por el covid-19 llevó a los estudiantes universitarios a afrontar una situación de grandes exigencias y a la necesidad de adaptarse a un nuevo estilo de vida personal y académico. Para explorar la adaptación psicológica en esta población específica, la presente investigación tuvo como objetivo analizar la relación entre síntomas psicopatológicos y estrategias de afrontamiento, en una muestra de 636 estudiantes universitarios portugueses, mayoritariamente mujeres (68.1 %) con una edad promedio de 22.2 años (SD = 5.98). Para ello, se aplicó un cuestionario sociodemográfico, el Inventario de Síntomas Psicopatológicos (BSI) y el Cuestionario de Estrategias de Afrontamiento. Los principales resultados muestran que las mujeres tienen valores más altos en todas las dimensiones del BSI. También se encontraron asociaciones entre estrategias de escape/ evitación y síntomas psicopatológicos. Este estudio tiene importantes implicaciones para el abordaje de los servicios de salud universitarios, particularmente en lo que respecta a la prevención de la salud mental y la intervención con la población objetivo.
Palabras clave: adaptación psicológica; afrontamiento; covid-19; estudiantes universitarios.
Abstract
The pandemic caused by covid-19 led university students to face a situation with great demands and the need to adapt to a new personal and academic lifestyle. To explore the psychological adjustment in this specific population, the present investigation aimed to analyze the relationship between psychopathological symptoms and coping strategies in a sample of 636 Portuguese university students, mostly female (68.1 %) with an average age of 22.2 years (SD = 5.98). A sociodemographic questionnaire, the Psychopathological Symptoms Inventory (BSI) and the Coping Strategies Questionnaire were applied. The main results show that female students have higher values in all dimensions of BSI. There were also associations between escape/avoidance strategies and psychopathological symptoms. This study has important implications for the approach to university health services, namely in terms of mental health prevention and intervention within the target population.
Keywords: psychological adjustment; coping; covid-19; college students.
A pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), que resulta na covid-19, ocasionou um quadro de emergência mundial (Sohrabi et al., 2020), gerando uma preocupação acrescida com a saúde e a consequente adoção de comportamentos de segurança em toda a população. As reações a um stressor desta natureza são diversificadas e os estudos realizados na sequência de idênticas situações de epidemia ou pandemia (Bults et al., 2011; Jalloh et al., 2018; Qian et al., 2005), mostram como o risco percebido pode gerar distintas respostas comportamentais e emocionais (e.g., evitamento, ansiedade) no estado de saúde mental de um indivíduo (Cholankeril et al., 2023; Fullana et al., 2020; Liang et al., 2020; Main et al., 2011; Mann et al., 2020; Trzebinski et al., 2020).
Nesse contexto, o coping representa um importante aspeto do processo mais geral que é a autorregulação de emoções, cognições, comportamentos, fisiologia e ambiente (e.g., Compas et al., 2001). Skinner e Wellborn (1994) definiram coping como a maneira pela qual as pessoas regulam o seu comportamento, emoção e orientação sob condições de stress psicológico. Assim, importa conhecer como cada indivíduo lida com uma situação que é nova e desconhecida, isto é, quais as estratégias de confronto que usa para enfrentar a adversidade percebida.
Perante um novo surto epidémico, a comunidade científica acelerou a realização de todo o tipo de investigação, não sendo exceções os estudos na área científica da psicologia. Na verdade, as alterações produzidas nas rotinas diárias das pessoas, sobretudo as geradas pela obrigatoriedade de confinamiento, ocasionaram a aprendizagem de modos de funcionamento, que, ajustados à necessidade de prevenção, originaram inevitavelmente maior isolamento e solidão, um dos maiores fatores de risco para a saúde mental (Ouakinin & Barreira, 2015). A literatura tem vindo a corroborar a importância das relações interpessoais na regulação do comportamento emocional e social (Cozolino, 2020), contrariamente ao isolamento e à solidão que registam consequências negativas no estado de saúde física e mental do indivíduo (Ouakinin & Barreira, 2015).
Os jovens foram um dos grupos que sentiu de perto as consequências negativas do confinamiento, não sendo conhecido, à data, um estudo que detalhe o estado de saúde mental de estudantes universitários relacionado com a pandemia da covid-19 em Portugal. Investigações internacionais com população estudantil (e.g., Cao et al., 2020; Gonçalves Correia Zanini et al., 2022; Rajkumar, 2020; Wong et al., 2007) concluem que a ansiedade, a depressão ou o stress psicológico são alguns dos sintomas mais evidenciados perante situações de epidemia ou pandemia, com implicações em termos de respostas pessoais e sociais ao problema sanitário (Asmundson & Taylor, 2020; Jungmann & Witthõft, 2020; Liang et al., 2020; Zheng et al., 2020). Em Portugal, esta sintomatologia foi verificada numa investigação de Paulino et al. (2020) junto de uma amostra da população geral.
Vários estudos apontaram que as mulheres se encontraram mais frequentemente em circunstâncias stressantes do que os homens (Almeida & Kessler, 1998; Cholankeril et al., 2023; McDonough & Walters, 2001) e que é possível que elas avaliem eventos ameaçadores como mais stressantes do que os homens (Cholankeril et al., 2023; Miller & Kirsch, 1987; Ptacek et al., 1992; Torres-Montiel et al., 2017). Nesse sentido, a teoria do papel social sugere que cada género se beneficia de modo diferente do coping positivo em situações stressantes, ou seja, os estereótipos de género internalizados pelos indivíduos podem resultar em diferentes consequências quando as pessoas lidam com acontecimentos stressantes (Eagly & Wood, 2012; Howerton & Van Gundy, 2009). Um estudo empírico investigou 2.816 adultos de 18 a 65 anos e descobriu que os homens tendem a ser mais eficazes na resolução de eventos de stress da vida e percepcionam menor sensação de stress do que mulheres (Matud, 2004). Num estudo recente com estudantes universitários mexicanos que comparava os perfis de bem-estar entre sexos (García et al., 2019), verificou-se que os indivíduos do sexo masculino obtiveram pontuações mais elevadas na escala de bem-estar psicológico e nas suas dimensões (autoaceitação, relações positivas, autonomia, domínio ambiental, propósito na vida e crescimento pessoal). Ainda, Hennekam e Shymko (2020) encontraram diferenças de género no enfrentamento da pandemia da covid-19 com as mulheres a usarem um enfrentamento mais emocional e menos eficaz. Em Portugal, os resultados de Paulino et al. (2020) evidenciaram que as mulheres apresentam níveis médios significativamente mais elevados de depressão, ansiedade e stress, bem como maior impacto psicológico em consequeência da covid-19.
Nesse sentido, importa 1) compreender o impacto psicológico da pandemia da covid-19 em estudantes universitários portugueses em função do sexo; 2) conhecer as estratégias de coping mais frequentemente usadas por estes em função do sexo; 3) determinar a associação entre os níveis de ajustamento experienciados e as estratégias de coping usadas para lidar com o stressor; e 4) estimar os modelos preditores das várias dimensões da sintomatologia psicopatológica.
Método
Participantes
A amostra de conveniência foi constituída por 636 estudantes —433 (68.1 %) do sexo feminino e 203 (31.9 %) do sexo masculino— de diferentes universidades do país. A idade média da amostra foi de 22.2 anos (DP = 5.98) com uma variação de idades entre os 17 e os 65 anos. Relativamente ao estado civil, 603 (94.8 %) dos participantes são solteiros(as); 26 (4.5 %) são casados(as) ou vivem em união de facto; 3 (.5 %) são divorciados(as) e 1 (.2 %) é viúvo(a). Da amostra total, 527 (82.9 %) são apenas estudantes e 109 (17.1 %) são trabalhadores-estudantes.
Instrumentos
Na presente investigação, foram utilizados os seguintes instrumentos:
1. Questionário sociodemográfico do qual fazem parte algumas questões relativas à identificação dos participantes (e.g., sexo, idade, estado civil);
2. Inventário de sintomas psicopatológicos —BSI (Derogatis, 1982; traduzido e adaptado para a população portuguesa por Canavarro, 1999), que avalia sintomas psicopatológicos em termos de nove dimensões de sintomatologia e três índices gerais de sintomas, sendo estas últimas avaliações sumárias de perturbação emocional. Pode ser administrado a doentes do foro psiquiátrico, a indivíduos perturbados emocionalmente, a quaisquer outros doentes e a pessoas da população em geral. Do ponto de vista clínico, a análise das pontuações obtidas nas nove dimensões (somatização, obsessões-compulsões, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ansiedade fóbica, ideação paranóide e psicoticismo) fornece informação sobre o tipo de sintomatologia que preponderantemente perturba mais o indivíduo. A simples leitura dos índices globais permite avaliar, de forma geral, o nível de sintomatologia psicopatológica apresentado. O BSI é formado por 53 itens, com escala tipo Likert com cinco opções de resposta (0 — nunca; 1 — poucas vezes; 2 — algumas vezes; 3 — muitas vezes; e 4 — muitíssimas vezes). No presente estudo, verificaram-se os seguintes valores de consistência interna de alfa de Cronbach: somatiza-ção a = .88; obsessões-compulsões a = .85; sensibilidade interpessoal a = .84; depressão a = .88; ansiedade a = .88; hostilidade a = .79; ansiedade fóbica a = .80; ideação paranoide a = .81; e psicoticismo a = .77;
3. Questionário de estratégias de coping de Folkman e Lazarus (1985; versão portuguesa de Pais-Ribeiro & Santos, 2001), que é formado por 48 itens numa escala tipo Likert, com cinco opções de resposta: "nunca usei"; "usei de alguma forma"; "usei algumas vezes"; "usei muitas vezes"; e "usei muitíssimas vezes". A escala solicita ao inquirido que responda com base numa situação de stress originada pela vivência na pandemia que experienciou recentemente, sendo constituída por oito subescalas: coping confrontativo; coping de autocontrolo; procura de suporte social; responsabilização; resolução planeada de problemas; distanciamento; fuga/ evitamento; e reavaliação positiva.
4. Para responder aos objetivos do estudo, foram utilizadas as seguintes as seguintes escalas: coping de autocontrolo; procura de suporte social; resolução planeada de problemas; distanciamento; fuga/evitamento e reavaliação positiva. No presente estudo, verificaram-se os seguintes valores de consistência interna de alfa de Cronbach: coping de autocontrolo a = .70; procura de suporte social a = .71; resolução planeada de problemas a = .77; distanciamento a = .56; fuga/evitamento a = .69; e reavaliação positiva a = .81.
Procedimentos
Os procedimentos do estudo foram conduzidos e previamente aprovados de acordo com o regulamento da comissão de ética de uma universidade da zona Norte de Portugal. A amostra foi recolhida de forma aleatória, recorrendo à aplicação de questionário on-line, e decorreu entre abril e maio de 2020. O questionário foi disponibilizado e divulgado através de e-mail pelo gabinete de comunicação e imagem da referida universidade para as diversas instituições de ensino superior de Portugal. Os participantes foram informados sobre o objetivo geral do estudo e foram garantidas as condições de confidencialidade e anonimato, bem como o consentimento livre e informado. O tempo estimado de preenchimento foi aproximadamente 15 minutos.
Estratégias de análise de dados
Procedeu-se, inicialmente, à realização de estatísticas descritivas, média (M) e ao desvio-padrão (DP), relativamente às variáveis avaliadas. A análise de simetria da distribuição das frequências (normalidade univariada) foi efetuada através da utilização dos coeficientes de skeweness (assimetria) e kurtosis (achatamento), encontrando-se dentro dos valores de normalidade pelo que foram utilizados testes paramétricos (Hair et al., 2014; Marôco, 2011). Efetuou-se, ainda, uma análise de variância multivariada para determinar o efeito da variável "sexo" na sintomatologia psicopatológica e nas estratégias de coping, seguida, sempre que possível, de análises de variância univariada. O pressuposto da normalidade e homogeneidade das matrizes de variância-covariância foi confirmado através do teste M-BOX e do teste de Levene. O eta-squared partial (ηp2)) foi utilizado como uma medida do tamanho de efeito em que este é pequeno quando o valor é ≥ .01; moderado quando é >.06; e forte quando o valor é >.14 (Cohen, 1988). Efetuaram-se igualmente correlações de Pearson com o objetivo de analisar a associação entre a sintomatologia psicopatológica e as estratégias de coping. As correlações podem ser positivas ou negativas e apresentar um grau de associação fraco, moderado ou forte. Ainda para Cohen (1988), a correlação é fraca quando existe uma variação de r = .10 a .29 ou r = -.10 a -.29; moderada quando de r = .30 a .49 ou de r = -.30 a -.49 e forte quando de r = .50 a 1.0 ou de r = -.50 a -1.0.
Por fim, realizou-se uma análise de regressão linear múltipla com seleção de variáveis pelo método stepwise com a finalidade de verificar o papel preditor das estratégias de coping na sintomatologia psicopatológica. Para verificar a multicolinearidade, utilizou-se o VIF. Todas as análises estatísticas foram realizadas através do programa SPSS (versão 25.0), tendo sido considerados valores de significância de p <.05.
Resultados
Estatística descritiva
A Tabela 1 apresenta a análise descritiva inicial para todas as escalas do BSI, para os três índices gerais do BSI e para as várias estratégias de coping. Assim, os valores médios para as nove escalas do BSI encontram-se entre .52 (DP = .67) para a somatização e 2.27 (DP = .91) para as obsessões-compulsões. No que se refere aos índices gerais, para o índice geral de sintomas a média foi de .78 (DP = .62); para o total de sintomas positivos, a média foi de 23.36 (DP = 14.15); e, finalmente, para o índice de sintomas positivos, a média foi de 1.60 (DP = .47). Relativamente às estratégias de coping, os valores médios encontram-se entre .96 (DP = .58) para o evitamento e 1.41 (DP = .55) para o autocontrolo.
Tabela 1 Estatística descritiva para as pontuações do BSI
Análise diferencial das escalas do BSI em função do sexo
No sentido de serem analisadas as diferenças entre as escalas do BSI em função do sexo, foi efetuada uma análise de variância multivariada. Os resultados indicam que o fator "sexo" teve um efeito estatisticamente significativo sobre o compósito multivariado ( λ Wilks = .90, F (9,626) = 8.20, p < .001, (ηp2)) = .11), sendo que o efeito de magnitude é moderado. Observada a significância multivariada, procedeu-se a uma análise de variância univariada para cada uma das dimensões. Os resultados obtidos (Tabela 2) permitem-nos constatar diferenças estatisticamente significativas entre os sexos para todas as escalas, sendo que o sexo feminino apresenta uma média superior em todas as escalas comparativamente ao sexo masculino.
Tabela 2 Análise diferencial comparativa das dimensões do BSI em função do sexo
Análise diferencial das estratégias de coping em função do sexo
No sentido de serem analisadas as diferenças para as estratégias de coping em função do sexo, foi efetuada uma análise de variância multivariada. Os resultados indicam que o fator "sexo" teve um efeito estatisticamente significativo de pequena magnitude sobre o compósito multivariado ( λ Wilks = .95, F 629) = 5.72,p <.001, ηp2 = .05). Observada a significância multivariada, procedeu-se a uma análise de variância univariada para cada uma das dimensões. Os resultados obtidos (Tabela 3) permitem-nos constatar diferenças estatisticamente significativas entre os sexos para todas as escalas, sendo que o sexo feminino apresenta uma média superior em todas as escalas comparativamente ao sexo masculino, à exceção da escala "Resolução planeada de problema", em que não se verificam diferenças.
Tabela 3 Análise diferencial comparativa das dimensões das estratégias de coping em função do sexo
Análise de correlação entre as escalas do BSI e as estratégias de coping
Com o objetivo de verificar as associações entre as diferentes dimensões do BSI e das estratégias de coping, foram realizadas análises de correlação interescalas. Verificam-se associações positivas e significativas de magnitude fraca a forte, conforme se pode verificar na Tabela 4.
Tabela 4 Correlações entre as dimensões do BSI e as estratégias de coping
Nota: * p < .05; ** p < .01. Cop_Aut — coping de autocontrolo; ProSup — procura de suporte social; ResPro — resolução planeada de problemas; Dist — distanciamento; Fuga — fuga/evitamento; Rea_Pos — reavaliação positiva.
Com o objetivo de perceber se as estratégias de coping e a variável "sexo" (dummy, correspondendo 1 ao sexo masculino e 0 ao sexo feminino) predizem as várias dimensões da sintomatologia psicopatológica, realizaram-se análises de regressão linear múltipla com seleção de variáveis pelo método stepwise. De referir que os valores de associação entre as dimensões das estratégias de coping variaram entre r = .195 (resolução planeada de problemas e fuga/evitamento) e r = .715 (reavaliação positiva e resolução planeada de problemas). De acordo com os valores de VIF, não há problemas de multicolinariedade (Tabela 5). Os modelos finais ajustados para as diferentes sintomatologias psicopatológicas são altamente significativos (p < .001) e explicam uma percentagem de variabilidade entre 17 % e 37 %.
Tabela 5 Análise preditiva: papel preditor das estratégias de coping no desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica
Discussão
A presente investigação teve como objetivos explorar a existência de diferenças na sintomatologia psicopatológica e nas estratégias de coping em função do sexo, analisar a associação entre a sintomatologia psicopatológica e as estratégias de coping e explorar o papel preditor do sexo e das estratégias de coping na sintomatologia psicopatológica.
Relativamente aos níveis de sintomatologia psicopatológica, os participantes neste estudo apresentam, de uma forma geral, valores médios superiores, salientando-se as dimensões obsessivo-compulsivo, depressão, ansiedade-fóbica e hostilidade quando comparados com outros estudos realizados em momentos pré-pandêmicos (Espírito-Santo & Matreno, 2015; Pereda et al., 2007).
Pela análise dos resultados, verificámos que o sexo feminino apresenta valores mais elevados em todas as dimensões do BSI, o que se encontra em linha com vários estudos (Eagly & Wood, 2012; Espírito-Santo & Matreno, 2015; Howerton & van Gundy, 2009; Torres-Montiel et al., 2017), apesar de estes serem baseados em dados recolhidos numa situação pré-pandêmica. Tais resultados poderão ser explicados pelo facto de a conciliação dos diversos papéis sociais ser mais complexa para as mulheres, dado que grande parte das tarefas familiares e domésticas continua a ser desempenhada por elas. Nesse sentido, as mulheres experienciam mais dificuldade em gerir o tempo extratrabalho, atendendo às expectativas sociais que sobre elas recaem e que têm impacto no seu stress, desempenho e descanso (Craig & Brown, 2017).
Além disso, verificaram-se associações entre as dimensões do BSI e algumas estratégias de coping, sendo de destacar as relações entre a fuga/evitamento e a sintomatologia psicopatológica. Estudos apontam que altos níveis de coping de fuga têm sido associados a maior sofrimento psicológico e a sintomas depressivos, enquanto o coping adaptativo tem sido relacionado a menor sofrimento psicológico (Compas et al., 2001; Costa & Leal, 2006). Pelo facto de evitar o problema para diminuir o sofrimento em face do stressor e adiar a sua resolução, Zanini et al. (2005) referem que esta forma de enfrentar os problemas tendencialmente acarreta sintomas físicos e psicológicos.
As análises preditivas permitiram verificar que, na presença de estratégias de coping desadaptativas, tende a ocorrer aumento de sintomatologia psicopatológica. Estes resultados são corroborados pela investigação de Liang et al. (2020), na qual se verificou que o tipo de ocupação, o nível educativo e as estratégias de enfrentamento negativas prediziam o aparecimento de problemas ao nível da saúde mental.
As estratégias de enfrentamento positivo têm surgido associadas negativamente à ansiedade em médicos que se encontravam na linha da frente no combate à covid-19 (Zhu et al., 2020) e à depressão em estudantes universitários (Zheng et al., 2020).
Os resultados obtidos, e conforme já referido anteriormente, enfatizam a propensão de estudantes do sexo feminino para o desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica, à exceção do psicoticismo.
Conclusões
Com base nos resultados obtidos, é importante a adoção de estratégias de enfrentamento positivas e eficazes no sentido de os estudantes universitários enfrentarem, com bem-estar, os diferentes desafios provocados pela situação de pandemia da covid-19. Nesse sentido, este estudo tem implicações para os serviços de saúde das universidades na prevenção, identificação e tratamento de problemas de saúde mental entre estudantes em situações graves, tais como um surto de doença infeciosa ou um desastre natural. Consideramos ainda que, devido às diferenças entre homens e mulheres encontradas na presente investigação, no planeamento da intervenção relativa à saúde mental dos estudantes, o sexo deve ser uma variável a ter em consideração. Conforme sugerido por Cao et al. (2020) e Gonçalves Correia Zanini et al. (2022), e por nós corroborado, será recomendável que, em situações de pandemia, haja um acompanhamento mais próximo e continuado dos estudantes universitários.
Quanto às limitações desta investigação, o corte transversal não permite perceber as mudanças no ajustamento psicológico e nas estratégias de coping dos indivíduos em diferentes momentos da pandemia; tal informação poderia facultar uma representação mais completa do impacto psicológico do surto. De referir ainda que a utilização de questionários de autorresposta para medir as variáveis em análise pode levar os participantes a responder de acordo com o seu próprio entendimento ou desejabilidade social. Outra limitação prende-se com a amostra não ser representativa da população universitária portuguesa.
Futuramente consideramos importante analisar emoções vivenciadas pelos jovens universitários durante o período de pandemia, com recurso a metodologias qualitativas, procurando compreender os significados e gestão dessas emoções para o seu ajustamento psicológico. Será ainda importante analisar se há diferenças por idades, atendendo às variáveis em estudo.
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